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qui, 04 jun 2026
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Poluição em Guarulhos aumenta risco de Alzheimer em 55%

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Um estudo internacional publicado na revista The Lancet Planetary Health revelou que a poluição em Guarulhos registra níveis de no ar capazes de elevar em 55% o risco de desenvolvimento de demência e Alzheimer. Segundo a pesquisa, que analisou dados de mais de 26 milhões de pessoas, a cidade apresentou concentração média de 34,16 microgramas por metro cúbico de partículas finas (PM2,5), valor quase sete vezes superior ao recomendado pela Organização Mundial da Saúde. Por conseguinte, os pesquisadores da Universidade de Cambridge alertam que a exposição prolongada a poluentes pode afetar diretamente a saúde cerebral da população local.

Guarulhos entre cidades com maior risco neurológico

A análise científica colocou Guarulhos em posição preocupante no cenário nacional. Enquanto a média brasileira de PM2,5 ficou em 9,9 μg/m³ em 2023, segundo dados do Ministério da Saúde, a cidade da Grande São Paulo registrou 34,16 μg/m³. Para efeito de comparação, a capital paulista apresentou 14,59 μg/m³, já considerado elevado pelos especialistas.

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De acordo com o estudo, cada aumento de 5 μg/m³ nas partículas finas eleva o risco de demência em 8%. Dessa forma, os níveis de poluição encontrados em Guarulhos representam um acréscimo substancial na probabilidade de desenvolvimento de doenças neurodegenerativas. Além disso, a pesquisa identificou que três poluentes específicos têm associação direta com o Alzheimer: partículas finas (PM2,5), dióxido de nitrogênio (NO₂) e fuligem.

Como a poluição local afeta o cérebro dos moradores

Os pesquisadores explicam que as partículas ultrafinas conseguem alcançar o cérebro por dois caminhos principais. Primeiramente, elas podem chegar diretamente através do nervo olfativo durante a respiração. Em seguida, também conseguem penetrar indiretamente pela corrente sanguínea após serem absorvidas pelos pulmões.

Uma vez no sistema nervoso central, esses poluentes desencadeiam processos inflamatórios perigosos. Consequentemente, causam estresse oxidativo e danos na barreira hematoencefálica, estrutura responsável por proteger o cérebro de substâncias nocivas. Portanto, esse mecanismo leva à morte de neurônios e favorece o acúmulo de proteínas tóxicas, como a beta-amiloide, característica do Alzheimer.

Segundo os autores da pesquisa, existe um corpo crescente de evidências que sustenta a plausibilidade biológica dessa associação. Tanto mecanismos diretos quanto respostas inflamatórias sistêmicas podem estar envolvidos no processo degenerativo.

Fontes principais de poluição na região

As partículas PM2,5 que preocupam os especialistas têm origem em diversas atividades comuns na região metropolitana. Principalmente, elas derivam do escapamento de veículos, atividades industriais e usinas termelétricas. Igualmente importantes são as emissões de fogões a lenha, queima de biomassa e poeira da construção civil.

O dióxido de nitrogênio, por sua vez, resulta especialmente da queima de combustíveis fósseis em áreas de trânsito intenso. Assim, motores a diesel, emissões industriais e equipamentos domésticos como fogões a gás contribuem para sua concentração. Já a fuligem deriva da queima incompleta de combustíveis fósseis e biomassa, incluindo madeira.

Impacto diferenciado entre tipos de demência

Interessantemente, a pesquisa mostrou que a associação entre poluição e demência foi mais forte nos casos de demência vascular. Este tipo específico é causado por alterações nos vasos sanguíneos cerebrais, como pequenos infartos. Embora a diferença não tenha sido estatisticamente significativa, ela reforça a hipótese de que a poluição prejudica principalmente a saúde vascular cerebral.

Contudo, os pesquisadores ressaltam que muitos casos envolvem formas mistas da doença. Ademais, os métodos diagnósticos variam consideravelmente entre diferentes estudos, limitando análises mais detalhadas sobre subtipos específicos.

Medidas urgentes para proteção da população

Diante dos resultados alarmantes, os especialistas defendem que a poluição do ar deve ser tratada como fator de risco modificável. Ou seja, algo tão relevante quanto idade avançada, hipertensão e diabetes, mas que pode ser prevenido com políticas adequadas.

Clare Rogowski, coautora do estudo da Universidade de Cambridge, enfatiza que esforços para reduzir a exposição a esses poluentes provavelmente ajudarão a diminuir o impacto da demência na sociedade. Consequentemente, ela defende limites mais rigorosos para diversos poluentes, visando principalmente os setores de transporte e indústria.

Poluição em Guarulhos: recomendações para moradores

Enquanto aguardam mudanças estruturais, os moradores podem adotar medidas de proteção individual. Primordialmente, evitar exercícios ao ar livre durante horários de pico de tráfego reduz a exposição. Simultaneamente, manter janelas fechadas em dias de alta poluição e usar purificadores de ar em casa oferece proteção adicional.

Para finalizar, monitorar os índices diários de qualidade do ar através de aplicativos especializados permite tomar decisões informadas sobre atividades externas. Portanto, a conscientização sobre os riscos representa o primeiro passo para a proteção da saúde cerebral a longo prazo.

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