O projeto do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) de Guarulhos, orçado em R$ 1,625 bilhão, permanece sem previsão para início das obras, mesmo após anos de estudos e promessas. O “bondinho” guarulhense deveria conectar 19 estações ao longo de 10,3 km, atendendo cerca de 54 mil passageiros por dia com intervalo de 6 minutos entre composições.
Entretanto, apesar do cronograma inicial prever operação até 2028, o projeto praticamente desapareceu das pautas públicas e declarações oficiais. Além disso, estudos do BNDES em parceria com o Ministério das Cidades revelam: o VLT poderia evitar até 16 mil toneladas de CO₂ por ano a partir de 2050.
Bondinho de Guarulhos ligará Aeroporto de Guarulhos ao Bosque Maia

O traçado do VLT contempla a região do Parque Linear Transguarulhense. Assim, ele passaria pelo Shopping Bosque Maia e pelo Parque Bosque Maia, ambos na Avenida Paulo Faccini. Posteriormente, segue pela Avenida Otávio Braga de Mesquita até a estação Aeroporto Guarulhos da CPTM.
De acordo com o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU), elaborado pelo BNDES, a proposta inclui conexões estratégicas. Dessa forma, o sistema se integrará com a Linha 13-Jade da CPTM e com a futura Linha 19-Celeste do Metrô. Sem dúvida, ampliaria significativamente a malha de transporte metropolitano.
O Plano Municipal de Mobilidade Urbana de Guarulhos (PMU-Guarulhos), desenvolvido em 2019, já previa a implantação do VLT como solução estratégica para o transporte coletivo na cidade. Consequentemente, os estudos de viabilidade foram iniciados com apoio da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) e da CODATU, contando ainda com suporte técnico da Agência de Urbanismo de Lyon.
Estudo prevê impacto ambiental positivo do VLT

Segundo o estudo de pré-viabilidade finalizado em junho de 2023, a partir de 2030 o VLT poderá evitar entre 7 mil e 7,7 mil toneladas de emissões de CO₂ por ano. Ademais, essa redução chegará a 16 mil toneladas em 2050, demonstrando o potencial de sustentabilidade ambiental do projeto.
O levantamento, financiado pelo BNDES e pelo banco alemão KfW, detalha os custos de implantação (CAPEX), a estimativa de demanda e os impactos ambientais. Portanto, foram avaliadas duas possíveis rotas: a principal, pela Avenida Paulo Faccini, e uma alternativa, pela Avenida Salgado Filho, com variações mínimas entre elas.
Além dos benefícios ambientais, o trecho na Avenida Paulo Faccini deverá passar por requalificação urbana. Dessa forma, haverá melhoria nas calçadas, implantação de ciclovias e modernização das faixas de rolamento.
VLT ainda não tem data para começar as obras
Embora o cronograma atual preveja que a implantação e operação do VLT de Guarulhos ocorra até 2028, o relatório não menciona prazo para o início das obras. Contudo, anos após o anúncio inicial, o tema praticamente desapareceu das pautas da mídia e das declarações das autoridades municipais.
O projeto, considerado uma oportunidade estratégica de mobilidade para a cidade, ainda enfrenta indefinições sobre seu cronograma executivo. Entretanto, mesmo que o traçado não atravesse diretamente o centro de Guarulhos, ele conecta áreas de grande relevância e pode estimular a expansão da zona central.
Para os guarulhenses, a questão permanece: quando o “bondinho” sairá do papel? Atualmente, enquanto outras cidades da região metropolitana avançam com seus projetos de mobilidade urbana, Guarulhos aguarda definições concretas sobre este investimento bilionário que poderia transformar o transporte público local.
Veículo Leve sobre Trilhos: entenda o que é VLT
O VLT, sigla para Veículo Leve sobre Trilhos, é um sistema de transporte público que opera sobre trilhos, similar ao bonde tradicional, mas com tecnologia moderna. Diferentemente do metrô, que circula em túneis ou vias elevadas, o VLT compartilha o espaço urbano com pedestres e veículos.
Normalmente, as composições do VLT atingem velocidade média de 20 a 30 km/h em áreas urbanas, oferecendo maior capacidade que ônibus convencionais. Além disso, o sistema proporciona maior conforto, pontualidade e menor impacto ambiental comparado ao transporte rodoviário.

Cidades como Rio de Janeiro, Santos e Cuiabá já operam sistemas de VLT, demonstrando a viabilidade da tecnologia no Brasil. Finalmente, para Guarulhos, o “bondinho” representaria um salto qualitativo no transporte público, conectando pontos estratégicos da cidade com eficiência e sustentabilidade.


