O Governo de São Paulo e a Sabesp, após a desestatização da companhia em 2024, iniciaram uma significativa ampliação dos serviços de saneamento básico em todo o estado. Moradores de diversas regiões paulistas, que anteriormente enfrentavam a escassez de água tratada e a ausência de coleta de esgoto, agora vivenciam uma nova realidade. Este avanço é parte de um esforço maior para a universalização do saneamento em São Paulo, prometendo mais dignidade e melhoria da saúde pública.
Conforme dados recentes, a Sabesp conseguiu levar água tratada para aproximadamente 2,1 milhões de pessoas, enquanto a coleta e tratamento de esgoto foram estendidos a outros 4,3 milhões de habitantes. Anteriormente, muitas comunidades conviviam com desafios diários, como em Itupeva, onde famílias dependiam criticamente de caminhões-pipa para o abastecimento doméstico, gerando constante incerteza e preocupação.
Adicionalmente, em Poá, muitos residentes eram obrigados a acordar durante a madrugada para aproveitar a baixa pressão da água que chegava às torneiras, um reflexo da precariedade do sistema. Por outro lado, em Barueri, o mau cheiro proveniente de córregos sem tratamento impactava diretamente o cotidiano das comunidades, comprometendo até mesmo momentos básicos como as refeições. Essas histórias ilustram a dimensão dos desafios enfrentados antes da intensificação dos investimentos.
Aceleração dos Investimentos na Universalização do Saneamento
O estado de São Paulo projeta um investimento massivo de R$ 260 bilhões até 2060, valor integralmente dedicado à infraestrutura de saneamento. Deste montante, R$ 70 bilhões estão programados para serem aplicados até 2029, com o objetivo principal de universalizar o saneamento básico em todo o território paulista, garantindo acesso pleno a todos os cidadãos.
Ademais, somente no ano de 2025, foram investidos R$ 15,2 bilhões em obras de infraestrutura, registrando um aumento de 120% em comparação com o ano anterior. Este expressivo volume de recursos está diretamente vinculado à ampliação da cobertura de saneamento e à melhoria contínua dos padrões de qualidade dos serviços oferecidos à população, impactando positivamente a vida em São Paulo. Atualmente, a companhia mantém 1,2 mil frentes de obra em andamento, visando levar água e esgoto a locais onde as pessoas jamais tiveram acesso a esses serviços.
Histórias de Transformação e Dignidade no Cotidiano
Água Tratada em Poá após Quatro Décadas de Espera
Na Vila São Francisco, em Poá, a professora Maria Helena da Silva se tornou um símbolo dessa transformação, sendo a primeira moradora a receber água tratada da Sabesp após cerca de quatro décadas de espera. As obras locais, que representam um investimento de R$ 10 milhões, já entregaram os primeiros cinco quilômetros da rede de abastecimento, enquanto a implantação da rede de coleta e tratamento de esgoto progride.
Maria Helena recorda vividamente as dificuldades enfrentadas pelos habitantes da região antes da universalização do saneamento. Anteriormente, a água chegava por uma mangueira clandestina e com pressão mínima, fazendo com que levasse até duas horas para encher uma garrafa. Além disso, por sua casa ser a última do bairro, o acesso à água ocorria apenas durante a madrugada, exigindo que todos acordassem para conseguir armazenar o necessário para o dia.
Fim da Dependência de Caminhões-Pipa em Itupeva
A situação vivenciada em Poá encontra similaridade com a realidade do Residencial Pollyana, em Itupeva, na região de Campinas, onde a Sabesp concluiu as obras de ampliação da rede de abastecimento. Anteriormente, o bairro dependia de um sistema isolado, abastecido por caminhões-pipa que alimentavam um reservatório local, resultando em frequentes interrupções no fornecimento e grande incômodo aos moradores.
Pedro Poli, residente na região há três anos, compartilha como a limitação no abastecimento forçou sua família a modificar hábitos diários. Ele relata: “Quando recebíamos visitas, precisávamos economizar bastante porque a reserva da caixa d’água era limitada. Agora, estamos muito felizes com a mudança”. Para ele, a chegada da rede pública significa uma paz de espírito inédita, garantindo a chegada da água sem interrupções.
Novas Oportunidades e Projetos em Mairiporã
Outra narrativa de impacto vem do loteamento Santa Inês, em Mairiporã, onde a Sabesp investe aproximadamente R$ 1 milhão na ampliação da rede de distribuição de água. Este projeto prevê a realização de 184 ligações domiciliares, com 1,5 quilômetro de rede já implantado e mais 1,5 quilômetro a seguir. Portanto, a comerciante Josilene Oliveira, moradora local há 12 anos, vê na obra a chance de concretizar um projeto que estava paralisado por falta de saneamento.
Josilene expressa sua gratidão: “A chegada da água aqui era algo muito aguardado por todos no bairro”. Ela explica que aguardava para iniciar a construção do banheiro de seu comércio, uma vez que não seria viável utilizá-lo sem abastecimento adequado. Agora, com a rede de água instalada, esse problema foi solucionado, permitindo o avanço de seus planos de expansão comercial.


