O comércio varejista brasileiro registrou um significativo avanço de 0,6% no volume de vendas em fevereiro de 2026, consolidando um novo recorde na série histórica iniciada no ano 2000. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os dados da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) nesta quarta-feira, 15 de março, indicando que a demanda por produtos essenciais foi crucial para este desempenho positivo em âmbito nacional.
Desempenho Histórico e Cenário Recente
Com o resultado de fevereiro, o setor varejista ultrapassa o patamar recorde que já havia alcançado no mês anterior, demonstrando uma trajetória consistente de recuperação e expansão. A série histórica, iniciada em 2000, confere robustez a este dado, sinalizando um momento de força para o consumo interno e para a economia nacional.
Conforme a PMC, o índice de média móvel trimestral para o varejo consolidou-se em 0,2% no período finalizado em fevereiro. Além disso, o setor vem de uma sequência de resultados favoráveis no final do ano passado, mostrando resiliência, o que impulsiona a percepção de estabilidade no consumo.
Cristiano Santos, gerente da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) do IBGE, explicou que a passagem de dezembro para janeiro já havia registrado uma alta de 0,4%. Contudo, ele enfatizou que, dos últimos seis meses analisados, dezembro representou o único resultado negativo, sublinhando a predominância de um cenário de crescimento contínuo para o varejo.
Setores em Destaque e Quedas Pontuais
A análise detalhada da pesquisa revela que quatro das oito categorias investigadas contribuíram ativamente para o crescimento das vendas no mês de fevereiro. Entre elas, destacam-se os segmentos de livros, jornais, revistas e papelaria, que apresentaram uma expressiva alta de 2,4%, refletindo um consumo cultural em ascensão. Igualmente, combustíveis e lubrificantes avançaram 1,7%.
Ademais, hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo registraram um crescimento de 1,1%, enquanto artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria tiveram uma elevação de 0,3%. Esses segmentos refletem a demanda por bens e serviços essenciais, o que impulsionou o índice geral de maneira significativa.
Por outro lado, o IBGE apontou quedas em outros setores, como equipamentos e material para escritório, informática e comunicação, que sofreram uma retração de 2,7%. Outros artigos de uso pessoal e doméstico caíram 0,6%, tecidos, vestuário e calçados recuaram 0,3%, e móveis e eletrodomésticos apresentaram uma leve baixa de 0,1%, indicando seletividade no consumo de bens mais duráveis ou não essenciais.
O Impulso dos Produtos Essenciais
O gerente da PMC, Cristiano Santos, elucidou que o desempenho positivo deste ano foi grandemente incentivado pela “volta do protagonismo de atividades que ofertam produtos básicos do comércio”. Ele ressaltou, sobremaneira, a relevância de segmentos como hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo para a performance geral.
Esses setores possuem um peso considerável no indicador geral de vendas, visto que comercializam itens de primeira necessidade, cuja demanda é menos volátil frente a oscilações econômicas. Portanto, a força dessas categorias tem sido um pilar fundamental para a sustentação do crescimento do varejo no período mais recente, demonstrando a resiliência do consumidor brasileiro.

