O Aeroporto Internacional de Guarulhos se tornou, nesta segunda-feira (13), o ponto de partida para a distribuição de um novo e aguardado medicamento contra o câncer de mama no Sistema Único de Saúde (SUS). O Ministério da Saúde recebeu no almoxarifado do aeroporto o primeiro lote do Trastuzumabe entansina (T-DM1), uma terapia inovadora para um tipo agressivo da doença. Assim, a cidade se consolida como um centro logístico crucial para a saúde pública nacional.
O indicação do medicamento é para pacientes com câncer de mama HER2-positivo, uma variação que representa cerca de 20% dos casos e tende a ser mais agressiva. Embora sua incorporação ao SUS tenha sido autorizada em 2022, somente agora a substância estará disponível para distribuição às secretarias estaduais de saúde, representando uma esperança para milhares de pacientes.
A importância do novo remédio
O câncer de mama não é uma doença única. Ele possui classificação em subtipos, e o tratamento varia conforme essas características. O Trastuzumabe entansina foca especificamente no tipo HER2-positivo, que possui uma proteína que acelera o crescimento das células cancerígenas.
| Subtipo de Câncer de Mama | Incidência Estimada | Característica Principal |
|---|---|---|
| HER2-positivo | 15% a 20% | Células com alta proteína HER2, crescimento rápido |
| Receptores Hormonais (RH+) | 70% a 80% | Células crescem em resposta a hormônios |
| Triplo-negativo | 13% a 15% | Ausência dos três marcadores padrão |

De acordo com especialistas, o T-DM1 é utilizado em casos onde o câncer já retornou (recidivado) ou se espalhou para outros órgãos (metastático). Estudos indicam que ele não apenas aumenta a sobrevida das pacientes, mas também reduz o risco de progressão da doença, com menos efeitos colaterais severos como perda de cabelo, em comparação com quimioterapias tradicionais.
A longa espera pela disponibilidade
A chegada do medicamento a Guarulhos encerra uma espera de anos. A jornada do Trastuzumabe entansina até se tornar acessível no SUS foi longa, o que gerou grande expectativa entre pacientes e oncologistas.
- 2014: Anvisa aprova o uso da substância no Brasil.
- Setembro de 2022: Conitec autoriza a incorporação do remédio ao SUS.
- Dezembro de 2024: Ministério da Saúde inclui o T-DM1 em seu protocolo oficial.
- 13 de Outubro de 2025: Primeiro lote chega ao Brasil via Aeroporto de Guarulhos.
Na rede privada, o custo mensal deste tratamento pode chegar a R$ 20 mil por paciente. Portanto, sua chegada ao SUS é um marco fundamental para garantir o acesso a uma terapia de ponta para cerca de 10.700 pacientes atendidas anualmente pela rede pública com este tipo de tumor.
*Com informações do Ministério da Saúde e Oncoguia.


