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Indústria brasileira registra recuo em maio após período de alta

© Wenderson Araujo/Trilux

A produção da indústria brasileira registrou uma queda de 0,2% em maio de 2024 na comparação com o mês anterior, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esta retração marca o primeiro resultado negativo do setor desde dezembro de 2025, indicando uma desaceleração após um período de expansão.

O levantamento, parte da Pesquisa Industrial Mensal e divulgado em uma sexta-feira recente, surpreendeu o mercado. Analistas esperavam uma leve expansão de 0,3% para o mês, contudo, o desempenho real ficou abaixo das expectativas, gerando preocupação entre economistas da Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda.

Apesar do recuo mensal, a indústria apresentou uma expansão de 0,2% em maio de 2024 quando comparada ao mesmo mês do ano anterior. No acumulado dos últimos 12 meses, o setor ainda mantém uma variação positiva, registrando um crescimento de 0,4%, o que demonstra uma resiliência em um panorama mais amplo.

Desempenho da indústria nacional

Com os números de maio de 2024, a produção industrial brasileira se posiciona 4,5% acima do patamar observado em fevereiro de 2020, período anterior à pandemia de COVID-19. Por outro lado, o setor ainda se encontra 13% abaixo do nível recorde histórico, alcançado em maio de 2011, evidenciando o longo caminho para uma recuperação plena.

Nos últimos seis meses, a trajetória da indústria mostrava um crescimento constante antes da retração atual. Em abril de 2024, a alta foi de 0,7%, seguida por 0,3% em março, 1,1% em fevereiro e 2,2% em janeiro. Em dezembro de 2025, o setor havia registrado uma queda de 1,9%, o que sublinha a atipicidade do dado recente.

Setores com destaque e recuo influenciam resultado

A queda geral da indústria em maio de 2024 foi influenciada principalmente por alguns segmentos específicos. O setor de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis registrou um recuo de 6,1%, enquanto as indústrias extrativas tiveram uma diminuição de 2,6%. Ambos os grupos interromperam uma sequência de cinco meses consecutivos de alta.

No segmento de combustíveis, os maiores impactos negativos vieram da produção de álcool etílico e gasolina. Ademais, na indústria extrativa, a retração foi puxada pela menor extração de minério de ferro, óleos brutos de petróleo e gás natural. A atividade de produtos alimentícios, um setor de grande peso, também registrou queda de 1,3% no mês.

Em contrapartida, alguns setores apresentaram crescimento expressivo, mitigando uma queda ainda maior. Os produtos farmoquímicos e farmacêuticos se destacaram com um avanço de 13,1%. O segmento de veículos automotores, reboques e carrocerias cresceu 4,1%, marcando o quinto mês consecutivo de alta, impulsionado pela maior fabricação de automóveis, caminhões e autopeças. Além disso, os produtos químicos tiveram uma expansão de 3,1%.

Análise das grandes categorias econômicas

A Pesquisa Industrial Mensal do IBGE também detalha o desempenho por grandes categorias econômicas. Entre abril e maio de 2024, apenas os bens de consumo duráveis registraram variação positiva, com um aumento de 3,6%. Este crescimento reflete a demanda por produtos de maior valor agregado, como veículos e eletrodomésticos.

Entretanto, as demais categorias apresentaram retração. Os bens de consumo semi e não duráveis, que incluem itens como vestuário e alimentos perecíveis, caíram 1,3%. Os bens intermediários, que são insumos para outros produtos, tiveram um recuo de 0,4%. Finalmente, os bens de capital, que englobam máquinas e equipamentos, essenciais para a expansão da capacidade produtiva, registraram uma queda de 0,2%.

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