
Já sabemos todas as mudanças biopsicossociais que uma mulher passa depois de se tornar gestante e no pós parto – puerpério. Alteração de rotina e prioridades, além da pressão social sobre o seu comportamento diante desse novo papel. Mesmo que a gestação tenha sido planejada e/ou desejada, essa mulher se vê com o estigma social que a gestação/maternidade tem, a “perda”, perda de identidade como mulher, perda das roupas, das escolhas sobre seu corpo ou do que ingere para dentro dele, entre tantas outras.
Por muitos acreditarem que a depressão aconteça somente pós o parto, o tema da depressão durante a gestação é pouco abordado, porém, de acordo com estudos, mulheres que apresentam sintomas como, mudanças extremas de humor que podem afetar o trabalho e prejudicar relacionamentos no período anterior a menstruação, considerado o Transtorno Disfórico Pré Menstrual, além de, gestantes adolescentes, mulheres em relacionamentos abusivos ou que apresentaram quadro depressivos anterior a gestação e não foram submetidas a um acompanhamento correto, tem maior probabilidade de apresentar casos de depressão durante a gestação.
Após o parto é comum que as mulheres apresentem uma tristeza maior, sentimento de solidão, dúvidas sobre sua capacidade em relação aos cuidados do bebê, entre outros, isso acontece por resultado, da queda brusca hormonal que tem, mas, se os sintomas prevalecem por mais de duas semanas com agravantes de: perda de interesse e prazer por atividades que gostava de realizar, presença de humor deprimido frequente, alterações de sono e apetite, fadiga, muito agitada ou claramente mais vagarosa em seus movimentos, dificuldades para de concentrar, desatenção pelos cuidados do bebê, pensamentos de morte ou idealização suicida, entre outros, podemos estar diante de um quadro de depressão pós parto.
A depressão pós parto acomete de 10% á 20% de mulheres nos primeiros seis meses pós o nascimento do bebê e podemos ainda considerar o diagnóstico, sobre mulheres que apresentarem sintomas até um ano após o nascimento do bebê. Entre 6% e 13% de mulheres diagnosticadas com depressão gestacional ou pós parto, se não tratadas podem permanecer com quadro crítico até pelo menos um ano, impactando no desenvolvimento de vínculo mãe/bebê, essencial para o desenvolvimento físico e emocional do mesmo.
Importante essa gestante ter um amparo emocional e profissional, lembrando que, a depressão pode ser enquadrada como: grau leve, moderado ou grave, e caso essa mulher não tenha o acolhimento necessário sobre a demanda que apresenta, o impacto no desenvolvimento do bebê que está em formação será imediato, podendo causar um nascimento prematuro e baixo peso, além de problemáticas significativas emocionais para essa mãe.
Portanto, ter maior atenção sobre si mesma e suas necessidades emocionais fará a diferença, mas encontrar apoio e espaço para falar sobre a desorganização do que sente é essencial para um bem gestar é um bem nascer, em prol de uma saúde mental materna adequada, resultando em uma doação de afeto e entrega satisfatória para contribuição desse novo SER.

Daniele Barros é Mãe | Psicóloga Clínica | Graduada em Gestão de Pessoas | Pós graduada em Marketing pela Business School São Paulo | Psicologia Analítica Junguiana pela Sociedade Brasileira de Psicanálise Integrativa | Formação em Psicologia Perinatal e da Parentalidade pelo Instituto Mater Online | Sempre em busca de constante aprimorame nto em Saúde Mental


