O setor de serviços no Brasil registrou um recuo de 0,4% em maio, segundo dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira, dia 15. A retração veio abaixo das expectativas do mercado e foi predominantemente influenciada pelo desempenho negativo do segmento de transportes em nível nacional.
Transportes puxam o desempenho geral para baixo
O principal vetor da queda do setor de serviços em maio foi o desempenho do grupo de Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio, que apresentou uma retração de 1%. Este segmento possui o maior peso na pesquisa, representando aproximadamente um terço (33,67%) do total das atividades investigadas, o que amplifica seu impacto nos resultados gerais.
De acordo com Rodrigo Lobo, analista da pesquisa do IBGE, a diminuição na receita de empresas de transporte aéreo de passageiros, de transporte rodoviário de carga e de logística contribuiu significativamente para esse cenário. Em maio, o volume de transporte de passageiros caiu 1,3% em comparação com o mês imediatamente anterior, enquanto o volume do transporte de cargas registrou uma variação negativa de 0,2%. Essa dinâmica reflete desafios em cadeias de suprimentos e na mobilidade.
Desempenho variado entre outros segmentos
Dos cinco grupos de atividades pesquisadas, além dos transportes, ‘Outros serviços’ também registrou queda, com recuo de 1,9%. Contudo, nem todos os segmentos apresentaram desempenho negativo. ‘Serviços profissionais, administrativos e complementares’ demonstrou crescimento de 2%, enquanto ‘Serviços prestados às famílias’ expandiu 0,2%, alcançando o maior patamar desde dezembro de 2014.
Lobo aponta que a resiliência dos serviços às famílias está associada a variáveis macroeconômicas favoráveis. Dentre elas, destacam-se o baixo índice de desemprego, a elevação da massa de rendimentos e o controle do nível de preços. Enquanto isso, o setor de ‘Serviços de informação e comunicação’ manteve-se estável, sem variação em maio.
Cenário acumulado e comparativo com a pré-pandemia
Apesar do recuo mensal, o setor de serviços ainda mostra um crescimento de 0,4% na comparação com maio do ano passado. No acumulado de janeiro a maio, o avanço foi de 1,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. Por outro lado, o crescimento acumulado nos últimos 12 meses desacelerou para 2,6%, partindo de um índice de 2,9% registrado em abril.
Com os resultados de maio, o volume de serviços permanece 19,6% acima do nível pré-pandemia, registrado em fevereiro de 2020. Todavia, o setor encontra-se 0,5% abaixo do maior nível já alcançado, que ocorreu em outubro de 2023. A pesquisa do IBGE monitora esses dados desde janeiro de 2011, oferecendo uma visão de longo prazo sobre o desempenho econômico do país.
Atividades turísticas também recuam no mês
O Índice de Atividades Turísticas (Iatur), um componente da Pesquisa Mensal de Serviços, também registrou uma queda de 0,4% em maio, na comparação com o mês anterior. Em contraste, no acumulado de 12 meses, as atividades turísticas apresentaram uma expansão de 1,7%. Esses resultados posicionam o turismo 10,8% acima do patamar pré-pandemia, mas 2,5% abaixo do seu maior nível histórico, atingido em dezembro de 2024.
O Iatur compreende 22 das 166 atividades de serviços investigadas na pesquisa, incluindo setores como hotelaria, agências de viagens, bufês e transporte aéreo de passageiros. Além disso, o índice divulga informações detalhadas de 17 unidades da federação, permitindo uma análise regional da movimentação turística no país.
Relevância para a economia de Guarulhos
A retração do setor de serviços em nível nacional, especialmente no segmento de transportes, impacta diretamente a economia de grandes centros urbanos como Guarulhos. A cidade, que abriga o maior aeroporto internacional da América Latina, possui um robusto setor de logística e transporte. Portanto, as flutuações nesse segmento têm efeitos notáveis na geração de empregos e na movimentação econômica local.
Embora os dados apresentados sejam nacionais, a performance de serviços e transportes reflete-se em cidades com forte vocação para o setor terciário. A demanda por serviços prestados às famílias, que registrou alta, pode indicar um consumo local mais aquecido, contudo, a dependência de Guarulhos de modais de transporte aéreo e rodoviário sugere que o recuo nacional pode gerar cautela entre empresários da região.

