No mês de agosto, em meio a outros temas importantes, comemoramos o aniversário da Lei Maria da Penha, campanha de enfrentamento à violência doméstica contra a mulher. Quero trazer a atenção para a agressão sofrida por mulheres, também no período gestacional, e o impacto a ela e ao bebê que está em processo de formação em seu ventre.
Como sabemos, existem diversos tipos de violência contra mulher: física, psicológica, patrimonial, moral e sexual, no caso da mulher gestante, nomeamos também como violência obstétrica, considerada em situações relacionadas a sua gestação, parto e puerpério.
No ciclo gravídico-puerperal, essa gestante passa por transformações intensas nos aspectos físico, psíquico e social, aflorando sentimentos ambivalentes, com maior necessidade de acolhimento, afeto e atenção.
Muitas gestantes acabam vivenciando nesse período de tanta fragilidade emocional, agressões, principalmente vindas do seu parceiro afetivo, por exemplo, violências física, como socos, tapas, empurrões, chutes e violência verbal/psicológica como xingamentos, gritos, socos na parede ou mesa, entre outros.
Nesses casos, tanto essa mulher quanto o bebê que está em sua barriga, estão correndo riscos de morte, alguns relatos já usados em estudos científicos, trazem que agressões diretamente à barriga, podem causar o rompimento prematuro de membranas, resultando em contaminações com mecônio (cocô do bebê), e em alguns casos, causar o óbito do bebê e da mãe.
Em caso de violência física/ psicológica /verbal contra gestante, podem potencializar chances de:
- Transtornos psíquicos: como a depressão, ansiedade maior, pânico
- Alteração na pressão
- Eclampsia
- Descolamento de placenta
Entre outros.
Causando impactos no bebê como:
- Nascimento prematuro
- Baixo peso ao nascer
- Questões neurológicas
- Atraso no desenvolvimento fetal – restrição de crescimento intrauterino
- Estresse fetal – bradicardia.
Para ambos existe o risco de óbito.
Infelizmente o tema não é muito falado e ainda julgam a postura dessa mulher que permanece em uma relação violenta, mas o que é necessário compreender é que ainda não temos um acolhimento pelos órgãos públicos de maneira a passar segurança e visibilidade para essa mulher, em sua grande maioria de relatos de vítimas, ao buscarem apoio se sentiram julgadas e responsáveis pelo o que estavam vivendo.
É preciso lembrar que dentro dela há vida, uma nova vida, em condições vulneráveis, que precisa de um ambiente seguro para se desenvolver.
Se você é gestante, agredida fisicamente e/ou psicologicamente, observe quais riscos você e seu bebê estão correndo, fique atenta sobre a relação que está, busque apoio e acolhimento em grupos, rede de apoio, ou com algum profissional da área da saúde. Você é maior do que sua dor.
Se você conhece uma grávida, está próximo a ela, fique atento às vulnerabilidades, a veja.
Ouvir é necessário, dar espaço de fala a essa mãe é essencial
para ter um impacto positivo na saúde mental materna e no início da vida.
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Daniele Barros é Mãe | Psicóloga Obstétrica | Graduada em Gestão de Pessoas | Pós graduada em Marketing pela Business School São Paulo | Psicologia Analítica Junguiana pela Sociedade Brasileira de Psicanálise Integrativa | Formação em Psicologia Perinatal e da Parentalidade pelo Instituto Mater Online | Em formação neuropsicológica pelo Hospital Albert Einstein | Sempre em busca constante aprimoramento em Saúde Mental.



