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dom, 19 jul 2026
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Investigação Flávio Bolsonaro Vorcaro: Deputados exigem apuração sobre repasse milionário para filme

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Nesta quarta-feira, 13 de março, deputados federais do PT, PSOL e PCdoB anunciaram a intenção de formalizar um requerimento à Receita Federal. Além disso, eles planejam solicitar a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar profundamente a relação entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato a presidente da República, e o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.

As ações parlamentares têm como base uma reportagem do site The Intercept Brasil, que revelou uma suposta negociação direta entre o senador e Vorcaro. Tal negociação envolveria um aporte financeiro milionário, destinado a custear a produção de um filme sobre a família Bolsonaro. Contudo, o contexto dessa relação torna-se ainda mais delicado, pois Vorcaro está preso, suspeito de liderar uma organização criminosa que praticava fraudes financeiras.

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Mensagens e documentos obtidos pelo veículo de comunicação indicam que Flávio Bolsonaro cobrava Vorcaro pelos pagamentos acordados. O valor mencionado nesta negociação seria de, aproximadamente, R$ 134 milhões, segundo informações divulgadas pelo Intercept. Este apoio do banqueiro seria fundamental para viabilizar a realização do filme, que estaria sendo produzido no exterior, com a participação de atores e equipe estrangeiros.

Em um dos áudios revelados, o senador Flávio Bolsonaro sublinha a importância do projeto cinematográfico e a urgência do envio dos recursos para quitar “parcelas para trás”. Ele expressa um certo constrangimento em fazer as cobranças, mas justifica a pressão. “Apesar de você ter dado a liberdade de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando. É porque está em um momento muito decisivo aqui do filme e, como tem muita parcela para trás, cara, está todo mundo tenso e fico preocupado com o efeito contrário com o que a gente sonhou para o filme”, relata o senador.

A reportagem do Intercept detalha, com base em áudios e mensagens de WhatsApp vazadas, além de documentos e comprovantes bancários, que parte do montante teria sido repassada entre fevereiro e maio de 2025. O suposto apoio financeiro envolveria transferências internacionais de uma empresa controlada por Vorcaro para um fundo nos Estados Unidos, gerenciado por Paulo Calixto, advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio.

Parlamentares Clamam por Rigor na Investigação

O líder do PT na Câmara, deputado federal Pedro Uczai (SC), questionou a legalidade da movimentação dos recursos, levantando dúvidas sobre a declaração e tributação junto à Receita Federal. “Esse recurso encaminhado lá nos EUA para o fundo que tem relação com o advogado de Eduardo Bolsonaro, passou pela Receita, teve cobrança tributária, foi declarado, é ilegal?”, indagou Uczai durante entrevista coletiva no Salão Verde da Câmara dos Deputados.

De acordo com o deputado Uczai, o requerimento com essas indagações será formalmente encaminhado à Receita Federal para apuração detalhada. Além disso, os parlamentares anunciaram a apresentação de uma denúncia à Polícia Federal (PF), visando a abertura de um inquérito para investigar possíveis crimes no envolvimento entre Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro. Pedro Uczai enfatizou que “Ninguém doa o valor de R$ 134 milhões se não tiver relação pessoal, política e até afetiva”.

As mensagens divulgadas pela reportagem mostram o senador tratando o banqueiro com grande familiaridade, chamando-o de “irmão” e proferindo frases de apoio como: “Estou e estarei contigo sempre”. Segundo o Intercept, essas conversas vazadas teriam ocorrido dias antes da primeira prisão de Vorcaro e da liquidação do Banco Master por decisão do Banco Central.

Acusações de Crimes e Valores Questionáveis

O líder da federação PSOL/Rede na Câmara, deputado federal Tarcísio Motta (RJ), fez sérias acusações, apontando indícios de diversos crimes na relação. “Lavagem de dinheiro, corrupção passiva, tráfico de influência e financiamento ilegal. Há indícios fortes desses quatro crimes, que precisam ser investigados, na relação entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro. Porque agora os nomes começam a se misturar”, declarou o deputado.

A atual líder da bancada do PCdoB, deputada Jandira Feghali (RJ), levantou questionamentos sobre o suposto valor de R$ 134 milhões, considerado excessivo para a produção de um filme. De forma irônica, ela comparou o orçamento do filme sobre Jair Bolsonaro com o de obras brasileiras premiadas, como “Ainda Estou Aqui”, orçado em R$ 50 milhões, e “Agente Secreto”, que custou R$ 28 milhões. Feghali indagou: “Qual é a biografia que tem o senhor Jair Bolsonaro para ter um filme de R$ 134 milhões? É importante que a gente também apure para onde de fato, foi esse dinheiro. Para o bolso de quem foi, nós precisamos saber”.

A Versão de Flávio Bolsonaro

Em nota oficial, Flávio Bolsonaro confirmou tanto o pedido de financiamento para o filme quanto sua relação com Daniel Vorcaro. Contudo, o senador ressaltou que se tratava de uma relação de cunho estritamente privado, sem o envolvimento de recursos públicos. “É preciso separar os inocentes dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet”, afirmou ele, defendendo a natureza particular da transação.

Flávio Bolsonaro esclareceu que conheceu Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, um período posterior ao término do governo Bolsonaro, e quando não existiam acusações ou suspeitas públicas sobre o banqueiro. Ele justificou que o contato foi retomado em virtude do atraso no pagamento das parcelas de patrocínio, reiterando a cronologia dos eventos para desassociar sua imagem de qualquer irregularidade ou vínculo com as acusações atuais contra Vorcaro.

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