A Venezuela registrou um novo terremoto de magnitude 4.6 na escala Richter nesta segunda-feira (29), com epicentro em Carabelleda, no estado de La Guaira, uma região já gravemente afetada. O tremor foi sentido intensamente na capital, Caracas, ocorrendo apenas cinco dias após um devastador duplo terremoto que abalou o país. O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, classificou-o como uma “réplica de moderada intensidade”, contudo, assegurou que não foram reportados danos adicionais no território nacional.
Detalhes do Novo Tremor
O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) detalhou que o sismo teve origem a dez quilômetros de profundidade da superfície, localizado a 27 km do centro de Carabelleda. Este município, lar de cerca de 50 mil habitantes e a aproximadamente 40 km de Caracas, havia sido severamente impactado pelo duplo terremoto da semana anterior, intensificando a preocupação local.
Contexto Sísmico e Réplicas
Na última sexta-feira, outro tremor de 4.9 já havia sido registrado no país, sinalizando a continuidade das réplicas que se sucedem ao evento principal. As réplicas são tremores secundários, naturais após um sismo de grande magnitude, indicando o reajuste das placas tectônicas na região. A agência estatal venezuelana informou a ocorrência de pelo menos 430 tremores secundários desde o terremoto duplo inicial, demonstrando a instabilidade sísmica atual.
A professora de Direito da Universidade Central de Caracas (UCV), Tamara Ádrian, residente na capital, confirmou à Agência Brasil a frequência das réplicas nos últimos dias. Ela, que trabalha em um edifício com estrutura antissísmica de design japonês, percebe até mesmo os menores movimentos telúricos, o que sublinha a constante atividade sísmica local.
Ádrian relatou sentir pelo menos um ou dois tremores por semana em seu local de trabalho há quase 30 anos, sempre de intensidade leve, mas notáveis. No entanto, ela enfatizou que terremotos da magnitude registrada na semana passada são eventos raros para a Venezuela. A professora recordou o terremoto de 1967, de magnitude 6.1, destacando a natureza excepcional dos sismos recentes.
Historicamente, sismólogos apontam que o intervalo entre terremotos de maior porte em Caracas tem sido de aproximadamente 50 anos, de acordo com medições. Contudo, a atual sequência de eventos, culminando no tremor de 4.6 e nas centenas de réplicas, sugere um período de intensa atividade geológica, exigindo vigilância contínua das autoridades e da população.
Impacto e Resposta Humanitária
Conforme a última atualização divulgada pelo governo de Caracas nesta segunda-feira, o balanço dos terremotos revela um cenário devastador, com aproximadamente 1.500 mortos e 3.150 feridos. A magnitude dos tremores iniciais, de 7.2 e 7.5 na escala Richter, ocorridos na quarta-feira (24) anterior, causou destruição generalizada e desabamentos significativos, particularmente em Caracas e na província de La Guaira.
Em uma resposta massiva à tragédia, cerca de 25 mil socorristas, incluindo 2,6 mil estrangeiros, estão mobilizados em operações de busca para localizar pessoas sob os escombros. Até o domingo (28), 33 indivíduos haviam sido resgatados com vida, um testemunho do esforço conjunto. O Brasil, demonstrando solidariedade, enviou socorristas e quatro aviões com ajuda humanitária ao país vizinho.


