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sáb, 06 jun 2026
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Fim da RTO causa caos no Terminal Armênia para Guarulhos

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A volta para casa depois do trabalho virou um sofrimento para milhares de pessoas neste início de 2026 que dependiam da RTO para Guarulhos. Moradores que dependem dos ônibus metropolitanos no Terminal Armênia, em São Paulo, enfrentam longas filas e espera maior do que o normal no final da tarde. O problema começou no dia 1º de janeiro, quando ocorreu a extinção da Reserva Técnica Operacional (RTO) por determinação do Supremo Tribunal Federal. Portanto, os micro-ônibus e vans que reforçavam o sistema saíram de operação. Por consequência, os ônibus convencionais do Consórcio Internorte não estão dando conta da demanda de passageiros.

Além disso, a situação se agrava porque a tarifa ficou mais cara desde terça-feira (6). Dessa forma, trabalhadores pagam mais caro por um serviço pior. Ha publicações dos relatos do problema constantemente nas redes sociais, evidenciando o descontentamento generalizado.

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O que era a RTO e por que ela acabou em Guarulhos

A Reserva Técnica Operacional surgiu em 1999 com o nome de Ponte Orca (Operador Regional Coletivo Autônomo). Inicialmente, o objetivo era incorporar vans e outros veículos que operavam de forma clandestina no transporte coletivo de São Paulo. Ademais, a iniciativa buscava legalizar transportadores autônomos e oferecer alternativa ao sistema convencional.

Em 2008, houve integração do sistema Orca ao sistema oficial e passou a se chamar Reserva Técnica Operacional. Operada pela EMTU, servia de reforço ao transporte intermunicipal, especialmente em horários de pico ou em regiões com baixa cobertura. Segundo a própria página da EMTU, “o atendimento à população era prestado de forma compartilhada entre a frota das empresas e a RTO na RMSP”. Além disso, “os horários eram distribuídos de forma a atender a demanda dos usuários de forma efetiva”.

No entanto, em 2025, o Supremo Tribunal Federal decidiu pelo fim da RTO em Guarulhos. A ação foi impetrada pelo Consórcio Intervias, um dos grupos de empresas de ônibus que operam o sistema intermunicipal na Grande São Paulo. Os ministros do STF decidiram que o sistema público de transporte é concedido através de licitações. Portanto, não poderia ser operado por empresas ou profissionais que não tivessem sido escolhidos por esse sistema.

Consequentemente, o STF deu prazo até o fim de 2025 para o encerramento da operação da RTO na Grande São Paulo. Assim, o sistema deixou de operar a partir de 1º de janeiro de 2026.

Usuários relatam transtornos desde o início do ano

Nos primeiros dias úteis de janeiro, a situação foi especialmente crítica. Trabalhadores relataram espera de mais de uma hora por ônibus que antes chegavam com regularidade. Além disso, muitos perderam compromissos ou chegaram atrasados em casa. Ademais, relatos em redes sociais mostram filas extensas e ônibus lotados no horário de pico.

O problema se repete diariamente, especialmente no final da tarde. Dessa forma, a volta do trabalho tem se tornado um desafio para quem depende do transporte público. Consequentemente, trabalhadores guarulhenses questionam a falta de preparo do sistema para absorver a demanda.

Consórcio Internorte e Artesp não se pronunciam

O Consórcio Internorte é responsável pela operação das linhas intermunicipais na chamada Área 3 da Região Metropolitana de São Paulo. Essa área abrange os municípios de Guarulhos, Arujá, Mairiporã, Itaquaquecetuba, Guararema e Santa Isabel. Portanto, o problema não afeta apenas guarulhenses, mas moradores de toda a região.

O consórcio é formado por nove empresas. Entre elas, Guarulhos Transporte, Transdutra e Vila Galvão. Entretanto, apesar dos transtornos causados pelo fim da RTO em Guarulhos, o Consórcio Internorte não se pronunciou publicamente sobre o problema.

Ademais, a Artesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo) também não divulgou informações sobre fiscalização ou medidas para solucionar a situação. A agência substituiu a EMTU, que foi extinta, e é responsável pela fiscalização das concessionárias de transporte.

Governo nega problema, mas população sofre com fim da RTO

Em nota enviada à TV Globo, que também tratou do problema no SPTV-2ª Edição, a Secretaria de Parcerias e Investimentos (SPI) do governo do estado afirmou que o fim da Reserva Técnica Operacional “não afetou o atendimento à população”. Entretanto, a realidade observada no Terminal Armênia contradiz essa afirmação.

Trabalhadores guarulhenses enfrentam filas longas e espera acima do normal desde o início do ano. Além disso, relatos nas redes sociais evidenciam o descontentamento generalizado. Portanto, a declaração do governo estadual não condiz com a experiência dos usuários do transporte público.

A contradição levanta questões sobre a efetividade da fiscalização. Ademais, evidencia falta de diálogo entre o poder público e a população afetada. Consequentemente, trabalhadores seguem desamparados enquanto órgãos negam a existência do problema.

Artesp deveria fiscalizar, mas não age

A Artesp é a agência reguladora do governo do estado para a área de transporte. Dessa forma, é responsável pela fiscalização das concessionárias de rodovias, linhas ferroviárias e metroviárias, portos e aeroportos em todo estado de São Paulo. Além disso, a Artesp foi encarregada pelo governo de gerenciar o transporte coletivo intermunicipal e metropolitano de passageiros por ônibus.

Portanto, cabe à Artesp fiscalizar se o Consórcio Internorte está cumprindo o contrato de concessão. Entretanto, a agência não respondeu aos questionamentos da reportagem. Assim, permanece a dúvida se há fiscalização efetiva sobre a qualidade do serviço prestado.

A falta de resposta da Artesp é preocupante. Ademais, sugere que a agência pode não estar atuando de forma efetiva para garantir que as empresas cumpram suas obrigações contratuais.

O que precisa ser feito para resolver o problema

O fim da RTO era previsível desde a decisão do STF em 2025. Portanto, o Consórcio Internorte teve meses para se preparar e ajustar sua frota. Entretanto, a realidade mostra que isso não foi feito. Assim, trabalhadores guarulhenses pagam o preço de uma má gestão do sistema de transporte.

A solução passa por cobrar das empresas o cumprimento integral do contrato. Ademais, a Artesp precisa fiscalizar efetivamente e aplicar penalidades caso necessário. O governo estadual, por sua vez, não pode negar a existência de problemas evidentes.

Guarulhos e os demais municípios da Área 3 merecem um transporte público de qualidade. Afinal, trabalhadores não podem continuar sendo penalizados por decisões mal implementadas. Consequentemente, é urgente que os responsáveis tomem providências para regularizar o sistema.

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