17.6 C
Guarulhos
sex, 05 jun 2026
- PUBLICIDADE -

Mangue-maçã no Litoral de SP: Fundação Florestal Intensifica Combate à Espécie Invasora

PUBLICIDADE

A Fundação Florestal de São Paulo está intensificando suas operações para remover e conter o avanço do mangue-maçã (Sonneratia apetala), uma espécie invasora detectada em manguezais do litoral paulista, notadamente em Cubatão. As ações, que já resultaram na supressão de mais de 700 árvores, visam proteger os ecossistemas nativos da região, que sofrem com a competição por recursos e a alteração estrutural causada pela planta exótica.

A Ameaça do Mangue-maçã nos Ecossistemas Paulistas

Originário da região Indo-Malaia, na Ásia, o mangue-maçã não pertence à flora brasileira e foi registrado pela primeira vez no país em 2022, marcando sua estreia na América do Sul. A introdução da espécie é fortemente associada à água de lastro de navios, especialmente devido à proximidade com grandes complexos portuários, como o Porto de Santos, um ponto crucial para o comércio internacional.

PUBLICIDADE

Atualmente, a invasão do mangue-maçã já abrange uma área estimada em mais de 300 hectares no litoral paulista, com centenas de árvores adultas e em desenvolvimento. Este avanço é continuamente monitorado por uma parceria estratégica entre a Fundação Florestal e o Ibama, que colaboram no mapeamento detalhado e na quantificação precisa da espécie, visando uma resposta eficaz.

Impactos Ecológicos e Econômicos

O mangue-maçã apresenta um alto potencial invasor devido ao seu crescimento acelerado, maior porte em comparação às espécies nativas e uma elevada produção de sementes. Esta combinação de fatores permite que a planta ocupe rapidamente áreas de mangue nativo, substituindo a vegetação original, sobretudo em regiões que já possuem histórico de degradação, como o caso de Cubatão.

Tal processo altera profundamente a estrutura do ecossistema, podendo causar impactos irreversíveis e comprometer funções essenciais dos manguezais, como abrigo e reprodução de diversas espécies marinhas. Além disso, a presença massiva do mangue-maçã pode afetar negativamente a fauna local e impactar atividades econômicas vitais para as comunidades costeiras, como a pesca artesanal, gerando prejuízos sociais e econômicos.

Estratégias de Combate e Perspectivas de Erradicação

Segundo Rodrigo Levkovicz, diretor executivo da Fundação Florestal, órgão vinculado à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil), a erradicação do mangue-maçã ainda é plenamente viável. Contudo, essa empreitada exige uma resposta rápida, coordenação técnica especializada e, sobretudo, a continuidade dos esforços para proteger integralmente a saúde dos manguezais paulistas.

Laís Zayas, responsável pelo setor de manguezais da Fundação Florestal, enfatiza a urgência da situação. “O momento é decisivo. Ainda estamos em uma fase em que a erradicação é possível, mas isso exige atuação rápida e contínua”, afirma. Sem uma intervenção adequada e imediata, o mangue-maçã pode se tornar inerradicável em poucos anos, demandando um controle permanente, que seria mais oneroso e complexo, com impactos ambientais de difícil reversão.

Ações de Supressão e Investimento Futuro

Para fortalecer sua capacidade de resposta, a Fundação Florestal intensificou as ações de supressão, que incluem o mapeamento detalhado das áreas afetadas e a atuação direta de equipes em campo. Adicionalmente, está previsto um investimento significativo de aproximadamente R$ 1 milhão para 2026, com o objetivo de contratar serviços especializados e expandir ainda mais as iniciativas de manejo e monitoramento da espécie invasora.

As operações de campo seguem a estratégia internacional de Detecção Precoce e Resposta Rápida (DPRR). Elas abrangem o corte das árvores adultas, o recobrimento cuidadoso dos tocos com sedimento retirado do próprio manguezal e a remoção manual de mudas e frutos, evitando completamente o uso de produtos químicos e, assim, garantindo a conservação integral do ambiente natural.

Tecnologia e Colaboração Científica no Monitoramento

Além das operações físicas em campo, a Fundação Florestal está investindo em tecnologia de ponta para otimizar a eficiência do combate. O monitoramento será ampliado com o uso de drones e sensoriamento remoto, ferramentas que permitirão identificar novos focos de invasão com maior precisão e rapidez, qualificando a resposta em áreas de difícil acesso.

Essa atuação estratégica conta com a parceria fundamental de diversos órgãos ambientais, incluindo o Ibama, e de instituições de pesquisa de renome, como a Esalq-USP. Essas colaborações são cruciais para o apoio na identificação da espécie por imagem e no monitoramento das áreas afetadas, fortalecendo a integração entre a ciência e a gestão pública, o que é essencial para a detecção precoce em outras regiões do vasto litoral paulista.

PUBLICIDADE

VEJA TAMBÉM

REDES SOCIAIS

30,908FãsCurtir
10,600SeguidoresSeguir
5,417SeguidoresSeguir
3,070InscritosInscrever
PUBLICIDADE

ÚLTIMAS NOTÍCIAS