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dom, 19 jul 2026
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Dólar sobe R$ 5,06, bolsa cai em dia de tensão global e ruído político

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O dólar comercial encerrou esta sexta-feira (15) em R$ 5,067, registrando o maior nível em um mês, enquanto a bolsa brasileira apresentou queda expressiva em um pregão marcado por turbulências globais e ruídos políticos internos. Este movimento de aversão ao risco refletiu a intensificação da guerra no Oriente Médio, as crescentes pressões inflacionárias internacionais e o agravamento das incertezas no cenário político nacional, culminando em uma jornada de volatilidade para os investidores.

Mercado Financeiro Sob Pressão

A moeda estadunidense fechou o dia vendida a R$ 5,067, com uma alta significativa de R$ 0,081 (+1,63%) em relação ao fechamento anterior. Durante a sessão, a cotação chegou a atingir R$ 5,08 por volta das 13h, antes de uma leve desaceleração no fim da tarde. Consequentemente, o dólar acumulou uma valorização de 3,48% na semana.

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No entanto, no acumulado do ano, a divisa ainda apresenta uma queda de 7,70%. A cotação atual marca o maior patamar desde 8 de abril, quando o dólar havia encerrado o dia a R$ 5,10. Por outro lado, o mercado de ações também experimentou um dia turbulento, com o índice Ibovespa, da B3, fechando aos 177.284 pontos, uma retração de 0,61%.

O Ibovespa operou sob pressão durante todo o pregão, refletindo um ambiente externo mais defensivo e o aumento das preocupações fiscais e políticas no cenário doméstico. Embora o índice tenha chegado a cair mais de 1% durante a manhã, ele conseguiu reduzir parte das perdas ao longo do dia, sustentado principalmente pelas ações da Petrobras.

Fatores Globais Impulsionam a Alta do Dólar

A valorização do dólar e a aversão ao risco global decorreram de uma combinação de fatores internacionais e internos. No cenário internacional, investidores aumentaram suas apostas de que o Federal Reserve (Fed), o Banco Central estadunidense, poderá elevar os juros nos Estados Unidos diante da persistência da inflação global. Esta, por sua vez, é pressionada principalmente pela alta do petróleo e pelas tensões geopolíticas envolvendo Irã e Estados Unidos.

Influência do Japão e o Efeito Carry Trade

Este movimento ganhou ainda mais força após os juros dos títulos públicos do Japão dispararem durante a madrugada. Os papéis japoneses de dez anos atingiram o maior nível desde 1999, alcançando 2,37%, enquanto os títulos de 30 anos ultrapassaram os 4%. O avanço ocorreu depois que a inflação ao produtor no Japão acelerou para 4,9% em abril, indicando pressões inflacionárias crescentes na economia nipônica.

A perspectiva de alta dos juros pelo Banco do Japão levou investidores a desmontarem parte das operações conhecidas como carry trade. Nessas operações, recursos captados em países com juros baixos, como o Japão, são destinados a mercados com taxas mais elevadas, como o Brasil. Assim, com a reversão desse fluxo, houve um fortalecimento do dólar e uma consequente retirada de capital de economias emergentes.

Incertezas Domésticas Aumentam Cautela

No Brasil, o mercado também acompanhou os desdobramentos políticos envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro. Investidores avaliaram que o aumento das incertezas políticas ampliou a busca por proteção na moeda americana. Além disso, as revelações impactaram o desempenho da bolsa, elevando a cautela em relação aos ativos brasileiros.

Adicionalmente, nesta sexta-feira, o site Intercept Brasil divulgou uma nova reportagem detalhando as relações do deputado cassado Eduardo Bolsonaro com o Banco Master. Tais informações contribuem para a instabilidade percebida no cenário político nacional, o que naturalmente se reflete nos indicadores econômicos.

Disparada do Petróleo Amplifica Tensões

Os preços do petróleo subiram mais de 3% no mercado internacional, em um cenário de aumento das tensões no Oriente Médio e da falta de avanços nas negociações sobre o Estreito de Ormuz. Esta rota estratégica é responsável pelo transporte de aproximadamente 20% do petróleo mundial, o que a torna crucial para a oferta global da commodity.

O barril do Brent, referência para as negociações internacionais, fechou em alta de 3,35%, cotado a US$ 109,26, enquanto o barril WTI, do Texas, avançou 4,2%, encerrando a US$ 105,42. O mercado reagiu a declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicando que sua paciência com o Irã estaria se esgotando, e à resposta do chanceler iraniano, Abbas Araqchi, que afirmou não confiar nos americanos e negociar apenas com seriedade de Washington.

Em virtude desse prolongamento da crise no Golfo Pérsico, a preocupação com a inflação global permanece elevada, pressionando as taxas de juros e aumentando a volatilidade nos mercados financeiros em escala global.

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