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Telemedicina do Incor oferece tratamento contra tabagismo e reforça saúde na Grande São Paulo

Em um momento em que o cigarro e os dispositivos de nicotina voltam a ganhar visibilidade nas red...

O Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, localizado em São Paulo, oferece um programa de telemedicina para auxiliar pessoas que buscam parar de fumar. A iniciativa, implementada em maio de 2021, democratiza o acesso a um tratamento especializado e gratuito por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), beneficiando a população da Grande São Paulo, incluindo moradores de Guarulhos. O objetivo principal do serviço é combater a dependência de nicotina, uma condição reconhecida oficialmente como doença pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

O tabagismo representa um grave desafio de saúde pública no Brasil, onde cerca de 9,3% da população fuma, e aproximadamente 20 pessoas perdem a vida a cada hora devido a enfermidades associadas ao consumo de tabaco. A dependência de nicotina é complexa, englobando não apenas o vício químico, mas também hábitos comportamentais e o uso do cigarro como mecanismo para lidar com estresse ou outras emoções. Conforme explica Telma de Cássia dos Santos Nery, médica sanitarista e do trabalho da Divisão de Pneumologia do Incor, o cérebro se adapta a um sistema de recompensa, associando o tabaco a uma sensação de prazer e alívio de angústia.

Apoio público e tratamento acessível

Desde 1986, o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza tratamento gratuito para indivíduos que desejam abandonar o tabagismo em todo o território nacional. Qualquer pessoa, independentemente de sua localização, pode procurar uma unidade de saúde ou um serviço especializado do SUS para buscar apoio. Diante disso, o programa do Incor complementa essa rede de assistência, focando na capital e região metropolitana.

No Incor, o atendimento é direcionado a pacientes encaminhados ao serviço, começando com uma triagem detalhada. Este processo inicial visa identificar os hábitos relacionados ao consumo de tabaco de cada paciente e, portanto, definir a estratégia terapêutica mais adequada. O acompanhamento é feito com o apoio da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), uma abordagem comprovadamente eficaz para a cessação do tabagismo.

Metodologia do tratamento por telemedicina

A terapia em grupo inicia uma nova turma a cada mês, sempre na primeira quarta-feira, e compreende quatro sessões semanais consecutivas. Os grupos de telemedicina reúnem, em média, entre 10 e 15 participantes, proporcionando um ambiente colaborativo e de apoio. Além disso, após a avaliação inicial, o paciente pode escolher entre o acompanhamento presencial nos ambulatórios do Incor ou a modalidade on-line, que oferece maior flexibilidade. Para garantir a inclusão, a equipe do instituto oferece suporte para o uso das ferramentas digitais quando necessário.

Resultados positivos da abordagem

Entre 2021 e 2023, pesquisadores conduziram um estudo descritivo para avaliar a eficácia da telemedicina combinada à Terapia Cognitivo-Comportamental no processo de cessação do tabagismo. A pesquisa analisou diversos indicadores, como a frequência nas quatro sessões semanais, idade, sexo, raça/cor dos participantes, bem como a redução do número de cigarros fumados e a interrupção completa do consumo de tabaco. Ao todo, o estudo envolveu 154 participantes.

Os resultados indicaram que 5% dos participantes já haviam reduzido o consumo de cigarros em 50% na primeira sessão. Além disso, outros 16% atingiram essa meta na segunda sessão, 18% na terceira e 5% na quarta sessão, demonstrando uma progressão contínua. Contudo, em um cenário onde o cigarro e os dispositivos de nicotina readquirem visibilidade em redes sociais e diversos contextos culturais, reforçar as ações de prevenção e conscientização mostra-se ainda mais crucial. Para a médica Telma Nery, a ampliação do acesso à informação sobre os riscos do tabagismo permanece como uma das principais estratégias para evitar que novas gerações desenvolvam a dependência de nicotina.

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