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Veneno Sapo Antibiótico: Butantan Desvenda Potencial em Pesquisa Inovadora

O sapo-cururu Rhaebo guttatus é nativo da Amazônia (Foto: Carlos Jared)

A pesquisa do Instituto Butantan revelou um achado promissor: o Veneno Sapo Antibiótico, extraído do sapo-cururu (Rhaebo guttatus), contém peptídeos com grande potencial para combater bactérias. Esse avanço representa uma nova via na busca por soluções para a crescente resistência antimicrobiana.

Publicado na renomada revista Toxicon, o estudo detalhou as proteínas presentes no veneno desse anfíbio amazônico. A iniciativa contou com a colaboração essencial da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e do Centro de Estudos em Biomoléculas Aplicadas à Saúde da Fiocruz em Rondônia.

Dessa forma, a investigação destaca a importância de explorar a biodiversidade natural para o desenvolvimento de novos fármacos. O biomédico Daniel Pimenta, coordenador do trabalho e pesquisador do Laboratório de Ecologia e Evolução do Butantan, enfatiza a urgência dessa busca.

“Em um contexto de resistência antimicrobiana, a procura por novos compostos antibióticos na natureza é uma estratégia vital para o futuro”, afirmou Pimenta. A pesquisa foi desenvolvida no Laboratório de Bioquímica do Instituto, onde o cientista atuou por quase vinte anos.

O Veneno Sapo Antibiótico: Um Escudo Natural

Nos sapos, o veneno é armazenado em glândulas localizadas na pele, agindo como um “escudo” protetor. Além disso, essa secreção não só defende o animal contra predadores, mas também contra diversos agentes patogênicos, como vírus, bactérias e fungos, presentes em seu ambiente.

Consequentemente, a secreção cutânea de anfíbios, de modo geral, é rica em elementos com múltiplos efeitos biológicos. Isso inclui propriedades antibacterianas e/ou antivirais, que são de grande interesse para a medicina.

Identificação de Peptídeos com Propriedade Antimicrobiana

Diversos dos peptídeos identificados pelos pesquisadores demonstraram promissoras propriedades antimicrobianas. Nesse sentido, as análises estruturais e funcionais foram realizadas in silico, ou seja, utilizando ferramentas computacionais avançadas para prever e compreender a função biológica das moléculas.

Por outro lado, a análise do veneno revelou uma descoberta surpreendente: a presença da proteína BASP1. Até então, essa proteína não havia sido identificada em venenos de anuros (sapos, rãs e pererecas), sendo comumente encontrada no sistema nervoso de humanos e outros animais.

A hipótese dos cientistas é que a BASP1 pode desempenhar um papel crucial na contração e regeneração da glândula da pele. Essa glândula, afinal, passa por um processo inflamatório natural cada vez que o veneno é secretado.

Também foram identificadas outras proteínas relevantes, como aquelas relacionadas à contração muscular, ao estresse oxidativo e à imunidade do sapo-cururu. Esses achados ampliam a compreensão sobre a biologia básica do animal.

A Análise Minuciosa por Trás da Descoberta do Veneno Sapo Antibiótico

A equipe do Butantan empregou técnicas sofisticadas para desvendar a complexa composição do veneno. O primeiro desafio foi transformar a secreção viscosa em uma solução homogênea, adequada para processamento por equipamentos laboratoriais.

Posteriormente, os componentes do veneno são separados por cromatografia líquida. Entretanto, as frações resultantes são então inseridas em um espectrômetro de massas, um aparelho que analisa cada molécula individualmente e fornece uma “fotografia” para identificação das substâncias.

Em suma, esses estudos não só buscam moléculas terapêuticas, mas também oferecem respostas sobre a biologia fundamental do animal. “Eles ajudam a entender quem ele é, o que ele secreta e como ele se defende”, conclui Daniel Pimenta.

A pesquisa, que identificou peptídeos com potencial de Veneno Sapo Antibiótico, foi financiada por importantes instituições. Entre elas, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

Além disso, as análises revelaram semelhanças notáveis entre o veneno do sapo-cururu amazônico e espécies como o Rhinella icterica (do sudeste do Brasil) e o Rhinella marina (introduzido na Austrália). Essa similaridade sugere um padrão conservado na evolução.

Os sapos-cururu são nativos da América do Sul, mas foram introduzidos em várias partes do mundo. A saber, sua presença em países da Ásia e nos Estados Unidos visava o controle de pragas agrícolas.

A descoberta do Veneno Sapo Antibiótico pelo Instituto Butantan abre novos horizontes para a ciência e a saúde global. Compartilhe sua opinião sobre esta pesquisa inovadora nos comentários ou em suas redes sociais!

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