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Tarifas dos EUA: São Paulo e Santa Catarina são os estados mais afetados

© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Os estados de São Paulo e Santa Catarina concentram a maior parte do impacto do recente aumento de tarifas anunciado pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros. A medida, que entra em vigor a partir de 22 de julho de 2024, atinge um volume de US$ 7,4 bilhões em exportações e impacta diretamente a economia regional e nacional.

Dados da ApexBrasil, a Agência Brasileira para Promoção de Exportações e Investimentos, revelam que os dois estados somam 52% do total de vendas afetadas pelas novas tarifas de 25%. Apenas São Paulo, a maior economia do país, contribui com US$ 3 bilhões desse montante, o que representa 41,6% do valor total das exportações sob taxação. Contudo, essa quantia ainda corresponde a 20% das exportações paulistas destinadas aos Estados Unidos.

Por outro lado, Santa Catarina enfrenta uma situação proporcionalmente mais crítica. Embora o volume absoluto seja menor que o paulista, 68% do total de suas exportações para o mercado norte-americano serão diretamente afetadas pelas novas barreiras comerciais. O governo brasileiro, por sua vez, rejeita as justificativas apresentadas pelos EUA para a imposição dessas taxas adicionais.

Setores produtivos estratégicos sob pressão

O setor madeireiro do Paraná emerge como outro segmento significativamente impactado. Isso porque 30% da madeira importada pelos Estados Unidos tem origem no Brasil, e desse total, 66,7% provêm do Paraná. Tal dependência, conforme especialistas, cria dificuldades tanto para as empresas brasileiras quanto para o mercado consumidor americano.

Além da madeira, o granito brasileiro também figura entre os produtos alvo das novas tarifas. Os Estados Unidos são um dos maiores importadores desse material do Brasil, utilizando-o amplamente na construção civil. A ApexBrasil aponta que 36% do granito importado pelos norte-americanos tem origem em território brasileiro, elevando a preocupação entre os produtores.

Reação e planos para diversificação de mercados

Diante do cenário, a ApexBrasil já anunciou um plano de R$ 130 milhões para auxiliar as empresas afetadas a diversificarem seus mercados. Essa iniciativa busca mitigar os efeitos negativos das tarifas, incentivando a busca por novas oportunidades de exportação para evitar a dependência de um único mercado, como o norte-americano.

Laudemir Müller, presidente da ApexBrasil, comentou sobre a complexidade da situação. Ele ressaltou que, para o mercado americano, não é simples substituir de uma hora para outra um fornecedor que responde por 30% de seu suprimento de madeira ou 36% de granito. Consequentemente, a medida não prejudica apenas os exportadores brasileiros, mas também os importadores e a construção civil dos EUA, podendo gerar impactos inflacionários naquele país.

As novas tarifas foram confirmadas pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) em um recente comunicado, que alegou supostas práticas comerciais ‘desleais’ por parte do Brasil. No entanto, o governo brasileiro contesta veementemente essas acusações, mantendo a posição de que suas práticas comerciais são legítimas.

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