O indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF), Jorge Messias, atual Advogado-Geral da União, defendeu o aprimoramento institucional da corte e a prática da autocontenção em pautas sensíveis que dividem a sociedade. Sua manifestação ocorreu durante a sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, nesta quarta-feira, 29 de novembro, com o objetivo de fortalecer a relação entre a jurisdição e a democracia brasileira, mitigando pressões públicas e discursos autoritários.
Contudo, Messias enfatizou a necessidade premente de o STF se manter permanentemente aberto à autocrítica e ao aperfeiçoamento. Ele destacou que a percepção pública de que cortes supremas resistem a essa evolução tende a tensionar a relação fundamental entre o Judiciário e a nossa democracia, um pilar essencial do Estado de Direito.
O Papel da Autocontenção em Pautas Polêmicas
Além disso, o indicado sublinhou o conceito de autocontenção como um dever republicano inerente a todo Poder. Isso implica que, em uma República, todas as esferas de governo, incluindo o Judiciário, devem se sujeitar a regras e limitações. Essa fala ganha relevância em um momento em que o próprio STF discute a implementação de um código de ética para disciplinar as atividades de seus magistrados, evidenciando a pertinência do debate.
Portanto, Messias argumentou que as demandas da sociedade por maior transparência e prestação de contas não devem ser vistas como constrangimento, mas sim como oportunidades. Ele acrescentou que o aperfeiçoamento institucional do STF é capaz de neutralizar discursos autoritários que buscam enfraquecer o Judiciário, reforçando a legitimidade e a credibilidade da instituição frente à opinião pública.
O ex-Advogado-Geral da União reiterou que é dever do Supremo aprimorar-se com lucidez institucional para permanecer pujante e respeitado, como o Brasil dele necessita. A corte deve, assim, convencer a sociedade de que dispõe de ferramentas efetivas de transparência e controle, pois a democracia, em sua essência, começa pela ética e integridade dos seus juízes.
Processo de Sabatina e Expectativas para a Indicação
Jorge Messias, escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enfrenta uma etapa crucial para sua confirmação no Supremo Tribunal Federal. A sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado contou com a inscrição de 27 senadores interessados em fazer perguntas ao indicado, demonstrando o escrutínio rigoroso do processo democrático.
Relevância da Indicação e Perfil do Candidato
Nesse sentido, para ser aprovado e assumir a vaga deixada pela aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso, Messias precisa obter o voto favorável de 41 dos 81 senadores em plenário. Sua experiência como Advogado-Geral da União confere-lhe uma perspectiva única sobre a interação entre os Poderes, que pode ser valiosa no STF. Declarando-se evangélico, ele ainda defendeu com veemência o Estado laico, ressaltando a importância da separação entre fé e decisões jurídicas para a imparcialidade da mais alta corte do país.
Consequentemente, a defesa de Messias pelo aprimoramento e pela autocontenção do Supremo reflete a percepção de que a força da instituição deriva de sua capacidade de autorreflexão e adaptação. Ao enfatizar a interconexão entre a democracia brasileira e a ética de seus juízes, ele projeta uma visão de uma corte que se constrói sobre pilares de lucidez institucional e responsabilidade, essenciais para a confiança pública e o funcionamento do Estado de Direito.


