A sétima edição da vivência arteterapêutica “Mulheres de Fibra”, com o tema “Museu de Nós”, reuniu mulheres com fibromialgia nesta quinta-feira, 11 de junho de 2026, na sede da Subsecretaria de Acessibilidade e Inclusão, localizada no Macedo, em Guarulhos. O encontro promoveu discussões profundas sobre o luto, as transformações e as mudanças de rumo que a vida frequentemente impõe, proporcionando um espaço vital de acolhimento e a formação de uma rede de apoio essencial para as participantes.
Acolhimento e o Poder da Arteterapia
Durante a atividade, as mulheres foram guiadas por técnicas de relaxamento corporal e arteterapia, utilizando música instrumental suave e mantendo os olhos fechados para introspecção. Conforme avançavam na vivência, cada participante recebeu um cartão com um desenho de espaço, incluindo astros e foguetes, coberto por tinta preta. Posteriormente, elas rasparam a tinta para simbolizar os sentimentos vivenciados em situações de perdas e mudanças significativas.
Esta abordagem terapêutica facilita a expressão de emoções complexas, muitas vezes difíceis de verbalizar, especialmente para quem lida com uma condição crônica como a fibromialgia. Além disso, a arteterapia oferece um caminho para processar o luto pelas perdas funcionais e as transformações na qualidade de vida, promovendo o bem-estar psicológico e a resiliência emocional em um ambiente seguro e compreensivo.
Vozes da Vivência: Relatos de Superação
Maria Aparecida Caetano de Oliveira, dona de casa de 46 anos e moradora do Jardim Nova Cidade, na região dos Pimentas, teve o diagnóstico de fibromialgia há dois anos. Ela participou pela primeira vez da atividade, após ser indicada pela psicóloga da UBS de seu bairro, expressando o quão fundamental é este espaço para falar abertamente dos problemas e extravasar emoções, evitando a acumulação de sentimentos reprimidos.
Contudo, Maria Aparecida não está sozinha em sua percepção; ouvir outras mulheres com experiências similares faz com que as participantes se sintam compreendidas e fortalecidas. Similarmente, Samanta Gomes, coordenadora pedagógica da rede estadual de ensino, de 46 anos, frequenta o projeto “Mulheres de Fibra” assiduamente. Para ela, o projeto proporciona um senso de bem-estar devido à reflexão e à enriquecedora troca de experiências que ocorrem nos encontros.
Fibromialgia e o Amparo Legal no Brasil
A fibromialgia é uma síndrome crônica caracterizada por dor musculoesquelética generalizada, fadiga, distúrbios do sono e problemas cognitivos, afetando milhões de pessoas globalmente e impactando significativamente a qualidade de vida. Portanto, o reconhecimento oficial dessa condição é crucial para garantir direitos e suporte adequado. No Brasil, essa condição tem recebido crescente atenção legislativa.
Nesse sentido, a lei federal nº 15.176/2025 considera a fibromialgia uma deficiência, conferindo às pessoas acometidas por ela os mesmos direitos e proteções garantidos a outras pessoas com deficiência. Esta legislação representa um avanço significativo, pois assegura acesso a serviços especializados, inclusão social e respeito à dignidade, auxiliando na mitigação dos desafios diários enfrentados por essas mulheres.
A Continuidade do Apoio em Guarulhos
A Subsecretaria de Acessibilidade e Inclusão, que integra a Secretaria de Direitos Humanos de Guarulhos, realiza essas ações mensalmente, reforçando seu compromisso com a população. Dessa forma, busca-se oferecer um suporte contínuo e estruturado, que vai além do acolhimento imediato, englobando a troca de informações sobre direitos e a consolidação de uma robusta rede de apoio mútuo entre as mulheres.
A continuidade de iniciativas como a “Vivência para Mulheres com Fibromialgia” é fundamental para a saúde pública e o bem-estar social, especialmente em grandes centros urbanos como Guarulhos, onde o acesso a serviços especializados pode ser desafiador. Além disso, esses encontros servem como um lembrete poderoso de que ninguém precisa enfrentar as complexidades da fibromialgia sozinha, promovendo esperança e solidariedade.


