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ter, 09 jun 2026
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“Sonhos jogados por terra”: escritora de Guarulhos desabafa após cancelamento da Bienal do Paraná

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O cancelamento da I Bienal do Livro do Paraná gerou revolta entre escritores de Guarulhos que haviam se preparado para o evento. A escritora guarulhense Edilaine Soares publicou um desabafo em suas redes sociais nesta semana, criticando a falta de diálogo da organização após o anúncio do adiamento definitivo. O evento estava previsto para ocorrer entre 10 e 19 de outubro no Jockey Club do Paraná, em Curitiba.

A Cocar Produções Editoriais comunicou o adiamento no domingo, 5 de outubro, sem apresentar data alternativa para realização da bienal. Segundo a escritora guarulhense, dezenas de autores independentes e editoras foram surpreendidos pela decisão depois de meses de preparação, investimentos e expectativas.

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Escritora guarulhense cobra transparência da organização

“Depois de meses de preparo, investimento e expectativa, dezenas de autores independentes e editoras foram surpreendidos com o cancelamento da Bienal de Curitiba. Sonhos, livros e esforços jogados por terra — sem diálogo, sem respeito”, declarou Edilaine Soares em vídeo publicado nas redes sociais.

Edilaine coordena, junto com Tadeu Loppara, o coletivo literário e editora Fraternidade de Escritores. A iniciativa reúne diversos autores independentes sem fins lucrativos dedicados à valorização da literatura nacional e à promoção de escritores contemporâneos. A escritora também atua como conselheira do Conselho Municipal de Política Cultural de Guarulhos (CMPC) e foi eleita a melhor escritora da cidade em 2024 pelo voto popular.

Em sua publicação, a autora reforçou que diversos escritores independentes de outros estados e cidades saíram no prejuízo. Muitos já haviam comprado passagens aéreas e reservado hospedagem para participar do evento. Ademais, segundo Edilaine, a organização ainda não se pronunciou sobre o ressarcimento dos valores já gastos pelos participantes.

Histórico de contratempos marcou preparação do evento

O cancelamento da Bienal do Livro do Paraná não foi uma surpresa completa para quem acompanhava os bastidores do evento. Conforme reportagens de veículos especializados em mercado editorial, a organização enfrentou uma série de problemas ao longo dos últimos meses.

Inicialmente, o evento tinha previsão para o final de setembro de 2025, mas a data mudou para outubro. Posteriormente, conforme noticiado pelo portal Plural, escritores renomados como Pedro Bial, Thalita Rebouças e Sérgio Rodrigues cancelaram suas participações. Essas desistências geraram especulação sobre a viabilidade da realização da bienal.

Outro fator que chamou atenção foi o afastamento de produtoras culturais importantes. De acordo com informações do mercado editorial, empresas que inicialmente participariam da organização se desligaram do projeto ao longo do processo. Esses contratempos alimentaram a desconfiança de autores e editoras sobre a capacidade de execução do evento.

Questões financeiras e estruturais levantam dúvidas

Reportagens especializadas apontaram questões relacionadas ao financiamento da bienal. Segundo publicação do site PublishNews, o projeto foi aprovado pela Lei Rouanet com autorização para captar até R$ 8 milhões. Entretanto, até o momento do cancelamento, não havia registro de arrecadação efetiva junto a patrocinadores.

Além disso, segundo o portal Promoview, nem a Fundação Cultural de Curitiba (FCC) nem a Secretaria de Cultura do Paraná estavam envolvidas na realização do evento. Essa ausência de apoio institucional oficial do poder público paranaense também gerou questionamentos sobre a estrutura organizacional da bienal.

Como vocês podem verificar, a produtora ainda exibe o anúncio do evento em sua conta oficial do Instagram:

A comunicação oficial da Cocar Produções Editoriais, divulgada no domingo, citou “questões operacionais e logísticas” e “incertezas climáticas” como motivos para o adiamento. O comunicado informou que o evento será remarcado para 2026, mas não apresentou cronograma específico nem detalhes sobre o replanejamento.

Fraternidade de Escritores representa autores independentes

A Fraternidade de Escritores, coletivo coordenado por Edilaine Soares e Tadeu Loppara, surgiu como uma iniciativa de apoio mútuo entre autores independentes brasileiros. O grupo busca construir alternativas de divulgação e comercialização para escritores que não contam com estrutura de grandes editoras.

Para esses autores, eventos como bienais representam oportunidades cruciais de contato direto com leitores e visibilidade para seus trabalhos. Dessa forma, o cancelamento de última hora gera não apenas prejuízo financeiro, mas também frustração de expectativas profissionais e emocionais.

Edilaine Soares possui dois livros publicados: “Amores Impossíveis”, lançado em 2021, e “O Caos em Mim”, publicado em 2023. Além disso, desenvolveu projetos sociais em Guarulhos utilizando a literatura como ferramenta terapêutica. Entre suas iniciativas está o projeto “Vozes do Silêncio”, que aborda violência doméstica por meio de rodas de conversa em CEUs da cidade.

Segue abaixo o video de desabafo de Edilaine, onde ela cita alguns detalhes do cancelamento/adiamento:

Autores aguardam posicionamento sobre prejuízos

Até o momento desta publicação, a organização da Bienal do Livro do Paraná não divulgou informações sobre políticas de ressarcimento para participantes que tiveram gastos. A situação gera preocupação especialmente entre autores independentes, que geralmente trabalham com orçamentos apertados e investem recursos próprios para participar de eventos literários.

Além dos custos diretos com transporte e hospedagem, muitos autores também investiram em materiais promocionais, exemplares extras de livros e divulgação nas redes sociais. Portanto, o prejuízo vai além dos valores imediatos e inclui tempo de trabalho dedicado à preparação.

A falta de transparência sobre os próximos passos e sobre o replanejamento para 2026 deixa os participantes em situação de incerteza. Muitos escritores manifestaram nas redes sociais descrença quanto à realização futura do evento, classificando o adiamento como cancelamento definitivo disfarçado.

Mercado editorial independente sofre

O caso da Bienal do Livro do Paraná evidencia fragilidades do mercado editorial independente brasileiro. Autores sem representação de grandes editoras dependem significativamente de eventos regionais para construir carreira e alcançar públicos novos.

Quando um evento desse porte é cancelado de última hora, o impacto não se restringe aos participantes diretos. Leitores que aguardavam a oportunidade de conhecer novos autores também ficaram no prejuízo. Ademais, a confiança em futuros eventos organizados por produtoras menores fica abalada.

Para Edilaine e outros escritores de Guarulhos, resta agora aguardar esclarecimentos da organização e avaliar os próximos passos. Enquanto isso, o desabafo da escritora guarulhense repercute entre autores de todo o país que se identificam com a situação de vulnerabilidade e frustração.

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