Brasil e Suriname começarão negociações, a partir do segundo semestre, para intensificar o acordo de comércio bilateral e fomentar novas oportunidades de negócios. Este movimento ocorreu após o encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente surinamesa, Jennifer Geerlings-Simons, realizado nesta quinta-feira (28), em Brasília. A iniciativa visa superar o volume comercial atualmente restrito e pouco diversificado entre as duas nações, estabelecendo uma parceria mais robusta.
Expansão do Comércio e Parceria Estratégica
O diálogo entre os dois chefes de Estado marcou um passo significativo na diplomacia regional, com a presidente Simons, a primeira mulher a liderar o Suriname, assumindo um papel central. Em sua declaração conjunta à imprensa, o presidente Lula enfatizou a necessidade urgente de expansão do intercâmbio. Ele destacou que o comércio atual, avaliado em apenas 55 milhões de dólares em 2025, é extremamente limitado e concentrado em poucos produtos.
Pequeno Fluxo Atual e Potencial de Crescimento
Atualmente, a balança comercial é predominantemente composta por exportações brasileiras, abrangendo maquinários, material elétrico, produtos químicos e commodities. O único acordo comercial vigente, por sua vez, é considerado restrito. Contudo, as novas negociações buscam não apenas ampliar as medidas de facilitação, mas também introduzir setores inéditos, impulsionando assim um crescimento mais robusto e diversificado entre as duas economias.
Diálogo Empresarial e Setores Chave
A delegação surinamesa, em sua estadia em Brasília, incluiu uma reunião empresarial crucial, reunindo representantes de entidades brasileiras e empresas do setor produtivo do Suriname. Este encontro focou em áreas estratégicas como energia, logística, transporte, agropecuária e comunicações. A perspectiva é que a interação direta entre empresários fomente parcerias concretas, além das discussões governamentais para fortalecer o acordo comercial Brasil-Suriname.
Potencial Energético e Mineral
Um dos pilares da aproximação bilateral reside no imenso potencial natural do Suriname, especialmente após recentes descobertas. Nos últimos anos, o país vizinho revelou gigantescas reservas de petróleo offshore na Bacia da Guiana, no Oceano Atlântico, fato que deverá transformar sua economia nos próximos anos. Ademais, essa riqueza natural posiciona o Suriname como um ator importante no cenário energético e mineral da região, atraindo o interesse brasileiro.
Petróleo e Minerais Críticos em Destaque
A Petrobras e a estatal surinamesa Staatsolie já estabeleceram acordos de intercâmbio em 2024, abrangendo petróleo, energias renováveis e segurança em exploração de hidrocarbonetos. Além disso, o presidente Lula sublinhou o potencial do Suriname em minerais críticos, semelhante ao Brasil. Ele ressaltou a oportunidade para cooperação em mineração sustentável, industrialização local e agregação de valor, distanciando-se de modelos baseados apenas na exportação de matérias-primas.
Segurança Alimentar e Programas Sociais
A segurança alimentar emerge como outra frente prioritária de cooperação entre Brasil e Suriname. O Brasil, um dos maiores produtores de alimentos do mundo, pode oferecer contribuições significativas para a nutrição dos surinameses. Assim, o fornecimento de carnes bovina, suína, de aves e outros gêneros alimentícios foi um tópico central nas discussões bilaterais, visando garantir a estabilidade alimentar do país vizinho.
Cooperação na Agricultura e Nutrição
A agenda da presidente Simons incluiu uma visita a uma unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário (Embrapa). Tal visita visa o intercâmbio de conhecimentos sobre agricultura familiar, segurança alimentar e sistemas agroflorestais sustentáveis, demonstrando um interesse prático em soluções brasileiras. Por sua vez, a líder surinamesa afirmou que “baixar os custos da comida e a segurança alimentar permanecem algo crítico”, vendo o Brasil como um parceiro confiável nessa missão.
Inspiração em Iniciativas Sociais
A presidente do Suriname também visitará um Centro de Referência de Assistência Social (Cras) e um empreendimento do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida. Essas visitas buscam inspiração para modelos que Simons pretende implementar em seu país. Consequentemente, a líder reforçou o compromisso mútuo em assegurar o bem-estar da população, o desenvolvimento regional e a integração democrática, alinhando as pautas sociais das duas nações.
Ampla Gama de Acordos Bilaterais
Ao final do encontro, os presidentes Lula e Simons oficializaram a assinatura de 13 acordos de cooperação em diversas áreas. Estes abrangem segurança cibernética, cooperação policial, combate ao tráfico de pessoas, saúde pública e manejo integrado do fogo. Incluem também segurança de barragens hidrelétricas e operações militares coordenadas na faixa de fronteira amazônica, evidenciando a amplitude da parceria estratégica. Os governos também discutiram, em complemento, medidas para ampliar as conexões.


