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dom, 19 jul 2026
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Fim da Escala 6×1: Centrão Tenta Derrubar Transição de 60 Dias na Câmara

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Partidos do Centrão, que abrangem diversas coligações da direita tradicional, buscam derrubar a regra de transição de 60 dias para a implementação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa acabar com a escala de trabalho 6×1 e reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas no Brasil. A movimentação ocorreu na Comissão Especial da Câmara dos Deputados durante sessão desta quarta-feira (27), evidenciando um impasse sobre a celeridade da mudança. A iniciativa reflete o desejo de um prazo mais estendido para a adaptação das empresas às novas condições trabalhistas.

O Embate na Comissão

A sessão da Comissão Especial, encarregada de analisar a PEC, iniciou-se na manhã desta quarta-feira (27) com debates acalorados entre os parlamentares. Os membros da comissão ainda avaliam quatro destaques que buscam modificar o texto original apresentado pelo relator, deputado Leo Prates (Republicanos-BA). Dessa forma, a discussão centraliza-se nas condições e prazos para a aplicação das novas regras trabalhistas.

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O bloco partidário composto por União, PP, PSD, Republicanos, MDB, PSDB-Cidadania e Podemos, conhecido como Centrão, apresentou inicialmente quatro propostas de alteração. Contudo, após negociações para garantir o direito de fala a todos os mais de 30 deputados inscritos, um dos destaques foi retirado da pauta. Este consenso demonstrou a complexidade das negociações em torno de um tema de grande impacto social e econômico.

Dois dos destaques remanescentes, ambos de autoria do Centrão, propõem a exclusão da regra de transição de 60 dias. Esta regra, idealizada pelo relator, estabelece que o fim da escala 6×1 e a primeira fase da redução de jornada, de 44 para 42 horas, entrem em vigor dois meses após a promulgação da PEC. Portanto, a controvérsia reside na urgência dessa implementação.

A proposta do relator prevê que a redução total para 40 horas semanais ocorra apenas 14 meses após a publicação do texto no Diário Oficial. Entretanto, o Centrão e a oposição, com apoio de mais de 170 parlamentares, defendem uma transição mais longa, sugerindo um período de 10 anos. A supressão da regra de 60 dias é uma resposta direta à recusa de Leo Prates em acolher essa emenda.

Um destaque que havia sido retirado no início da sessão pedia a exclusão dos dois dias de repouso obrigatório semanal para regimes de trabalho diferenciados estabelecidos por lei. Se aprovado, tal destaque poderia ter limitado o alcance do fim da escala 6×1 em categorias específicas, abrindo brechas para legislações posteriores que permitissem exceções à regra geral.

Regras de Transição em Debate

Adicionalmente, um outro destaque, apresentado pelos partidos Psol e Rede, solicita a exclusão de um artigo que impõe uma regra de transição ainda maior para os trabalhadores terceirizados vinculados à administração pública. Conforme a redação atual, esses profissionais teriam um prazo de um ano, em vez dos 60 dias gerais, para a implementação das mudanças. Este ponto ressalta a preocupação com diferentes grupos de trabalhadores.

Na mesa da Comissão, também surgiram dois pedidos para retirar a PEC da pauta e outros dois para adiar a votação, todos apresentados pelo deputado Gilson Marques (Novo-SC). No entanto, esses pedidos de adiamento foram subsequentemente retirados após um acordo que visava assegurar o direito de fala a todos os parlamentares durante a sessão, indicando um esforço para prosseguir com os debates.

Detalhes da Proposta da PEC

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) em questão prevê, fundamentalmente, o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, garantindo dois dias de descanso e, crucialmente, sem qualquer redução salarial. Desse modo, a medida busca melhorar a qualidade de vida do trabalhador brasileiro, alinhando-se a tendências globais.

Pela redação atual da proposta, o fim da escala 6×1, que assegura ao menos duas folgas semanais preferencialmente aos domingos, entrará em vigor em 60 dias após a promulgação do texto. Posteriormente, a jornada será ajustada para 42 horas semanais. Em seguida, após 14 meses da promulgação da Emenda Constitucional, a redução final para 40 horas semanais será efetivada.

O relator, Leo Prates, ainda propõe uma modificação no Artigo 7º da Constituição Federal. Esta alteração determina que a duração do trabalho não deve exceder oito horas diárias e 40 horas semanais, facultando a compensação de horários e a redução da jornada por meio de acordo ou convenção coletiva de trabalho. Consequentemente, flexibilidade e negociação são elementos-chave.

A PEC também abre a possibilidade de o trabalhador manter a escala 6×1, desde que o segundo dia de folga obrigatória por semana seja compensado dentro do mesmo mês. Além disso, a legislação contempla restrições específicas para trabalhadores com salários iguais ou superiores a duas vezes e meia o teto do INSS, atualmente em R$ 21.188,87. Estes empregados estariam dispensados de cumprir a jornada prevista na proposta.

Para os terceirizados da Administração Pública, a PEC prevê uma regra de transição mais alongada, concedendo às empresas um prazo de 12 meses para eliminar a escala 6×1 e reduzir a jornada de trabalho de seus colaboradores. Tal distinção visa uma adaptação mais gradual para setores específicos, reconhecendo as complexidades envolvidas.

Contexto Político e Popular

A PEC, que defende o fim da escala 6×1 e a redução da jornada, conta com amplo apoio popular e é uma pauta prioritária para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Por outro lado, a medida enfrenta críticas contundentes da oposição, que expressa preocupações com os impactos econômicos e a rapidez das mudanças. Assim, o tema se torna um ponto de polarização política.

Em um episódio recente, a votação da proposta já havia sido adiada na sessão anterior, após um pedido de vista apresentado pelo deputado Maurício Macron (PL-RS). Este adiamento sublinha a intensidade do debate e a busca dos parlamentares por mais tempo para analisar e discutir as implicações da PEC antes de uma decisão final, refletindo a complexidade do projeto.

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