O governo federal, por meio de uma medida provisória a ser editada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, anunciou nesta quarta-feira (13) a criação de um subsídio para conter a escalada dos preços dos combustíveis no país. A iniciativa, que visa mitigar o impacto da alta da gasolina e do diesel sobre consumidores e empresas, prevê uma subvenção que pode chegar a até R$ 0,89 por litro. Desta forma, a União busca estabilizar o mercado e proteger a economia doméstica diante das variações internacionais.
Detalhes da Nova Medida e Valores
O Ministério do Planejamento, por meio do ministro Bruno Moretti, detalhou os valores da subvenção governamental. Embora o teto máximo da ajuda possa atingir R$ 0,8925 por litro de gasolina e R$ 0,3515 por litro de diesel, a intenção inicial do governo é subsidiar entre R$ 0,40 e R$ 0,45 por litro de gasolina neste momento.
Além disso, a subvenção para o diesel, no valor de R$ 0,3515, começará a ser aplicada em junho. Esta data coincide com o término da redução a zero dos tributos federais sobre o combustível. Consequentemente, a medida visa garantir uma transição suave e evitar um novo choque nos preços ao consumidor.
Mecanismo de Funcionamento e Objetivos
Na prática, o governo implementará um sistema de devolução de parte dos tributos federais cobrados sobre os combustíveis, como PIS, Cofins e Cide, diretamente às refinarias e importadores. O ministro Moretti comparou o modelo a um “cashback” tributário, enfatizando a agilidade do processo.
Portanto, o pagamento será intermediado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), assegurando que o benefício chegue às empresas produtoras e importadoras. A principal finalidade é impedir que a volatilidade da cotação internacional do petróleo seja integralmente repassada aos postos de abastecimento, protegendo assim os consumidores finais.
Cenário Internacional e Impacto Fiscal
A decisão governamental ocorre em um cenário de forte pressão sobre os preços globais do petróleo, impulsionada principalmente pela guerra no Oriente Médio. Antes do conflito, o barril de Brent era negociado abaixo de US$ 70, enquanto atualmente a cotação ultrapassa os US$ 100 no mercado internacional.
Adicionalmente, a preocupação do governo aumentou após a Petrobras sinalizar possíveis reajustes nos preços da gasolina, com a presidente da estatal, Magda Chambriard, afirmando que o aumento “vai acontecer já já”. Contudo, a medida federal busca mitigar essas pressões inflacionárias.
Estimativa de Custos e Compensação
O Ministério da Fazenda estima que cada R$ 0,10 de subsídio na gasolina representará um custo mensal de aproximadamente R$ 272 milhões para os cofres públicos. Similarmente, para o diesel, cada R$ 0,10 de subvenção implicará um gasto de cerca de R$ 492 milhões por mês.
Dessa forma, o subsídio inicial de R$ 0,40 para a gasolina terá um custo mensal de R$ 1,2 bilhão, ao passo que a subvenção do diesel custará R$ 1,7 bilhão mensais. Entretanto, o governo defende que a medida terá neutralidade fiscal, com o secretário-executivo da Fazenda, Rogério Ceron, explicando que o aumento das receitas de royalties, dividendos e participações do setor petrolífero compensará os gastos.
Priorização da Gasolina e Prazo da Medida
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, esclareceu que a gasolina será o primeiro combustível a receber a nova subvenção. Isso ocorre porque o combustível não havia sido contemplado com nenhum tipo de compensação tributária desde o início da crise internacional, ao contrário do diesel.
Em contrapartida, o diesel já se beneficiou de ações anteriores do governo, como a suspensão de tributos federais e outros programas de compensação. Por conseguinte, a priorização da gasolina busca equilibrar os impactos sobre os diferentes tipos de combustíveis e seus respectivos consumidores.
O subsídio terá validade inicial de dois meses, com possibilidade de prorrogação caso a crise internacional continue pressionando os preços. As empresas beneficiadas deverão, por sua vez, cumprir regras específicas para garantir que a redução de custos seja integralmente repassada ao consumidor final, com o desconto obrigatoriamente aparecendo nas notas fiscais.
Ações Governamentais Anteriores
Desde março, o governo federal tem implementado uma série de medidas para mitigar os efeitos da alta do petróleo nos preços internos. Entre as ações já adotadas, destacam-se a zeragem de PIS/Cofins sobre diesel e biodiesel, o subsídio ao diesel nacional e importado, a criação de ajuda para o gás de cozinha e a zeragem de tributos sobre o querosene de aviação.


