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dom, 19 jul 2026
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Lula taxa EUA: Presidente rebate argumento americano sobre práticas comerciais

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rebateu energicamente, nesta terça-feira (2), as recentes alegações do governo dos Estados Unidos de que o Brasil adota práticas comerciais “irrazoáveis” em sua relação bilateral. A declaração ocorreu durante a inauguração de um novo campus do Instituto Federal Goiano, em Catalão (GO), onde o mandatário defendeu que, na verdade, o histórico superávit comercial americano justificaria uma inversão de papéis nas tarifas, caso fossem necessárias.

Superávit Comercial e a Posição Brasileira

Lula destacou o considerável superávit acumulado pelos Estados Unidos na balança comercial com o Brasil nos últimos 15 anos, cifrado em US$ 415 bilhões. Consequentemente, o presidente brasileiro argumentou que seria o Brasil, e não os EUA, quem teria legitimidade para aplicar novas taxações ou tarifas sobre produtos importados. Esta perspectiva desafia diretamente a justificativa americana para as propostas tarifárias.

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Ademais, o presidente lembrou de um acordo anterior com o ex-presidente Donald Trump, no qual ambos concordaram em conceder um prazo de 30 dias para que as equipes de comércio de ambos os países chegassem a um consenso sobre as divergências comerciais. Contudo, apesar de três rodadas de conversas, a questão permanece sem solução até o momento, indicando a persistência do impasse.

Encontro na Casa Branca

O encontro a que Lula se referiu ocorreu no início de maio, quando o presidente brasileiro foi recebido na Casa Branca por Trump. Durante a reunião, que se estendeu por três horas, os líderes discutiram prioritariamente a relação comercial, o combate ao crime organizado internacional e a exploração de minerais estratégicos, com Lula apresentando documentos que comprovavam a situação comercial favorável aos EUA.

A 'Guerra da Verdade' contra as Acusações

Em um dia marcado por novas propostas americanas de tarifas contra produtos brasileiros, sob a alegação de deslealdade comercial, Lula reforçou que sua estratégia é a “guerra da verdade”. Ele comparou sua abordagem à ausência de “navios” ou “bombas atômicas”, afirmando que seu poder de combate reside na transparência e na exposição dos fatos, confrontando o que considera ser uma narrativa distorcida.

De fato, o governo estadunidense justificou suas recentes propostas tarifárias alegando que políticas e práticas brasileiras são “irrazoáveis”, e que elas “oneram ou restringem” significativamente o comércio norte-americano. Essa acusação serve como base para um relatório final de investigação que visa impor “tarifas ou outras restrições à importação de produtos brasileiros”, especificamente sugerindo uma tarifa de 25% sobre todos os bens do Brasil.

Repercussão e Críticas Internas

Aproveitando o palco em Catalão, Lula também abordou a repercussão interna de tarifas passadas, criticando veladamente a oposição. O presidente recordou o posicionamento de filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro quando Trump impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros anteriormente. Sem citar nomes explicitamente, ele mencionou uma postagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) que, à época, teria agradecido a Trump pelas medidas.

O senador Flávio Bolsonaro, posteriormente, utilizou suas redes sociais para esclarecer que seu pedido a Trump, durante um encontro na Casa Branca no final de maio, teria sido precisamente para evitar a taxação de produtos brasileiros. Contudo, a menção de Lula sugere um esforço para contrastar as reações políticas diante das pressões comerciais externas.

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