Os ataques a ônibus estão viralizando em São Paulo. Com os 179 da Capital sobe para 350 o número de veículos vandalizados no Estado (com direito uma passageira com ferimento no rosto). A Polícia Militar prendeu na manhã de sábado (29) um homem de 27 anos suspeito de atacar pelo menos três ônibus. Ele portava pedras e barra de ferro em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. De acordo com a Secretaria da Segurança Pública, o suspeito foi detido em flagrante na avenida Senador Vergueiro. A prisão ocorreu durante a série de ataques que já atingiu mais de 125 veículos em nove dias apenas na capital paulista.
Prisão em flagrante durante série de ataques a ônibus
O suspeito foi capturado quando ainda estava em ação na região central de São Bernardo do Campo. Segundo motoristas que presenciaram os ataques, ele teria danificado um ônibus na avenida Kennedy e outros dois na Senador Vergueiro. Mais ainda: ele depredou pontos de ônibus próximos.
Durante a abordagem, os policiais notaram que o homem apresentava comportamento alterado, com falas desconexas e ferimentos no rosto. Ademais, ele mostrou resistência à prisão, sendo necessário o uso de algemas antes do encaminhamento ao Hospital de Urgências do município.
Passageira ferida por estilhaços de vidro
A escalada de violência contra o transporte público tem causado ferimentos em passageiros inocentes. Recentemente, uma mulher de 31 anos foi atingida por estilhaços de vidro quando um ônibus foi apedrejado. O fato ocorreu na avenida Washington Luis, no Campo Belo, zona sul de São Paulo.
O ataque aconteceu por volta das 21h45, quando a passageira estava no primeiro banco do lado direito mexendo no celular. Posteriormente, câmeras de segurança do veículo registraram o momento exato em que o vidro explodiu sobre ela. O evento causou ferimentos que demandaram atendimento médico na UPA Vila Santa Catarina.
Confira o vídeo do momento do ataque:
Investigação sobre ataques a ônibus centralizada no DEIC
A gravidade da situação fez com que o governo Tarcísio de Freitas colocasse o DEIC (Departamento Estadual de Investigações Criminais) na linha de frente das apurações. Anteriormente, cada ocorrência seguia para as delegacias de bairro, dificultando a identificação de padrões nos ataques.
Dados mais recentes revelam que o número de ataques cresceu exponencialmente. De acordo com informações da SPTrans e da Secretaria de Transportes da capital paulista, divulgadas pelo Diário do Transporte, já são 179 ônibus vandalizados entre os dias 12 e 30 de junho apenas na cidade de São Paulo. Considerando toda a Grande São Paulo, incluindo ônibus metropolitanos e municipais de cidades vizinhas, o número se aproxima de 350 casos neste mês.
Possível motivação em redes sociais

Motoristas ouvidos durante as investigações sugerem que os ataques podem estar sendo motivados por desafios em grupos de redes sociais. Entretanto, não há confirmação oficial sobre essa hipótese, e as autoridades continuam investigando as verdadeiras causas dos ataques coordenados.
O presidente em exercício do sindicato dos motoristas de São Paulo, Valdemir dos Santos Soares, encaminhou um ofício na terça-feira (24) ao secretário da Segurança Pública Guilherme Derrite. Nele, a saber, Soares solicita reunião presencial para discutir medidas de proteção aos profissionais.
Histórico de ataques semelhantes
Este não é o primeiro caso de ataques coordenados contra ônibus na Grande São Paulo. Em agosto de 2018, uma situação similar resultou em 34 veículos atingidos em três dias por bolas de gude e pedras. Porém, o caso foi restrito ao bairro Cidade Tiradentes e direcionado a uma viação específica.
Atualmente, os ataques acontecem de forma mais dispersa geograficamente, atingindo diferentes empresas e regiões. Por isso, a investigação se tornou mais complexa, exigindo coordenação entre diferentes distritos policiais e municípios.
Registro do caso e próximos passos
O caso foi registrado no 2º Distrito Policial de São Bernardo do Campo como atentado contra a segurança de outro meio de transporte, dano e resistência. Ou seja, a Secretaria da Segurança Pública não confirmou se há relação direta entre essa prisão e a série de ataques investigados pelo DEIC.
O prefeito Ricardo Nunes afirmou na manhã desta segunda-feira (30) que os casos ainda são um mistério, mas espera que a Polícia Civil apresente respostas nos próximos dias. Sendo assim, a SPTrans comunicou que as empresas operadoras encaminham veículos danificados para manutenção imediata obrigatoriamente, substituindo-os pela reserva técnica para garantir continuidade do serviço.
Somente no último final de semana, a região do ABC registrou 17 ônibus vandalizados, sendo 13 em circunstâncias similares aos casos investigados pelo DEIC. Em suma, o padrão coordenado dos ataques reforça a hipótese de organização através de redes sociais.


