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São Paulo Descarta Segundo Caso Suspeito de Ebola Após Análises Laboratoriais

Agência SP

A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) descartou recentemente o segundo caso suspeito de doença pelo vírus Ebola registrado neste ano no território paulista. A conclusão foi divulgada após análises de biologia molecular rigorosamente conduzidas em duas amostras da paciente, coletadas em diferentes momentos, confirmando a ausência do patógeno.

O caso em questão foi notificado na última quarta-feira, dia 10, e envolvia uma mulher brasileira de 31 anos. Ela havia retornado de uma viagem à República Democrática do Congo (RDC) e apresentou sintomas como febre e diarreia, o que acionou o protocolo de segurança. Dessa forma, a paciente foi transferida de um hospital privado na capital para o Instituto de Infectologia Emílio Ribas (IIER), onde permanece internada.

Contudo, sua evolução clínica é favorável, e ela recebe tratamento adequado para um quadro de gastroenterocolite aguda. O descarte do Ebola foi essencial para focar no tratamento correto da condição real, sem as preocupações adicionais de uma infecção viral tão grave.

Protocolo Rigoroso Garante Segurança no Diagnóstico

A investigação laboratorial de vírus associados a febres hemorrágicas, como o Ebola, é uma tarefa complexa e vital. Ela é realizada pelo Instituto Adolfo Lutz (IAL) utilizando técnicas avançadas de biologia molecular, que incluem RT-qPCR e sequenciamento genômico, capazes de identificar precisamente o material genético viral presente em uma amostra.

Ademais, como a primeira amostra da paciente foi coletada antes das 72 horas iniciais do surgimento dos sintomas, um período crucial para a detecção do vírus, uma nova coleta foi efetuada após esse prazo. Este procedimento está em total conformidade com o protocolo estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), garantindo a máxima segurança no diagnóstico.

Ambas as amostras, portanto, apresentaram resultados negativos para o vírus Ebola. Adriana Bugno, diretora-geral do Instituto Adolfo Lutz, enfatizou a importância dessa abordagem: “Um resultado negativo em amostra coletada antes de 72 horas do início dos sintomas não é suficiente para afastar a infecção. Nessa situação, o protocolo prevê uma nova coleta após esse período. As duas amostras apresentaram resultado negativo, atendendo ao critério laboratorial para o descarte do caso”.

Histórico de Vigilância e Resposta Rápida em São Paulo

Este não foi o primeiro alerta de Ebola no estado em 2024. Anteriormente, em 1º de junho, o Estado de São Paulo já havia descartado outro caso suspeito, envolvendo um homem de 37 anos que também tinha histórico de viagem à República Democrática do Congo. Tais ocorrências demonstram a proatividade da vigilância em saúde local.

Regiane de Paula, coordenadora em Saúde da Coordenadoria de Controle de Doenças da SES-SP, sublinha a relevância da agilidade: “Casos suspeitos precisam ser identificados e investigados com rapidez, mesmo quando o risco de introdução da doença é muito baixo. Isso permite adotar as medidas de assistência e biossegurança desde o primeiro atendimento e concluir o diagnóstico de forma segura”.

Nos dois episódios, o Centro de Vigilância Epidemiológica “Prof. Alexandre Vranjac” (CVE-SP) iniciou prontamente a investigação. Isto ocorreu assim que os pacientes preencheram os critérios clínicos e epidemiológicos para classificação como casos suspeitos, considerando-se o histórico recente de viagem a regiões com transmissão ativa do vírus e os sintomas apresentados. A Central/Cievs-SP, por sua vez, notificou o Ministério da Saúde sobre as situações.

Sintomas e Transmissão do Vírus Ebola

A doença pelo vírus Ebola geralmente manifesta-se de forma súbita, com febre alta, dor de cabeça intensa, dores musculares generalizadas, fadiga, náuseas, vômitos, diarreia e dor abdominal. Além disso, em cenários mais severos, podem surgir manifestações hemorrágicas, culminando, em casos críticos, em choque e insuficiência de múltiplos órgãos, exigindo atenção médica imediata.

A definição de caso suspeito inclui indivíduos que, nos 21 dias que antecedem o início dos sintomas, permaneceram, residiram ou viajaram para áreas com transmissão ativa da doença. Alternativamente, quem vier de um país com circulação do vírus e não possa determinar com segurança os locais visitados, também é considerado suspeito, especialmente se apresentar febre e/ou calafrios, acompanhados ou não de diarreia, vômitos ou manifestações hemorrágicas.

É fundamental salientar que o vírus Ebola não se transmite por via respiratória, diferentemente de outros patógenos virais. A transmissão ocorre exclusivamente após o início dos sintomas, mediante contato direto com sangue, secreções, fluidos corporais ou tecidos de pessoas infectadas. Por conseguinte, não há transmissão durante o período de incubação, antes do aparecimento de quaisquer sinais da doença.

Ações de Fortalecimento da Vigilância em Saúde

Após a notificação do primeiro caso suspeito no estado, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo intensificou proativamente suas ações de vigilância epidemiológica. Este movimento visa aprimorar a capacidade de resposta e a preparação dos profissionais de saúde em todo o território.

Nesse sentido, nos dias 8 e 9 de junho, o Centro de Vigilância Epidemiológica “Prof. Alexandre Vranjac” (CVE-SP) promoveu um abrangente treinamento. Mais de 1,1 mil profissionais de saúde de todo o estado participaram da webconferência intitulada “Doença pelo Vírus Ebola: informação que protege, vigilância que salva”, demonstrando o compromisso com a capacitação.

O encontro abordou tópicos cruciais como a vigilância epidemiológica, os fluxos de atendimento e notificação, a preparação dos serviços de saúde, bem como as diretrizes de biossegurança e a resposta eficaz a casos suspeitos. Todo o conteúdo ministrado permanece acessível no canal da Coordenadoria de Controle de Doenças no YouTube, servindo como material de referência.

Além disso, em 3 de junho, a SES-SP atualizou a Nota Informativa Conjunta sobre Ebola, originalmente divulgada em maio. Este documento oferece novas orientações essenciais para a identificação, notificação, investigação, manejo e monitoramento de casos suspeitos e seus contatos, adaptando-se às necessidades mais recentes.

O documento também reitera que o risco de introdução da doença no Brasil e na América do Sul permanece muito baixo, o que é uma notícia tranquilizadora. No entanto, a vigilância constante é imperativa. Importa frisar que, até o presente momento, não há vacinas licenciadas nem tratamentos específicos amplamente disponíveis para o Ebola, destacando a importância da prevenção e do diagnóstico precoce.

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