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ter, 21 jul 2026
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Disputa Eleitoral Peru 2º Turno: Ultraconservador e Esquerda em Voto a Voto

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A eleição presidencial no Peru, realizada no último domingo (17), ainda aguarda a definição de seu segundo turno após cinco dias de apuração intensa. O país, que busca seu nono presidente em uma década, vivencia uma profunda turbulência política, com a direitista Keiko Fujimori já matematicamente garantida na próxima fase. Contudo, a segunda vaga permanece em aberto, sendo disputada voto a voto entre o candidato de esquerda, Roberto Sánchez Palomino, e o ultraconservador Rafael Aliaga, em uma corrida que espelha as divisões políticas da nação andina.

Indefinição Marca Eleição Presidencial no Peru

Keiko Fujimori, líder do Fuerza Popular, assegurou seu lugar no segundo turno com cerca de 17% dos votos apurados. Por outro lado, a batalha pela segunda vaga se intensificou, com Roberto Sánchez Palomino, do Juntos Pelo Peru, e Rafael Aliaga, do Renovación Popular, travando uma disputa apertadíssima. Menos de três mil votos separam os dois postulantes, o que mantém a nação em suspense.

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Até a tarde desta sexta-feira, com 93,3% das urnas contabilizadas, Sánchez Palomino registrava aproximadamente 12% dos sufrágios, enquanto Aliaga o seguia de perto com 11,9%. Além disso, essa eleição se destacou por ter reunido 35 candidatos presidenciais, refletindo a fragmentação e a instabilidade que caracterizam a política peruana nos últimos anos.

Cenário Geopolítico e Repercussões Regionais

O Peru, sendo o quarto país mais populoso da América do Sul com cerca de 34 milhões de habitantes, e compartilhando uma extensa fronteira de 2,9 mil quilômetros com o Brasil, possui uma relevância regional inegável. Por conseguinte, o desfecho de sua eleição presidencial transcende as fronteiras nacionais, influenciando o equilíbrio político e econômico do continente.

Influência China-EUA na América Latina

O professor Gustavo Menon, especialista em Integração da América Latina pela Universidade de São Paulo (USP), ressalta as implicações dessa disputa eleitoral na rivalidade comercial entre China e Estados Unidos na região. De fato, Keiko Fujimori já sinalizou um realinhamento com Washington e acenou para políticas restritivas à influência chinesa, especialmente visando o Porto de Chancay, um projeto estratégico com forte investimento asiático. Contudo, Roberto Sánchez se opõe vigorosamente a essa plataforma.

Os Principais Contendores no Peru

Keiko Fujimori: A Herdeira da Direita

Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, lidera a contagem de votos com 2,6 milhões, em um eleitorado de 27 milhões. Esta é sua quarta tentativa de alcançar a presidência, tendo perdido no segundo turno em 2011, 2016 e 2021. Sua campanha enfrenta resistência considerável, sobretudo devido à controvérsia em torno da herança política de seu pai, condenado por violações de direitos humanos.

O antropólogo Salvador Schavelzon, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e especialista em política latino-americana, pontua que Keiko evoca a memória da guerra contra o Sendero Luminoso, revivendo um discurso antiterrorista. Entretanto, nas províncias, essa retórica é frequentemente associada às elites e ao neoliberalismo, o que dificulta sua aceitação por uma parcela significativa do eleitorado.

Roberto Sánchez: A Voz da Esquerda e o Legado de Castillo

Roberto Sánchez Palomino, com aproximadamente 1,89 milhão de votos, emerge como um forte representante da esquerda. Ele é conhecido por sua aliança com o ex-presidente Pedro Castillo, que foi deposto e preso sob acusação de tentativa de golpe de Estado ao tentar dissolver o parlamento. Seus apoiadores, entretanto, veem Castillo como vítima de um parlamento poderoso que buscava silenciar a voz da população rural.

Schavelzon descreve Sánchez como um político com perfil nacionalista-popular, que reivindica símbolos como a cor da pele e o chapéu, importantes para um setor político que ganha espaço com resistência das elites. Além disso, suas propostas incluem a nacionalização de recursos naturais, uma nova constituinte e a ampliação de direitos trabalhistas, visando atender às demandas das maiorias que vivem no interior do país.

Psicólogo de formação e deputado pelo Juntos Pelo Peru, Sánchez foi ministro do Comércio Exterior e Turismo no governo Castillo em 2021 e um entusiasta do Porto de Chancay. Contudo, Schavelzon alerta que, apesar de seu discurso popular, Sánchez atua dentro do jogo partidário tradicional do Congresso peruano, podendo, em certos momentos, se aproximar mais das elites do que de seus eleitores de base.

Rafael Aliaga: O Ultraconservador em Ascensão

Rafael Aliaga, o candidato ultraconservador do Renovación Popular, disputa a segunda vaga no segundo turno de maneira acirrada. Apontado como admirador do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Aliaga representa uma vertente mais à direita do espectro político, com propostas que geralmente enfatizam a ordem, a segurança e valores tradicionais. Sua ascensão demonstra a força do conservadorismo no atual cenário eleitoral peruano.

Este cenário de indefinição reflete a persistente instabilidade política do Peru, que tem visto uma sucessão de presidentes em pouco tempo. A disputa voto a voto para o segundo turno, previsto para 7 de junho, entre um representante da esquerda nacionalista-popular e um ultraconservador, após a garantia de vaga da herdeira da direita, sugere que o país se prepara para um embate ideológico significativo, com profundas implicações para seu futuro próximo.

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