Os Estados Unidos atacaram uma instalação nuclear em construção no Irã, na madrugada de segunda-feira, 20 de maio de 2024, intensificando a escalada de conflitos na região. Em resposta, o Irã realizou investidas contra bases militares americanas localizadas na Jordânia, Kuwait e Bahrein no último domingo, 19 de maio de 2024, e nas horas seguintes.
A Organização de Energia Atômica do Irã (AEOI) confirmou o ataque ao canteiro de obras da usina nuclear em Darkhoveyn, no sudoeste do país. Segundo a entidade, a ação ocorreu durante a madrugada, horário local iraniano, e configura um “ataque terrorista injustificável” contra um símbolo da autossuficiência científica iraniana.
Investigação internacional sobre o ataque
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), vinculada à ONU, informou que está investigando os relatos sobre o ataque ao canteiro de Darkhoveyn. A AIEA destacou que a instalação encontrava-se em estágios iniciais de construção e não continha material nuclear quando foi inspecionada pela última vez.
O diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, reiterou seu apelo por moderação militar nas proximidades de todos os locais relacionados a atividades nucleares, apesar de o incidente não apresentar risco radiológico iminente. Conforme o direito internacional, ataques a instalações nucleares pacíficas são proibidos, independentemente de estarem em operação ou não.
Em contrapartida, os Estados Unidos não se manifestaram especificamente sobre o incidente na usina nuclear. O Comando Central dos EUA (CENTCOM) no Oriente Médio, por outro lado, anunciou ter realizado sua oitava onda consecutiva de ataques contra o Irã na noite de domingo, 19 de maio de 2024, desde a retomada do conflito.
As forças do CENTCOM afirmaram ter atingido instalações iranianas de vigilância costeira, defesa aérea, capacidades marítimas e locais de armazenamento de mísseis e drones. O objetivo seria, portanto, degradar as capacidades militares do Irã, conforme comunicado oficial dos militares estadunidenses.
Irã responde com ataques a bases dos EUA
O Irã confirmou ter realizado ataques em retaliação a alvos militares americanos na região. No último domingo, 19 de maio de 2024, unidades de geração de energia e dessalinização de água no Kuwait foram atingidas pela segunda vez em dois dias. Além disso, foram registrados ataques contra bases militares dos EUA no Bahrein e na Jordânia durante o final de semana, resultando na morte de pelo menos dois militares americanos.
O Exército iraniano informou que o acampamento al-Adiri, no Kuwait, um centro de apoio logístico para as forças americanas, foi um dos alvos. Por sua vez, o governo da Jordânia notificou a interceptação de três de quatro mísseis iranianos que invadiram seu espaço aéreo no domingo, 19 de maio de 2024. O quarto míssil caiu em uma área desabitada no sul do país, sem causar vítimas ou danos materiais.
O Corpo da Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) também anunciou a interceptação de dois drones MQ-9 Reaper, e a Marinha do IRGC comunicou ter impedido a passagem de quatro embarcações no Estreito de Ormuz no mesmo dia.
Escalada da tensão e acusações mútuas
A guerra no Oriente Médio vivencia uma escalada nas últimas semanas, com acusações recíprocas de violações de um Memorando de Entendimento assinado entre os países. O Irã relata que 57 pessoas morreram durante as recentes ondas de ataques, acusando os EUA de atingir infraestrutura civil, incluindo hospitais, pontes e postos de monitoramento de tráfego marítimo.
Por outro lado, os Estados Unidos acusam o Irã de violar o acordo por meio de ataques contra navios comerciais no estratégico Estreito de Ormuz. Consequentemente, o trânsito no estreito, vital para o transporte global de petróleo, foi novamente fechado, intensificando as preocupações com a estabilidade regional.


