Infelizmente mais um tema tratado como “tabu” pela nossa sociedade, um assunto pouco falado, mas de grande impacto na vida de quem apresenta esse transtorno e em sua família.
Trata-se de um transtorno raro, porém o mais grave que pode acontecer no puerpério, a cada mil mulheres é esperado que duas desenvolvam a psicose puerperal, mais identificado na primeira gestação. As chances aumentam em casos onde essa mulher já possui histórico de transtorno bipolar, ou tenha esse histórico em seus familiares.
Não apresenta geralmente grandes sinais, apresenta início súbito e vem com gravidade intensa. Marcada por delírios, alucinações, desorientação, desorganização consigo mesma em cuidados pessoais e com atividades do dia a dia, quebra com a realidade, trazendo alto risco à saúde e integridade física dessa mulher e do bebê. Apresenta um risco alto de cometer suicídio e infanticídio (óbito do bebê causado pela mãe).
Um dos primeiros sinais que podemos ficar atentos, é a quebra com a realidade, trazendo falas sem sentido, como por exemplo: “eu vou morrer” “eu preciso me livrar do bebê, ele é um demônio que vai acabar com a humanidade” entre outros. Geralmente a psicose puerperal acontece nas duas primeiras semanas pós parto, o episódio acontece de maneira rápida, podendo ter a duração de uma, duas semanas ou até um mês.
Esse quadro exige atenção profissional psiquiátrica, para o diagnóstico e condução do tratamento, a internação se faz necessária mediante a avaliação, mas não são todos os casos que são levados a internação, algumas vezes, essa mulher poderá ser tratada em casa com medicação e acompanhamento constante.
Além de ser indicado, ajuste de sono dela e rede de apoio presente para um resultado benéfico a essa mãe e esse bebê. Lembrando que a rede de apoio permanece presente mesmo enquanto essa mãe estiver internada, afinal, temos um pai e um bebê que precisarão de atenção, cuidados e acolhimento nesse momento delicado, onde sentimentos de medo, insegurança, ausência, dúvida, saudades, tristeza, aparecem.
Pela utilização dos remédios ou internação, a amamentação pode ser impactada, e essa mulher pode vir a apresentar sentimentos de culpa ou tristeza por não estar alimentando seu bebê, por esse e outros motivos, se faz tão importante nossa atenção, acolhimento e a não diminuição da importância da dor dessa mulher.
Precisamos estar atentos a isso, o tema deve ser falado ainda durante a gestação, como psicoeducação para o casal, e não apenas quando apresentar histórico na família.
Não falarmos do assunto, não significa diminuir as chances de vivenciarmos essa situação.
Daniele Barros é Mãe | Psicóloga Obstétrica | Graduada em Gestão de Pessoas | Pós graduada em Marketing pela Business School São Paulo | Psicologia Analítica Junguiana pela Sociedade Brasileira de Psicanálise Integrativa | Formação em Psicologia Perinatal e da Parentalidade pelo Instituto Mater Online | Em formação neuropsicológica pelo Hospital Albert Einstein | Sempre em busca constante aprimoramento em Saúde Mental.



