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dom, 28 jun 2026
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Sono Prolongado em Homens Idosos Aumenta Risco de Perda de Mobilidade, Aponta Estudo

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Um novo estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e da University College London (Reino Unido) revelou que homens idosos que dormem mais de nove horas por noite enfrentam um risco significativamente maior de perder mobilidade. Publicada no Journal of the American Medical Directors Association, a pesquisa, que acompanhou mais de 3 mil indivíduos acima de 60 anos por oito anos, aponta que o sono prolongado é um marcador de risco acessível e eficaz para prever a lentidão da marcha, um indicativo crucial de perda de independência e suscetibilidade a quedas.

A Metodologia por Trás da Descoberta

A investigação utilizou dados do Estudo Longitudinal Inglês sobre Envelhecimento (ELSA), englobando 1.582 homens e 1.626 mulheres com 60 anos ou mais. Os pesquisadores incluíram apenas indivíduos que não apresentavam problemas preexistentes relacionados à velocidade da marcha, garantindo um acompanhamento focado na manifestação dos impactos ao longo de oito anos. Portanto, a seleção criteriosa da amostra conferiu robustez aos achados.

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Sono Prolongado Reduz Velocidade da Caminhada em Homens

De acordo com os resultados detalhados, homens acima de 60 anos que relataram dormir mais de nove horas por noite registraram uma redução acentuada na velocidade de caminhada durante o período estudado. Alguns participantes chegaram a perder até um quarto de sua velocidade inicial. Contudo, curiosamente, sintomas de insônia ou noites de sono mais curtas não apresentaram impacto significativo na mobilidade masculina. Além disso, a mesma associação entre padrão de sono e mobilidade não foi observada entre as mulheres analisadas.

Fatores Hormonais e Inflamatórios Explicam a Conexão

Tiago da Silva Alexandre, professor do Departamento de Gerontologia da UFSCar e um dos autores do estudo, explica que, embora durmam mais, esses homens tendem a ter um sono fragmentado e com menos fases profundas. Consequentemente, essa baixa qualidade do sono, apesar da alta quantidade de horas, compromete a liberação de testosterona, hormônio fundamental para a manutenção da massa muscular masculina, acelerando a perda da velocidade de caminhada.

O Papel do 'Inflammaging'

Além da questão hormonal, o estudo aponta que o sono prolongado e interrompido está associado à intensificação do “inflammaging”. Esta é uma condição de inflamação crônica de baixo grau, comum na velhice, que promove a degradação das células do tecido musculoesquelético. Por sua vez, a inibição da síntese proteica e a redução da força e massa muscular são aceleradas, impactando diretamente a capacidade de locomoção.

Diferenças entre Gêneros e Recomendações de Sono

As mulheres que dormiram mais de nove horas por noite não tiveram sua velocidade de caminhada afetada, conforme o estudo. Patrícia Silva Tofani, professora da Universidade Federal de Sergipe (UFS) e coautora, esclarece que isso se deve ao perfil hormonal feminino. Nelas, outros hormônios, como o IGF-1 e o GH, desempenham um papel mais relevante no anabolismo muscular do que a testosterona, minimizando o impacto negativo.

É importante ressaltar que o padrão de sono tende a mudar com o envelhecimento. Enquanto adultos jovens são aconselhados a dormir entre sete e oito horas, para idosos, o ideal varia entre seis e nove horas por noite. Por conseguinte, dormir mais de nove horas para um idoso é um padrão incomum que pode indicar vulnerabilidade clínica, reforçando a importância de considerar o sono prolongado como um marcador de risco específico para homens dessa faixa etária.

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