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dom, 07 jun 2026
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Relato de um sepultamento: A dor e a incerteza de familiares que perderam alguém com suspeita de coronavírus

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A morte de um familiar ou amigo é um momento doloroso para quem precisa se despedir dessa pessoa querida. Nos últimos dias, o mundo tem acompanhado o aumento massivo de mortes por coronavírus.

Mortes que muitas vezes, acontecem antes do resultado do exame com a confirmação ou não da doença. Mesmo assim, novos protocolos precisaram ser adotados nos cemitérios para velar e sepultar pessoas neste momento de pandemia.

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Recebemos um relato de um leitor que não será identificado. Ele perdeu um familiar com suspeita de coronavírus, a dor e as incertezas que ficaram. O resultado do exame ainda não saiu.

“No dia 02 de abril levei a minha mãe até a UPA Soberana por volta das 4h30 pois ela apresentava muita tosse, dificuldade para respirar e muito cansaço. Ela foi transferida de ambulância para o Hospital Geral de Guarulhos pois seu quadro de saúde era delicado. As 12:39 ela foi internada no (HGG) com pneumonia a esclarecer e suspeita de Covid 19.

No dia dia 7 de abril às 22h25, recebi uma ligação do (HGG) pedindo que eu comparecesse até o hospital. Cheguei lá às 22:55 e após uns 20 minutos de espera fui apresentado ao médico de plantão e este me informou que a minha mãe havia falecido às 20h45 de insuficiência respiratória.

O exame para verificar se ela estava infectada com coronavírus ainda não tinha saído, e portanto, como ela era suspeita de estar contaminada, o sepultamento teria que ser direto, ou seja, não haveria velório. Me informaram que era orientação do ministério da saúde. Peguei os papéis do atestado de óbito, na recepção, por volta das 23:40. Foi informado que deveria comparecer no cemitério Vila Rio, a partir das 7h do dia seguinte, para dar início ao processo de sepultamento.

Cheguei lá por volta das 7h30 e por volta das 9h, após fazer toda a documentação necessária, eu já estava indo novamente ao (HGG) para liberação do corpo, pois o sepultamento seria por volta das 10h30. Após fazer o reconhecimento do corpo no (HGG) apenas pela etiqueta com os dados pessoais, fixada no saco plástico, pois fui informado que não poderia ser aberto, também não foi possível por as roupas que eu havia levado, voltamos para o cemitério Vila Rio.

Às 12h do dia 8 de abril, após uns vinte minutos que foram concedido para os familiares despedir, minha mãe foi sepultada. Caixão lacrado sem visor pois ela era suspeita de coronavírus e ainda não tinha resultado do exame. O resultado ainda não saiu. Foi uma situação muito diferente do habitual, já não podíamos ver quando estava internada, apenas recebíamos os boletins médicos que eram passados por um médico, todos os dias, ao meio dia.

O complicado é porque não sabemos se realmente ela estava com coronavírus. Se caso o resultado for negativo, poderíamos ter feito o velório de modo tradicional. Acho que todos querem ver seus parentes pela última vezes antes de ser sepultado. Me deram um número de telefone para ligar e saber o resultado do exame.

Não sei onde ela poderia ter sido contaminada. Fica difícil dizer mas, eu tinha levado ela em um hospital lá em Mogi das Cruzes no dia 11 de março e também ela passou na UPA Soberana durante uma semana pra receber medicação. Nas não tem como dizer onde ela pode ter ser contaminado. Se é que estava contaminada.

A Secretaria de Serviços Públicos de Guarulhos informou à reportagem que tanto o serviço funerário público, quanto o particular, seguem o protocolo da nota técnica 004/2020 da Anvisa e a Resolução SS32 da Secretaria de Estado da Saúde.

“No momento, todas as urnas, independente da causa mortis, estão chegando lacradas ao local de velório/sepultamento. Em caso confirmado de Covid-19, o sepultamento ocorre após despedida em campo aberto. Porém, nos demais casos, os velórios têm duração máxima de 2 horas com o limite de dez pessoas na sala, por vez. Não estão sendo realizados velórios no período entre 17h e 7h.

O serviço funerário do município informou ainda que “Em casos confirmados ou suspeitos de Covid-19, os servidores envolvidos nas funções usam EPIs, incluindo macacão impermeável, com retirada imediatamente após a conclusão do sepultamento. O único contato dos trabalhadores é com as alças das urnas que estão sendo rigorosamente higienizadas“.

*As identidades foram preservadas em respeito à família

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