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ter, 21 jul 2026
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Exploração Petróleo Foz do Amazonas: Brasil pode perder R$ 47 Bilhões, diz WWF

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O Brasil poderá abrir mão de uma receita e benefícios estimados em R$ 47 bilhões caso decida priorizar a exploração de petróleo na Foz do Amazonas. A conclusão é de um estudo inédito divulgado nesta quinta-feira (23) pela WWF Brasil, que analisa as perdas potenciais ao preterir investimentos em energia renovável e biocombustíveis em favor dos combustíveis fósseis.

O montante projetado pela organização ambiental soma R$ 22,2 bilhões em perdas atreladas diretamente ao investimento em combustíveis fósseis na Margem Equatorial. Adicionalmente, o país deixaria de lucrar R$ 24,8 bilhões devido à ausência de investimentos robustos na rede de eletrificação, conforme detalha a pesquisa.

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Análise de Custos e Benefícios

Para compreender os ganhos e perdas potenciais ao se investir em uma nova fronteira petrolífera, especialmente em um cenário global de transição energética acelerada e riscos ambientais crescentes, o estudo do WWF Brasil utilizou a metodologia da Análise Socioeconômica de Custo-Benefício (ACB). Esta é a mesma medição recomendada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) para avaliar grandes investimentos públicos.

Daniel Thá, consultor da WWF Brasil, explica que a ACB se destaca por ser um método sistemático e comparativo, embasado em critérios objetivos, transparentes e evidências sólidas, o que permite uma perspectiva de longo prazo. Em vez de focar apenas no lucro privado ou na arrecadação governamental, a análise busca balizar o retorno para todos os atores sociais, incluindo empresas, governo e famílias.

Cenário da Bacia da Foz do Amazonas

A pesquisa partiu de um cenário hipotético de desempenho produtivo para a bacia da Foz do Amazonas, considerando um horizonte de 40 anos. Os primeiros dez anos seriam dedicados à exploração para identificar e comprovar reservas de petróleo, bem como para desenvolver a nova frente de extração do recurso. Nos 30 anos subsequentes, com o início da operação, foram levantados investimentos compatíveis com o mercado.

O estudo estimou o preço do petróleo no longo prazo a partir de 2036, quando os barris estariam disponíveis no mercado, considerando uma reserva de 900 milhões de barris e uma capacidade de exploração de 120 mil barris ao dia a partir de 20 poços exploratórios. Financeiramente, mesmo com lucro para as empresas a partir de US$ 39 por barril (o valor atual está em torno de US$ 100), o cenário geral apresenta complexidades.

Impactos Ambientais e Prejuízos Sociais

A análise incluiu, ademais, o custo social do modelo proposto para a Foz do Amazonas. O principal efeito colateral são as emissões de gases de efeito estufa (GEE), calculadas conforme critérios da Agência Internacional de Energia. Estima-se emissões de 446 milhões de toneladas de CO₂ equivalente, com a maior parte ocorrendo na fase de consumo dos combustíveis.

O custo social do carbono, inerente a esse volume de emissões, pode gerar prejuízos à população que variam de R$ 21 bilhões a R$ 42 bilhões. Contudo, ao considerar a soma desses prejuízos e as externalidades, os pesquisadores concluíram que o saldo líquido da nova frente petrolífera na Foz do Amazonas resultaria em uma perda de R$ 22,2 bilhões em 40 anos.

Potencial das Energias Renováveis

O estudo da WWF comparou a rota do petróleo com outros dois sistemas energéticos, utilizando os mesmos parâmetros de investimento, volume de energia entregue e risco de mercado durante os 40 anos. A premissa fundamental é que a demanda social é por energia, e não pelo petróleo em si. Para viabilizar a comparação, a produção média anual de petróleo foi convertida para 48,63 TWh/ano.

Cenário de Eletrificação e Biocombustíveis

Para o cenário de eletrificação, foram considerados uma matriz de 50% de energia eólica em solo, 42% de solar fotovoltaica, 4% de biomassa (bagaço de cana) e 4% de biogás, conforme o último Plano Decenal de Expansão de Energia. Daniel Thá aponta que essa rota de eletrificação, que oferece implementação imediata sem a espera de dez anos de exploração do petróleo, traria um retorno positivo de quase R$ 25 bilhões para a sociedade.

Além disso, o estudo também explorou um terceiro cenário focado em biocombustíveis. A análise reforça que a diversificação da matriz energética com fontes limpas e renováveis não apenas mitiga os riscos ambientais, mas também oferece um caminho economicamente mais vantajoso, com benefícios sociais diretos e indiretos significativos, em contraste com a dependência dos combustíveis fósseis.

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