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Redução da Selic Insuficiente: CNI e CUT Criticam Corte de Juros

© José Cruz/Agência Brasil

Na última quarta-feira (17), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) anunciou uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, a Selic, fixando-a em 14,25% ao ano. Contudo, essa medida foi prontamente considerada insuficiente por importantes entidades do país, como a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Central Única dos Trabalhadores (CUT), que argumentam que o ajuste não é capaz de reverter o cenário de estagnação econômica e não atende às demandas urgentes da sociedade brasileira.

Setor Produtivo Reclama de Asfixia Financeira

A CNI, representando o setor industrial, manifestou profunda preocupação com a timidez da medida. Para a entidade, o novo patamar da Selic não contribui eficazmente para aliviar a asfixia financeira que atualmente atinge empresas e famílias, perpetuando um ambiente de endividamento e dificultando a retomada econômica no Brasil. A entidade defende uma política monetária mais agressiva para estimular investimentos.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, enfatizou que os juros reais se mantêm em um nível excessivamente elevado, favorecendo o capital especulativo em detrimento da produção. Consequentemente, o custo do crédito permanece um obstáculo intransponível para os planos de expansão da indústria e não promove a recuperação do consumo, adiando a superação da inadimplência generalizada.

Ademais, a CNI sugeriu que o cenário internacional, particularmente o provável acordo de paz entre Estados Unidos e Irã e a consequente queda nos preços do petróleo, abria espaço para uma flexibilização monetária mais arrojada. Alban destacou que a remoção dessa pressão sobre os custos globais de produção criava um ambiente propício para um ciclo de cortes mais intensos da Selic, que não foi aproveitado pelo Banco Central.

CUT Aponta Perigos da Autonomia do Banco Central

Por outro lado, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) classificou a redução como “tímida”, ressaltando que ela não corresponde às necessidades prementes da nação e de sua população. A central sindical critica abertamente a política monetária adotada pelo Banco Central, alegando que ela negligencia os indicadores positivos da economia nacional e os sinais de alívio no panorama internacional, incluindo a recente diminuição do valor do petróleo.

Em comunicado, a CUT declarou que a manutenção dos juros em um “patamar absurdo” continua a sufocar a produção nacional e a encarecer o crédito, penalizando diretamente a classe trabalhadora. A entidade atribui essa situação à lógica do rentismo, que, em sua visão, predomina na formulação das políticas econômicas atuais, desviando recursos do investimento produtivo.

Ainda assim, a CUT reiterou que o corte marginal de apenas 0,25 ponto percentual na taxa de juros expõe os “limites e perigos” do modelo de autonomia do Banco Central vigente, que, em sua visão, torna o país refém da especulação financeira. A entidade defende que taxas de juros reais tão elevadas desviam recursos públicos essenciais para áreas como saúde, educação e infraestrutura, destinando-os prioritariamente ao pagamento da dívida com grandes investidores.

CBIC Pede Continuidade na Flexibilização Monetária

Enquanto isso, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) considerou a redução da Selic um passo positivo, mas enfatizou a imperiosa necessidade de continuidade nesse movimento de flexibilização. A entidade da construção civil observa que o nível atual dos juros ainda impõe desafios significativos à atividade econômica e, principalmente, à esperada retomada dos investimentos em infraestrutura e habitação.

A economista-chefe da CBIC, Ieda Vasconcelos, afirmou que, embora a continuidade do processo de flexibilização monetária seja uma sinalização favorável para a economia, a Selic permanece em um patamar restritivo. Tal cenário encarece o crédito, adia decisões estratégicas de investimento e, por conseguinte, dificulta a concretização de um crescimento econômico mais robusto e consistente para o Brasil.

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