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ter, 21 jul 2026
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Guarulhos debate políticas públicas e mulheres negras em evento do Compir

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O Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial (Compir) de Guarulhos, em conjunto com o Conselho Municipal de Políticas para Mulheres, promoverá uma roda de conversa em 23 de julho de 2024. O encontro, marcado para a Universidade São Judas Tadeu, no bairro Macedo, discutirá as políticas públicas e o papel histórico das mulheres negras na construção da institucionalidade. A ação celebra o Dia da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha, buscando valorizar a luta e o conhecimento dessas mulheres.

Com entrada gratuita, o evento inicia às 14h, na rua do Rosário, 476. Não é necessário realizar inscrição prévia, basta comparecer e participar. Além disso, a iniciativa conta com a colaboração da Subsecretaria da Igualdade Racial de Guarulhos, reforçando o compromisso municipal com a pauta.

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Diálogo sobre representatividade e direitos

A roda de conversa, intitulada “Mulheres Negras e Políticas Públicas: Construção Histórica da Institucionalidade na Garantia de Direitos”, contará com a mediação da presidente do Compir Guarulhos, a assistente social Greice Oliveira. Assim, o debate reunirá importantes vozes para abordar o tema com profundidade e diversas perspectivas.

Entre as participantes confirmadas estão Flavia Costa, ativista da União de Negras e Negros pela Igualdade (Unegro) e ex-diretora do Departamento de Proteção ao Patrimônio Brasileiro da Fundação Cultural Palmares. Ademais, Edna Roland, ex-coordenadora da Mulher e da Igualdade Racial de Guarulhos e relatora da Terceira Conferência Mundial contra o Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Formas Correlatas de Intolerância, conhecida como Conferência de Durban, também estará presente. O evento de Durban, realizado em 2001 na África do Sul, instou os países a adotarem planos de ação contra a discriminação racial, conferindo a Roland uma visão global e histórica sobre o tema.

Julho 25: Um marco de celebração e luta

O dia 25 de julho possui grande significado para a população negra, pois marca duas importantes celebrações. A data comemora o Dia da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha, ao mesmo tempo em que homenageia o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. Greice Oliveira sublinha que essas datas “reforçam a necessidade de reconhecer o trabalho, o esforço e o conhecimento das mulheres negras para a construção da sociedade, orientando o enfrentamento das desigualdades ainda existentes”.

Origens do Dia da Mulher Negra

A instituição do Dia da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha ocorreu em 1992, durante o Primeiro Encontro de Mulheres Negras da América Latina e do Caribe, em Santo Domingo, República Dominicana. Esse encontro reuniu mulheres de diversos países para discutir o racismo, o sexismo, a desigualdade social e a exclusão enfrentada por mulheres negras. Desde então, o 25 de julho consolidou-se como um marco na defesa dos direitos humanos, da igualdade de oportunidades e do reconhecimento do protagonismo feminino negro em diversas esferas sociais.

Tereza de Benguela: Símbolo de resistência

No Brasil, a data também presta tributo a Tereza de Benguela, uma das mais notáveis líderes negras da história do país. Conhecida como Rainha Tereza, ela viveu no século XVIII e liderou o Quilombo do Quariterê, localizado na região que hoje corresponde ao Estado de Mato Grosso. Após a morte de seu companheiro, José Piolho, Tereza assumiu a liderança da comunidade quilombola, organizando a administração, fortalecendo a agricultura, promovendo o comércio e estruturando defesas, garantindo, assim, a resistência do quilombo por muitos anos.

Sua liderança tornou-se um símbolo de coragem, inteligência política e resiliência contra a escravidão. Sob seu comando, pessoas negras e indígenas estabeleceram uma comunidade organizada, pautada na cooperação, na autonomia e na busca pela liberdade. Greice Oliveira complementa que “a trajetória de Tereza de Benguela demonstra que as mulheres negras sempre exerceram papéis cruciais na defesa da justiça, da dignidade e dos direitos coletivos”.

Em reconhecimento à sua importância histórica, a Lei nº 12.987, de 2 de junho de 2014, oficializou o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, celebrado em 25 de julho. A data visa promover uma reflexão profunda sobre a participação das mulheres negras na história do Brasil, incentivando políticas de igualdade racial e o combate a todas as formas de discriminação.

Desafios persistentes e o protagonismo atual

Apesar dos avanços alcançados nas últimas décadas, as mulheres negras ainda se deparam com desafios significativos. Consequentemente, enfrentam o racismo estrutural, a desigualdade de renda, bem como barreiras no acesso à educação, à saúde, ao mercado de trabalho e à representatividade em esferas de poder. Por outro lado, elas demonstram protagonismo em áreas como ciência, educação, cultura, esporte, política, empreendedorismo e movimentos sociais, contribuindo diariamente para o desenvolvimento do país.

Jorge Caniba Batista dos Santos, subsecretário da Igualdade Racial de Guarulhos, enfatiza essa dualidade. Ele afirma que, “apesar dos avanços, as mulheres negras ainda enfrentam desafios complexos relacionados ao racismo estrutural e à desigualdade, mas, simultaneamente, são protagonistas em diversas áreas, enriquecendo o desenvolvimento nacional”.

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