“Nossa, mais que criança mal educada, a sua mãe não te dá educação não?” – Pronto, e mais uma vez a culpa é da mãe.
Acredito que você já deve ter ouvido essa expressão ou algo parecido, afinal nós vivemos e compartilhamos de uma sociedade com um pensamento enraizado que a mãe é a culpada por tudo aquilo relacionado aos seus filhos (ênfase nas coisas negativas), porque para as positivas, o merecimento do elogio se divide entre os envolvidos, como escola, pai, avós, tios etc.
Quando nasce uma mãe nasce junto a culpa materna? Entendo que não, infelizmente essa culpa é alimentada historicamente a algum tempo em nossa sociedade, onde a mãe é definida como a maior responsável pelos seus filhos, e diante disso podemos ressaltar uma exigência dessas mães em relação a entrega delas a esses filhos, vida conjugal, vida corporativa e social, para atender uma expectativa externa, podendo causar danos emocionais e psicológicos em si mesma, como por exemplo, exaustão materna. Essa mãe, que antes foi uma criança, uma menina, aprendeu vendo as outras mães ao seu redor se culpando ou sendo culpadas. A culpa não veio da genética é cultural. A sociedade prega essa responsabilidade na mulher
Podemos perceber a “culpa materna” desde a gestação, quando aquela mãe se culpa por ter bebido uma taça de vinho antes de descobrir que estava grávida e se atormenta dizendo que seu filho nascerá com alguma anomalia por sua causa. Essa culpa vai percorrendo as etapas da maternidade, no parto por exemplo, quando se culpa quando o parto não acontece como idealizou, e então quando o bebê nasce, surge a culpa por enfrentar desafios por inúmeras questões singulares e não poder amamentar, a culpa sobre precisar deixar o filho na creche para retornar ao trabalho, a culpa por querer retornar sua vida corporativa, a culpa pela seletividade alimentar do filho, a culpa por sentir saudades de sair com amigas sem tempo para voltar, a culpa pelo seu filho apresentar alguma limitação física ou intelectual, a culpa por algum quadro de doença do filho, a culpa pelo insucesso do filho em algum projeto familiar ou não. Entre tantas e tantas culpas que acometem essa mãe diariamente.
É importante compreender que podemos errar, mas precisamos nos perdoar. Nossos filhos aprendem conosco, que erramos, tentamos e aprendemos. A culpa por vezes é necessária para nos voltarmos a si mesmas e compreendermos se aquela ação condiz com o que quero e acredito sobre mim. Mas quando aquele sentimento de culpa te coloca em um lugar inferior, isso fala sobre você ou sobre uma expectativa que está buscando atender diante de possíveis comparações e exigências com base em maternidades midiáticas e irreais?
Cada mãe é única, cada maternidade é única, e cada filho é único, cada família tem sua dinâmica e realidade. Não busque respostas em outras mães, olhe para si mesma, acolha sua realidade, observe suas prioridades e seu cenário. Trocar informações com outras mães, é importante, contato que não busque algum padrão a seguir.
Que tipo de mãe eu sou?
Você é a melhor mãe possível que seus filhos poderiam ter. Você é suficiente.



