Guarulhos criou apenas 467 vagas de emprego com carteira assinada em novembro de 2025, o que colocou o município na 12ª posição no ranking estadual de geração de empregos. Portanto, a cidade ficou atrás de municípios bem menores, como Bauru, Cajamar, Praia Grande e São José dos Campos. O desempenho representa uma queda significativa para Guarulhos, que durante vários anos ostentou o título de não capital que mais gerava empregos no Brasil. Além disso, o Estado de São Paulo criou 31,1 mil vagas no mês, o equivalente a mais de mil postos por dia. Dessa forma, a participação de Guarulhos no total estadual foi de apenas 1,5%, abaixo do esperado para a segunda maior cidade do estado.
Os dados são da Fundação Seade, com base nas informações do Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Sob a gestão do prefeito Lucas Sanches (PL), Guarulhos tem apresentado números aquém do histórico da cidade. Consequentemente, o município vê sua posição de destaque no cenário estadual ser comprometida.
Cidades menores superam Guarulhos no ranking de empregos
A comparação com outras cidades paulistas evidencia o desempenho abaixo do esperado de Guarulhos. Barueri, por exemplo, criou 4.011 vagas em novembro, número 8,5 vezes maior que Guarulhos. Ademais, Osasco gerou 2.510 postos de trabalho, mais de cinco vezes o desempenho do município guarulhense. Até mesmo cidades de menor porte ficaram à frente no ranking.
Bauru, com população significativamente menor que Guarulhos, criou 1.408 vagas. Cajamar, município vizinho com menos de 100 mil habitantes, gerou 568 empregos. Assim, ficou em 9º lugar, três posições acima de Guarulhos. Praia Grande (533 vagas) e São José dos Campos (506 vagas) também superaram o desempenho guarulhense. Portanto, a situação é preocupante para uma cidade que já foi referência nacional em geração de empregos.
Veja o ranking de empregos completo de novembro em SP
As 12 cidades que mais geraram empregos em novembro de 2025:
- São Paulo: 24.587 vagas
- Barueri: 4.011 vagas
- Osasco: 2.510 vagas
- Bauru: 1.408 vagas
- São Bernardo do Campo: 1.031 vagas
- Santos: 796 vagas
- Santo André: 740 vagas
- Campinas: 671 vagas
- Cajamar: 568 vagas
- Praia Grande: 533 vagas
- São José dos Campos: 506 vagas
- Guarulhos: 467 vagas
A capital paulista, como esperado, lidera com folga. Entretanto, a distância de Guarulhos para cidades tradicionalmente menos industrializadas chama atenção. Ademais, o município fica atrás de Santo André, Campinas e Santos, cidades de porte equivalente ou menor.
Guarulhos mantém posições no acumulado do ano
Apesar do desempenho fraco em novembro, Guarulhos ainda apresenta números relevantes no acumulado do ano. No período de janeiro a novembro de 2025, o município gerou 8.681 vagas, ficando na 8ª posição estadual. Além disso, no acumulado de 12 meses, Guarulhos criou 14.113 empregos, ocupando a 3ª colocação no estado.
Portanto, o município mantém relevância quando se analisa o período mais amplo. Entretanto, a queda acentuada em novembro levanta questões sobre a trajetória recente da geração de empregos na cidade. Consequentemente, especialistas questionam se há fatores conjunturais ou estruturais por trás da retração.
No acumulado de 11 meses, o ranking estadual teve:
- São Paulo: 163.283 vagas
- Osasco: 27.588 vagas
- Barueri: 14.196 vagas
- Campinas: 9.401 vagas
- Bauru: 9.198 vagas
- São José dos Campos: 9.167 vagas
- São Bernardo do Campo: 8.784 vagas
- Guarulhos: 8.681 vagas
Dessa forma, mesmo no acumulado anual, Guarulhos ficou atrás de cidades menores como Barueri e São José dos Campos.
São Paulo lidera geração de empregos no Brasil
O Estado de São Paulo consolidou sua posição como líder nacional na criação de vagas formais. Em novembro, o estado foi responsável por 36% do total de empregos gerados no país. Ademais, no acumulado de 11 meses, São Paulo respondeu por 28% das vagas criadas nacionalmente. Portanto, o estado mantém sua relevância no cenário econômico brasileiro.
De janeiro a novembro, foram mais de 535 mil vagas de emprego formais criadas em São Paulo. No acumulado de 12 meses, foram 341 mil oportunidades. Assim, o estado confirma sua vocação para absorver e gerar mão de obra qualificada.
O setor de Serviços foi o que mais criou vagas em novembro, com total de 32.363 postos. Dentro do setor, destacam-se Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas, com 27.019 vagas. Além disso, Comércio gerou 20.446 postos de trabalho no mês.
Região Metropolitana de SP concentra empregos
A Região Metropolitana de São Paulo concentrou a maior parte das vagas criadas no estado. Em 12 meses, foram 194.542 empregos gerados na RMSP. Entretanto, Guarulhos não acompanhou o ritmo da região. Ademais, municípios vizinhos como Osasco e Barueri apresentaram desempenho muito superior.
Campinas foi a segunda região que mais gerou empregos, com 39.855 vagas em 12 meses. Sorocaba ficou em terceiro lugar, com 23.489 postos. Assim, a concentração de oportunidades em determinadas regiões reforça a necessidade de políticas públicas mais efetivas em Guarulhos.
Salário médio de SP é o maior do Brasil
Em novembro, o Estado de São Paulo teve o maior salário médio de admissão do país, de R$ 2.635,19. Portanto, o valor fica 14% acima da média nacional, de R$ 2.310,78. Além disso, São Paulo supera Distrito Federal (R$ 2.412,65), Santa Catarina (R$ 2.362,30) e Rio de Janeiro (R$ 2.286,92).
O Sudeste foi a região com maior valor no país, com salário médio de R$ 2.478,01. Dessa forma, trabalhadores paulistas contam com remuneração inicial mais elevada em comparação com outras unidades da Federação. Consequentemente, o estado segue atraindo profissionais de diversas regiões do Brasil.
Análise: por que Guarulhos caiu no ranking de empregos?
A queda de Guarulhos no ranking estadual de geração de empregos pode estar relacionada a diversos fatores. Primeiramente, a cidade tradicionalmente forte na indústria pode estar sentindo os efeitos da desindustrialização. Ademais, municípios como Barueri e Osasco têm atraído empresas de tecnologia e serviços, setores que mais contratam atualmente.
Outro fator pode ser a falta de incentivos fiscais e infraestrutura adequada para atração de novos investimentos. Portanto, a gestão municipal precisa avaliar políticas públicas voltadas ao desenvolvimento econômico. Além disso, a proximidade com o Aeroporto Internacional de Guarulhos poderia ser melhor explorada para gerar empregos no setor de logística e serviços aeroportuários.
A Prefeitura de Guarulhos foi questionada sobre os dados, mas não se pronunciou até a publicação desta matéria. Consequentemente, resta saber se há estratégias em andamento para reverter a tendência de queda no ranking estadual.


