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dom, 21 jun 2026
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Preservação de Pterossauro: Estudo Revela Tecidos Intactos Após 113 Milhões de Anos

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Pesquisadores do Brasil, Austrália, Alemanha e Estados Unidos identificaram um novo e inédito mecanismo global de fossilização que garantiu a preservação de tecidos moles e até esteroides em um pterossauro do período Cretáceo. O fóssil, encontrado na Formação Romualdo, na Bacia do Araripe, Ceará, permaneceu intacto por 113 milhões de anos, oferecendo uma janela sem precedentes para a biologia de criaturas antigas.

Detalhes da Descoberta e Metodologia

O estudo, publicado recentemente na revista iScience, revela que bactérias oxidantes de enxofre desempenharam um papel crucial nesse processo. Elas foram responsáveis pela mineralização rápida do fóssil, o que assegurou sua preservação tridimensional excepcional, desafiando a compreensão tradicional sobre a degradação de matéria orgânica.

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A equipe multidisciplinar, composta por especialistas de 15 instituições internacionais, empregou análises avançadas de geoquímica, microscopia eletrônica, espectrometria de massa e tomografia 3D. Contudo, essa combinação de técnicas permitiu desvendar a complexidade da fossilização e a identificação de moléculas orgânicas extremamente frágeis.

A pesquisa aponta para um “efeito dominó” no qual a decomposição inicial do animal criou microambientes químicos. Esses ambientes, por sua vez, nutriram microrganismos específicos que desencadearam uma sequência de precipitações minerais, selando o fóssil antes que tecidos e biomoléculas pudessem se degradar completamente.

A Importância da Bacia do Araripe

O paleontólogo Alexander Kellner, do Museu Nacional da UFRJ e um dos autores, destacou a excepcionalidade da preservação. Ele afirmou que “estamos falando de tecidos e moléculas que, em condições normais, desapareceriam em poucos dias”, reforçando a relevância global da Bacia do Araripe como um dos sítios fossilíferos mais importantes do planeta.

Além disso, Klitin Grici, diretora fundadora do Centro de Geoquímica Orgânica e Isotópica da Austrália Ocidental, descreveu o fóssil como uma “verdadeira cápsula do tempo”. Ela ressaltou a inédita detecção de traços de esteroides em um pterossauro, fornecendo evidências valiosas sobre a dieta dessas criaturas, que provavelmente se alimentavam de peixes ou lulas.

O professor Antônio Álamo Feitosa Saraiva, da Universidade Regional do Cariri, enfatizou que essa descoberta modifica a compreensão sobre a formação de fósseis excepcionais. Ele salientou que a Bacia do Araripe continua revelando segredos extraordinários, comprovando a capacidade dos micróbios em criar microambientes altamente eficientes para a Preservação de Pterossauro.

Um Olhar Sobre os Pterossauros e o Fóssil

Os pterossauros foram répteis voadores que coexistiram com os dinossauros, tornando-se os primeiros vertebrados a desenvolver o voo motorizado. Algumas espécies alcançaram envergaduras gigantescas, superando os 10 metros, dominando os céus durante o período Mesozoico.

O exemplar analisado pertence ao grupo Anhangueridae e possuía uma abertura alar de aproximadamente 8 metros. Conforme Renan Bantim, curador do Museu de Plácido Cidade Nuvens, onde o fóssil está depositado, o estudo aprofunda o conhecimento sobre a anatomia e a fisiologia desses fascinantes répteis voadores.

Colaboração Internacional e Futuro da Pesquisa

A parceria entre o Museu Nacional/UFRJ e a Universidade Regional do Cariri (URCA) tem uma longa trajetória de sucesso, gerando achados espetaculares ao longo dos anos. Portanto, essa colaboração de longa data demonstra a força da pesquisa paleontológica brasileira.

Alexander Kellner também celebrou a expansão dessas parcerias através do Instituto Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (INCT Paleovert), financiado pelo CNPq. Este programa possibilita alianças como a liderada pela Universidade Curtin da Austrália, permitindo que a pesquisa brasileira atue na fronteira do conhecimento sobre organismos que habitaram nosso planeta há milhões de anos.

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