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qui, 04 jun 2026
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Coluna Aberta: Epigenética e sua influência na gestação

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A epigenética é um tema relativamente novo, mas já encontramos estudos científicos relevantes, inclusive, onde pesquisadores trazem o olhar sobre influências do ambiente daquela gestante em relação ao ambiente uterino e possíveis alterações na saúde e comportamento daquele novo indivíduo pós-nascimento e durante a vida.

Por exemplo, essa gestante sendo usuária de álcool, tabaco, apresentando uma vida sedentária ou um quadro de obesidade, pode influenciar processos nos genes desse feto, sem alteração do DNA desse indivíduo, porém com alterações no comportamento do seu organismo.

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Como sabemos, a gestação é um período de grande ambivalência emocional, onde se faz necessário a essa mulher, um maior amparo, acolhimento e atenção das pessoas que a rodeiam, e o mais importante não é fazer por ela, mas também, levar informações para que ela compreenda a importância de ser protagonista desse momento único de grandes mudanças na sua vida, e busque dentro do seu cenário real, as melhores possibilidades de oferecer, por exemplo, ao seu bebê que está sendo gerado em seu ventre, um ambiente saudável. Para isso, divido alguns pontos importantes da sua atenção como gestante:

– Ambiente com menor impacto estressor possível (uma gestante que está em constantes situações de estresse, passa epigeneticamente, o cortisol em dose aumentada para o bebê, e influenciará o comportamento mais reativo desse indivíduo.

– Suplementação de Ômega 3 (contribui para que o sistema neural da criança seja bem desenvolvido. Além de ter estudos onde o ômega 3 é associado ao bem estar de quem o ingere, por haver um aumento de substâncias como serotonina e dopamina no organismo)

– Acompanhamento da tireoide dessa gestante, através de exames (o funcionamento da tireoide da mãe interfere no QI do feto e nas qualidades das cognições cerebrais do mesmo)

– Acompanhamento de perto da ferritina dessa gestante, para que alcance um número adequado e assim impacte em sua tireoide funcionar com qualidade

– Ter conhecimento sobre seu microbioma (80% das bactérias do corpo estão presentes no intestino e são passadas ao bebê durante o parto vaginal. Para procedimento cesárea, onde se é aguardado o trabalho de parto, pode-se colocar na vulva da gestante gases para que sejam encharcadas dessas bactérias e em seguida passadas no bebê assim que nascer, em seu rosto, boca, nariz, para que ele possa ter contato com essas bactérias que são de suma importância para seu organismo. Acompanhe com seu médico se possível, a qualidade do seu microbioma)

– Alimentação saudável rica em orgânicos e não uso de conservantes.

– Sono de qualidade (observe os estímulos que tem tido no período noturno e os diminua)

– Suplementação de Vitamina D caso não seja suficiente a exposição ao sol (deficiência de vitamina D durante a gestação podem contribuir para um quadro de pré-eclampsia)

– Suplementação de B6, B9 e B12 (contribuem para diminuição de casos de trombofilia, inclusive no cordão umbilical, que pode resultar em abortos espontâneos)

– Incluir momentos de meditação ou atividades que a gerem real prazer

Ressalto que cada gestação é única, e apresentam necessidades particulares, por isso é importante acompanhar de perto com seu médico, lembrando que muitas das alterações epigenéticas estão fora do nosso controle, por exemplo, nível de poluição, pandemia, trânsito. O ambiente modula e impacta. Então procure estar mais consciente do que pode fazer por você dentro da sua realidade.

Quando o bebê nasce tudo ao redor dele incluindo os cuidados que recebe podem contribuir para alterações epigenéticas, inclusive existe um estudo realizado com mamíferos, onde se percebeu que se o filhote não recebe os cuidados maternos saudáveis, ou se são separados, o mesmo se torna mais vulnerável ao estresse e tem alterações significativas de humor que permanecem durante sua vida.

Portanto, mais uma vez, percebemos a importância do cuidado a saúde mental materna, e assim possa estar bem para exercer seu papel materno de maneira saudável e benéfica para a construção desse novo indivíduo.

Sugiro que busquem constantemente informações atuais sobre o tema, existem estudos saindo do forno que merecem nossa atenção, não só para gestantes, mas como para todos nós. Afinal, a saúde mental materna importa e impacta em nossa sociedade como um todo.

Daniele Barros é Mãe | Psicóloga Obstétrica | Graduada em Gestão de Pessoas | Pós graduada em Marketing pela Business School São Paulo | Psicologia Analítica Junguiana pela Sociedade Brasileira de Psicanálise Integrativa | Formação em Psicologia Perinatal e da Parentalidade pelo Instituto Mater Online | Em formação neuropsicológica pelo Hospital Albert Einstein | Sempre em busca constante aprimoramento em Saúde Mental.

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