São Paulo celebra os 94 anos da Revolução Constitucionalista de 1932 nesta quinta-feira, 9 de julho de 2026, com uma série de cerimônias cívicas. O Obelisco do Parque Ibirapuera, na zona sul da capital paulista, serve de palco para as homenagens aos combatentes que participaram do levante histórico. O evento busca preservar a memória de um dos momentos mais marcantes da história do estado.
Cerimônias no Ibirapuera honram combatentes de 1932
A programação oficial começa às 8h com o tradicional hasteamento do Pavilhão Nacional, realizado pela Escola Superior de Soldados (ESSd). Além disso, o cronograma inclui a transmissão simbólica do comando do Exército Constitucionalista, marcando a continuidade da tradição cívica.
Em seguida, ocorrem os ritos em memória dos combatentes, que englobam um sepultamento simbólico e honras fúnebres. Posteriormente, a Sociedade Veteranos de 32 (MMDC) entrega medalhas aos homenageados, reconhecendo seus feitos e sacrifícios.
O encerramento do dia conta com um desfile cívico-militar, programado entre 10h30 e 11h30, reunindo membros das Forças Armadas e de segurança pública. Ademais, diversas entidades civis e instituições dedicadas à preservação da memória do movimento participam da marcha solene.
Obelisco: marco da luta por uma constituição
O Obelisco Mausoléu ao Soldado Constitucionalista, onde ocorrem as celebrações, representa um tributo perene aos homens e mulheres que integraram o movimento de 1932. O monumento foi erguido em defesa da convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte, um dos pilares da revolta.
Ainda mais, o local abriga os restos mortais de muitos dos combatentes, consolidando-se como o principal palco para as homenagens anuais. A luta visava à elaboração de uma nova Constituição para o Brasil, então sob o governo provisório de Getúlio Vargas.
Revolução de 1932: origens e desdobramentos
A Revolução Constitucionalista teve como um de seus principais estopins o episódio de 23 de maio de 1932, marcado por conflitos na capital. Contudo, o levante foi deflagrado oficialmente em 9 de julho de 1932, marcando o início de combates que se estenderam até outubro daquele ano.
Milhares de voluntários civis uniram-se a integrantes da Força Pública, precursora da atual Polícia Militar do Estado de São Paulo, na defesa dos ideais constitucionalistas. Embora militarmente derrotado, o movimento paulista impulsionou a constitucionalização do país, alterando o rumo político da nação.
Dessa forma, em 1933, foi instalada a Assembleia Nacional Constituinte, responsável por elaborar a Carta Magna promulgada em 1934. Por conseguinte, o dia 9 de julho tornou-se a data magna do Estado de São Paulo, rememorando este capítulo crucial da história paulista e a persistência por um estado de direito.
O legado do MMDC na mobilização civil
A tragédia que deu origem ao acrônimo MMDC ocorreu em 23 de maio de 1932, quando quatro jovens estudantes perderam a vida em uma manifestação na região central de São Paulo. Mário Martins de Almeida, Euclides Miragaia, Dráusio Marcondes de Sousa e Antônio Camargo de Andrade são os nomes eternizados pelas iniciais.
Esses sobrenomes não só formaram a sigla que se tornou um símbolo da mobilização constitucionalista, como também passaram a identificar uma organização civil. Esta organização foi crucial para o recrutamento de voluntários e a captação de recursos durante o conflito, mostrando a força da sociedade civil.
As mortes dos estudantes geraram forte comoção em todo o estado, ampliando exponencialmente a adesão e o engajamento em torno da causa constitucionalista. Portanto, o MMDC representa não apenas a perda, mas também a força de uma mobilização popular em defesa dos valores democráticos.

