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dom, 19 jul 2026
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Novo Tratamento Unicamp Câncer de Pele: Esperança para Pacientes

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A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) alcançou um marco significativo no combate ao câncer de pele não melanoma, o tipo de maior incidência no Brasil, ao desenvolver e testar um novo tratamento. Este avanço, que já se encontra em fase de avaliação clínica em humanos, oferece esperança para reduzir lesões e mitigar as sequelas estéticas e psicológicas causadas por cirurgias. A pesquisa surge de uma colaboração entre especialistas do Laboratório de Pesquisas em Química Bioinorgânica e Medicinal (LQBM) e o Serviço de Oncologia Clínica do Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp.

Impacto do Câncer de Pele e Desafios Atuais

Embora não seja o mais letal, o câncer de pele não melanoma atinge regiões expostas ao sol, como o rosto, orelhas e pescoço, frequentemente exigindo remoção cirúrgica. Consequentemente, este procedimento, conhecido como ressecção cirúrgica, pode deixar cicatrizes significativas ou resultar em mutilações, impondo uma pressão social e psicológica considerável aos pacientes. Reconhecendo este cenário, a comunidade médica busca ativamente alternativas menos invasivas e mais eficazes.

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O carcinoma de células escamosas cutâneo (CCEC), o segundo câncer humano mais prevalente globalmente, origina-se das células da epiderme, a camada externa da pele. Sua incidência está fortemente ligada à exposição aos raios UV. Pacientes com CCEC avançado frequentemente não são elegíveis para cirurgias curativas ou radioterapia, visto que tais tratamentos podem resultar em desfiguração e problemas funcionais. Nesses casos, a quimioterapia com cisplatina é uma opção, contudo, seus benefícios clínicos são modestos e a toxicidade, potencialmente grave.

A Inovação do Novo Tratamento Unicamp Câncer de Pele

Com o objetivo de encontrar uma solução alternativa, o químico Pedro Paulo Corbi, coordenador do LQBM, e a médica oncologista Carmen Silvia Passos Lima, do HC e do Laboratório de Genética do Câncer (Lageca), uniram esforços. Por mais de uma década, Corbi dedicou-se ao desenvolvimento de uma molécula, que, em parceria com a farmacêutica Gisele Goulart, revelou-se altamente promissora no tratamento dessa enfermidade.

O Composto AgNMS: Prata e Anti-inflamatório

A pesquisa culminou na descoberta de um composto inovador, o AgNMS, resultante da combinação de um complexo de prata com o anti-inflamatório nimesulida. A prata, historicamente utilizada em tratamentos medicinais desde a Antiguidade, possui atividade antibacteriana reconhecida, e mais recentemente, a literatura mostrou seu potencial para inibir células cancerígenas em estudos in vitro.

Originalmente, a meta era apenas diminuir o tamanho da lesão, facilitando a cirurgia e minimizando as sequelas para os pacientes. Contudo, os primeiros testes e a evolução da pesquisa indicam um potencial ainda maior. A equipe, que incluiu a farmacêutica doutoranda Tuany Zambroti Candido, sob supervisão de Carmen Lima, Ana Lucia Tasca Góis Ruiz e João Ernesto de Carvalho, avançou os estudos em laboratórios da Unicamp.

Resultados Promissores e Próximos Passos

O AgNMS foi submetido a rigorosos experimentos in vitro, testado contra diversas linhagens de câncer, incluindo o CCE, e também em células de pele saudáveis. Os resultados indicaram que o composto inibiu eficazmente a proliferação das células de CCE, mas não afetou as células saudáveis. Este achado demonstra uma notável seletividade de ação, crucial para um tratamento com menos efeitos colaterais e maior segurança para o paciente.

Posteriormente, foram realizados experimentos in vivo em camundongos com CCEC, onde a molécula foi aplicada utilizando uma membrana de celulose bacteriana e um adesivo, desenvolvidos por Wilton Rogerio Lustri e Silmara Cristina Lazarini Frajácomo, pesquisadores da Universidade de Araraquara (Uniara). Nesses estudos, o AgNMS demonstrou capacidade de reduzir os tumores ou até mesmo causar seu desaparecimento, sem apresentar efeitos tóxicos para os animais.

Avanço para Testes em Humanos

Atualmente, o novo tratamento Unicamp câncer de pele está em avaliação na fase clínica, com experimentos em humanos que abrangem as fases I e II. Este passo representa um avanço significativo, aproximando a pesquisa de uma aplicação prática na medicina. Os pesquisadores principais, Pedro Paulo Corbi e Carmen Silvia Passos Lima, expressam otimismo em relação ao futuro do experimento.

Inicialmente, a expectativa era apenas reduzir o tumor para facilitar a cirurgia e diminuir as sequelas. Contudo, os resultados preliminares são tão encorajadores que a perspectiva atual contempla a possibilidade de remissão total da doença. Esta visão redefine os objetivos iniciais e posiciona o AgNMS como uma alternativa potencialmente transformadora no tratamento do câncer de pele não melanoma.

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