O mercado financeiro brasileiro observou uma queda do dólar e a quarta baixa consecutiva do Ibovespa em julho de 2026. Fatores como a valorização do petróleo e os juros internos elevados impulsionaram o real, mas a cautela prevaleceu devido a declarações sobre tensões geopolíticas no Oriente Médio.
Dólar em baixa no mercado de câmbio
O dólar comercial encerrou o pregão cotado a R$ 5,089, uma desvalorização de 0,42% na sessão. Este movimento acompanhou a fraqueza da moeda estadunidense frente a divisas de países emergentes, embora o dólar tenha se valorizado contra moedas de economias avançadas. No acumulado de julho de 2026, a moeda americana já registrou uma queda de 1,42% em relação ao real, e a desvalorização atinge 7,28% no ano.
Inicialmente, a moeda chegou a operar acima de R$ 5,11 na abertura, contudo, recuou após a confirmação de propostas de mediadores internacionais visando diminuir as tensões entre Estados Unidos e Irã. Esta notícia reduziu a procura global por ativos considerados mais seguros. Além disso, a substancial diferença de juros entre Brasil e Estados Unidos continuou sustentando as operações de carry trade, atraindo investidores para o mercado brasileiro.
Outro elemento que fortaleceu o real foi a elevação nos preços do petróleo, que melhora as perspectivas para a entrada de dólares no país via exportações. A balança comercial brasileira, por exemplo, registrou um superávit de US$ 526,3 milhões na terceira semana de julho de 2026. As exportações cresceram 6,7% no acumulado do mês, impulsionadas principalmente pela indústria extrativa.
Ibovespa completa quatro quedas consecutivas
O principal índice da bolsa de valores brasileira, o Ibovespa, fechou em baixa de 0,20%, atingindo 173.371,35 pontos. Com este resultado, o índice acumulou a quarta sessão consecutiva de perdas em julho de 2026. Pela manhã, o Ibovespa superou os 174 mil pontos, reagindo positivamente à expectativa de retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã.
No entanto, o índice perdeu força ao longo da tarde, pois o ex-presidente americano Donald Trump endureceu o discurso contra Teerã, intensificando a cautela nos mercados. Enquanto isso, a valorização das ações da Petrobras, beneficiada pela alta do petróleo, não foi suficiente para compensar a queda registrada por ações de mineradoras, que exerceram pressão negativa sobre o índice.
Cotação do petróleo reflete incertezas globais
Os contratos internacionais de petróleo encerraram o dia em alta, após oscilações causadas pelas dúvidas sobre a evolução do conflito no Oriente Médio. O barril de Brent, referência para a Petrobras, avançou 1,27%, alcançando US$ 89,22. Por outro lado, o barril WTI, do Texas, subiu 0,85%, fechando a US$ 82,48.
Os preços da commodity perderam parte de seus ganhos após o governo iraniano confirmar o recebimento de propostas mediadoras para reduzir as tensões com Washington. Contudo, o petróleo voltou a subir quando Donald Trump prometeu uma resposta mais intensa a novos ataques contra militares americanos, reacendendo as preocupações. Além disso, as restrições ao tráfego marítimo no Estreito de Ormuz e as ameaças dos houthis de bloquear rotas no Mar Vermelho continuam no radar do mercado, alimentando a incerteza sobre a oferta global.


