A Polícia Civil de São Paulo deflagrou nesta terça-feira a segunda fase da Operação Hipócrates, culminando na prisão de um homem e na identificação de outro, atualmente foragido no Chile. Ambos são acusados de atuar como falsos médicos em um hospital privado na capital paulista. As investigações, iniciadas após denúncias recebidas pelo Disque-Denúncia, revelam que os suspeitos realizaram aproximadamente dois mil atendimentos irregulares ao longo de dois anos, com nove mortes supostamente associadas a falhas nos procedimentos.
Detalhes da Operação e Prisões
Durante a ação policial, as equipes apreenderam celulares, um notebook, diversos medicamentos e equipamentos médicos que os envolvidos utilizavam. Além disso, um dos homens que se passava por profissional da saúde, embora identificado, conseguiu fugir para outro país. As autoridades já iniciaram os contatos com as competentes para viabilizar sua punição e extradição, demonstrando o compromisso com a elucidação completa do caso.
O secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, informou em coletiva de imprensa sobre uma tentativa de prisão em 16 de dezembro. Naquela ocasião, as equipes do 22° Distrito Policial, localizado em São Miguel Paulista, foram impedidas de agir pela própria direção do hospital. Contudo, o suspeito, ciente de ser alvo, evadiu-se para o Chile, mas o processo de cooperação internacional já está em andamento.
Extensão do Esquema Criminiso e Vítimas
As apurações subsequentes identificaram mais um falso médico, totalizando dois envolvidos principais. Ao longo de dois anos, eles teriam realizado cerca de dois mil atendimentos ilegais em uma unidade de saúde privada situada na zona leste da capital. Além disso, a investigação aponta para a triste constatação de que nove pacientes faleceram em decorrência de supostos erros e falhas graves nos atendimentos prestados por esses indivíduos.
Investigações em Andamento
O delegado titular do 22° DP, Mariano de Araújo, salientou que as investigações prosseguem ativamente. A lista de possíveis vítimas atendidas pelos suspeitos pode ser ainda mais extensa, indicando a profundidade do esquema. Adicionalmente, registros evidenciam que um dos envolvidos também atuou no atendimento emergencial de outro hospital, ampliando o escopo da fraude e o risco à saúde pública.
Ainda conforme o delegado, o homem detido nesta terça-feira continuava prestando atendimento por telemedicina, uma prática que exige registro e habilitação médica. Durante as diligências policiais, ele foi flagrado recebendo uma cliente na rua, nas proximidades do apartamento, para aplicar uma medicação, o que reforça a audácia e a persistência em suas atividades ilícitas. Em suma, o delegado-geral da Polícia Civil, Artur Dian, elogiou o “excelente trabalho” que começou no ano passado, enfatizando a crucial importância do Disque-Denúncia para o sucesso da operação.


