Ministros do governo Lula e líderes da Câmara dos Deputados firmaram um acordo crucial nesta quarta-feira (13) em Brasília. A iniciativa visa a reformulação da legislação trabalhista, propondo a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, além de extinguir a escala 6×1 em favor de dois dias de descanso remunerado, através da escala 5×2. Este movimento busca atender antigas reivindicações sociais e modernizar as relações de trabalho no país.
O consenso estabelecido prevê a tramitação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que formalizará a nova jornada de trabalho 40 horas e o direito ao descanso. Paralelamente, um Projeto de Lei (PL) será aprovado com urgência constitucional, encaminhado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para agilizar a adaptação da legislação vigente e abordar especificidades de diversas categorias profissionais.
O presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), ressaltou a importância do entendimento. Ele informou que o objetivo é fortalecer as convenções coletivas, permitindo que elas possam gerir as particularidades de cada setor, assegurando a redução da jornada de trabalho para 40 horas sem qualquer corte salarial. Essa abordagem conjunta visa garantir um processo legislativo eficiente e abrangente.
Além do deputado Motta, participaram da reunião diversas figuras-chave, incluindo o relator da PEC, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), e outros membros da Comissão Especial que debate o tema. Os ministros do Trabalho, Luiz Marinho, do Planejamento, Bruno Moretti, e das Relações Institucionais, José Guimarães, também estiveram presentes, demonstrando o alinhamento entre Executivo e Legislativo.
Aceleração da Tramitação e Expectativas Governamentais
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, expressou otimismo quanto à aprovação da PEC no Parlamento, afirmando que o Brasil avança “a passos largos” rumo à jornada de trabalho 40 horas. Ele salientou a intenção de delegar ao Projeto de Lei as especificidades complementares à PEC. Assim, a valorização da negociação coletiva permitirá que as novas regras se ajustem harmoniosamente para trabalhadores, trabalhadoras e empresários.
A Comissão Especial encarregada da análise do tema comprometeu-se a votar o parecer da PEC, de relatoria do deputado Leo Prates, no dia 27 de maio. Imediatamente após, o tema seguirá para o plenário da Câmara em 28 de maio. Se aprovada na Casa, a matéria será então enviada para análise e deliberação do Senado Federal, conforme o rito legislativo.
O governo defende veementemente a votação da medida nas duas Casas ainda neste semestre, sem a implementação de uma regra de transição. Esta postura visa a um efeito imediato da nova legislação. A redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 representaram, afinal, a principal reivindicação dos atos do Dia do Trabalhador deste ano, celebrado em 1º de maio.
Impacto Social e Cenário Regional
Atualmente, a Comissão analisa duas Propostas de Emenda à Constituição sobre o tema, uma apresentada pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) e outra pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP). Ambas as proposições originais pleiteavam uma redução ainda maior, para 36 horas semanais, além do término da escala 6×1, refletindo um amplo debate sobre o assunto no Congresso.
Caso a mudança para a jornada de trabalho 40 horas seja efetivamente aprovada, o Brasil se unirá a nações como México, Colômbia e Chile. Esses países da América Latina já implementaram ou estão em processo de implementar reduções na jornada de trabalho nesta década, posicionando o Brasil em um movimento regional de modernização das políticas laborais e de melhoria das condições para seus cidadãos.


