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seg, 20 jul 2026
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Operação Contaminatio prefeituras: Polícia de SP desarticula esquema de lavagem de dinheiro

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A Polícia Civil de São Paulo deflagrou nesta segunda-feira (27) a Operação Contaminatio, visando desarticular uma sofisticada organização criminosa que se infiltrou em prefeituras paulistas e de outros estados. O objetivo central era lavar dinheiro oriundo, principalmente, do tráfico de drogas e outras atividades ilícitas. A ação resultou na prisão de seis indivíduos e no cumprimento de 22 mandados de busca e apreensão em diversas localidades, evidenciando a amplitude do esquema.

Além disso, a Justiça determinou o bloqueio de mais de R$ 513 milhões em bens e ativos ligados aos investigados, sublinhando a dimensão do poder econômico do grupo. A operação, coordenada pela Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Mogi das Cruzes, representa um passo significativo no combate à corrupção e à lavagem de dinheiro no país.

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Abrangência e Estrutura do Esquema Criminiso

As diligências da Operação Contaminatio foram executadas simultaneamente em múltiplas cidades. Em São Paulo, a ação ocorreu na capital, Guarulhos, Santo André, Mairinque, Campinas, Ribeirão Preto e Santos. Contudo, a rede criminosa extrapolava as fronteiras paulistas, com mandados também cumpridos em Goiânia e Aparecida de Goiânia (GO), Brasília (DF) e Londrina (PR), demonstrando a capilaridade da organização.

As investigações revelaram que a organização desenvolveu um complexo sistema de movimentação financeira ilícita. O grupo criminoso, portanto, não se limitava ao tráfico de drogas, mas expandiu suas atividades para criar um verdadeiro “núcleo político”. Consequentemente, eles buscavam acessar recursos públicos e ampliar sua atuação por meio da influência em eleições, apoiando ou financiando candidaturas alinhadas aos seus interesses.

Infiltração em Cargos Públicos e Uso de Fintech

Nesse contexto de infiltração, foi identificada a participação de indivíduos ligados a administrações municipais. Entre eles, ao menos uma servidora comissionada mantinha relacionamento com um integrante de alto escalão da organização criminosa. É relevante notar que, apesar da abrangência e da seriedade das acusações, nenhum dos alvos possui foro por prerrogativa de função ou exerce mandato eletivo.

Adicionalmente, um aspecto inovador que chamou a atenção dos investigadores foi a tentativa de inserção de uma fintech criada pelos próprios criminosos para operar serviços financeiros de prefeituras. Essa estrutura, por conseguinte, permitiria a emissão de boletos e a gestão de receitas municipais, possibilitando a “limpeza” de dinheiro oriundo do crime dentro de operações oficiais. Assim, o fluxo financeiro público seria cooptado para dar aparência de legalidade aos recursos ilícitos.

Origem das Investigações e Declarações Oficiais

A Operação Contaminatio surge como desdobramento da Operação Decurio, realizada em agosto de 2024. Na ocasião, a apreensão de dispositivos eletrônicos forneceu pistas cruciais sobre o intrincado sistema de lavagem de dinheiro. A partir da análise desses dados e de informações de inteligência financeira, os policiais conseguiram traçar a atuação do grupo, que ia muito além do tráfico de entorpecentes.

O delegado Fabrício Intelizano, responsável pela investigação, enfatizou a complexidade do esquema. “O que se apurou foi uma estrutura sofisticada, que buscava não apenas lucrar com atividades ilícitas, mas também se infiltrar em esferas do poder público para potencializar esses ganhos e dar aparência de legalidade aos recursos”, afirmou. Portanto, a operação ressalta a constante vigilância das forças de segurança contra a criminalidade organizada que tenta corroer as instituições democráticas.

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