O mercado financeiro brasileiro testemunhou um cenário de aversão ao risco nesta quinta-feira, com o dólar encerrando o pregão acima de R$ 5 e a bolsa de valores registrando queda. A deterioração do ambiente externo, especialmente as novas incertezas geopolíticas no Oriente Médio, foram os catalisadores principais para a movimentação negativa dos ativos, afetando investidores em todo o mundo.
Dólar Acima de R$ 5: Busca por Segurança Global
A moeda estadunidense encerrou o dia cotada a R$ 5,003, apresentando alta de R$ 0,029, o que equivale a um avanço de 0,62%. Inicialmente em queda, o dólar inverteu sua trajetória durante a tarde, acompanhando a tendência global de busca por ativos considerados mais seguros em momentos de incerteza. Consequentemente, o temor geopolítico impulsionou a divisa.
A virada de direção no câmbio ocorreu após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e de autoridades iranianas, que geraram dúvidas sobre a sustentação de um possível cessar-fogo na região. Trump afirmou que um acordo com o Irã apenas será selado quando for “apropriado” aos interesses norte-americanos, enquanto o governo iraniano adotou um tom mais agressivo. Além disso, surgiram relatos de ativação de defesas aéreas no Irã, intensificando a apreensão dos mercados.
Por conseguinte, o dólar à vista saiu da mínima de R$ 4,94, registrada no início da tarde, para atingir a máxima de R$ 5,018 por volta das 16h40, diminuindo ligeiramente a alta no fechamento do pregão. No mercado futuro, o contrato para maio também avançou 0,74%. No exterior, o índice que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas também subiu, refletindo o mesmo movimento de cautela entre os investidores internacionais.
Ibovespa Recua em Meio à Instabilidade Externa
O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, fechou em queda de 0,78%, atingindo 191.378,43 pontos. Este movimento negativo seguiu a tendência dos mercados internacionais, que foram pressionados pelo aumento das tensões no Oriente Médio e pela queda generalizada das bolsas em Nova York. Portanto, o ambiente de maior risco global repercutiu diretamente nos ativos brasileiros.
O índice oscilou entre 190.929 pontos na mínima e 193.346 pontos na máxima, com volume financeiro de R$ 24,9 bilhões. O ambiente de maior risco foi intensificado após ações militares e estratégicas envolvendo o Estreito de Ormuz, uma região vital para o transporte global de petróleo. A apreensão de navios pelo Irã e as ameaças militares dos Estados Unidos aumentaram a preocupação dos investidores, impactando a percepção de risco sobre os mercados emergentes, inclusive o Brasil. Ademais, dados do Banco Central indicaram uma saída líquida de US$ 3,2 bilhões do país em abril até o dia 17, ampliando o fluxo negativo desde o início do conflito.
Petróleo Dispara com Temores de Abastecimento Global
Em consequência da escalada das tensões, o preço do petróleo registrou forte alta, impulsionado pelo temor de interrupções no fornecimento global do combustível. O barril do tipo Brent, referência internacional, fechou a US$ 105,07, com alta de 3,1%. Similarmente, o WTI avançou 3,11%, cotado a US$ 95,85. Durante o dia, os preços chegaram a subir cerca de US$ 5 por barril, demonstrando a sensibilidade do mercado às notícias da região.
O mercado reagiu a relatos de confrontos internos no Irã, ataques aéreos e à renúncia de um negociador-chave nas conversas indiretas com os EUA. Além disso, o controle mais rígido do Irã sobre o Estreito de Ormuz, responsável por aproximadamente 20% do fluxo global de petróleo, aumentou o temor de interrupções no abastecimento. A combinação de incerteza geopolítica, restrições no transporte marítimo e declarações conflitantes de autoridades mantém os mercados sob forte volatilidade, projetando um cenário de cautela para os próximos dias.


