O Governo de São Paulo deu início, recentemente, a uma operação de queima controlada em diversas Unidades de Conservação do Cerrado Paulista. Esta ação estratégica visa prevenir grandes incêndios florestais e proteger os ecossistemas, pois reduz o acúmulo de biomassa seca, principal combustível para o fogo, e estimula a regeneração da vegetação nativa adaptada à ocorrência natural de incêndios.
Critérios Rigorosos na Queima Prescrita
Diferente dos incêndios acidentais ou criminosos, a queima controlada segue rigorosos protocolos técnicos e meteorológicos. O planejamento dessas operações, por exemplo, leva semanas e considera fatores como a umidade do ar, a direção do vento e a quantidade exata de biomassa a ser manejada, garantindo a segurança das equipes em campo e minimizando os riscos à fauna e flora locais.
Adriano Candeias, diretor de proteção ambiental da Fundação Florestal, explica que “a queima prescrita é uma técnica que contribui ativamente para a manutenção das fitofisionomias campestres e savânicas, estimulando a regeneração da vegetação nativa e protegendo a biodiversidade endêmica do bioma”. Consequentemente, estas intervenções são cruciais para a saúde a longo prazo do Cerrado.
Resultados Consolidados e Expansão das Ações
A metodologia empregada pela Fundação Florestal se baseia em experiências anteriores que demonstraram expressivo sucesso. Em 2025, por exemplo, as ações preventivas cobriram aproximadamente 500 hectares em nove Unidades de Conservação, comprovando a eficácia da técnica. O monitoramento pós-queima revelou uma drástica redução na ocorrência de incêndios de alta severidade e diminuição da intensidade do fogo nos períodos mais críticos de estiagem.
Além disso, a implementação contínua dessas queimadas controladas fortaleceu a capacidade prática e técnica das brigadas de combate a incêndios florestais no estado. Portanto, a experiência acumulada serve como base para as futuras intervenções, aprimorando cada vez mais a gestão do fogo.
Metas para 2026
Para este ano, a Fundação Florestal já obteve autorização para expandir as intervenções em 22 áreas previamente mapeadas, totalizando mais de 507 hectares manejados de forma controlada. As ações ocorrem em importantes Unidades de Conservação como o Parque Estadual (PE) Furnas do Bom Jesus, a Floresta Estadual de Conservação (FEC) Assis, e as Estações Ecológicas (EE) Assis, Jataí, Luís Antônio, Itirapina, além do Parque Estadual (PE) Juquery.
O Papel Ecológico do Fogo no Cerrado
Do ponto de vista científico, o Cerrado é um bioma que evoluiu e se adaptou à presença do fogo, dependendo historicamente de regimes equilibrados de queima para manter sua dinâmica ecológica. Quando o manejo do fogo é totalmente suprimido, observa-se um acúmulo excessivo de biomassa vegetal seca, servindo como combustível abundante.
Em períodos de estiagem severa, esse material vegetal em excesso potencializa a ocorrência de incêndios catastróficos e de difícil controle. Contudo, a queima prescrita elimina este excesso de biomassa de forma controlada, favorecendo as espécies nativas adaptadas ao fogo e criando barreiras naturais de proteção contra incêndios descontrolados.
Estrutura Operacional Mobilizada
Para garantir o sucesso e a segurança das operações ao longo de 2026, a Fundação Florestal mobilizou uma ampla estrutura técnica e operacional. A equipe conta com 140 brigadistas e profissionais especializados, 40 pick-ups equipadas com motobombas de alta pressão e nove caminhões-pipa, essenciais para o controle das chamas.
Adicionalmente, 20 profissionais são dedicados integralmente ao monitoramento e resgate preventivo da fauna silvestre, assegurando que o impacto sobre os animais seja minimizado. Esta atuação integrada reforça o compromisso contínuo do Estado de São Paulo com a vanguarda das políticas de segurança climática, a conservação do patrimônio genético e a preservação das áreas protegidas paulistas.

