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qui, 04 jun 2026
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Exercícios Aeróbicos e Cognitivos: Nova Pesquisa da USP Beneficia Pacientes com Parkinson

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Uma pesquisa inovadora conduzida pela Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da USP revelou que a combinação de exercícios aeróbicos com tarefas cognitivas oferece benefícios significativos para pacientes com Parkinson. O estudo, recentemente divulgado, demonstra a eficácia dessa abordagem em aprimorar funções motoras e cognitivas, desafiadas pela doença neurodegenerativa, e foi realizado em São Paulo.

Pacientes diagnosticados com Parkinson enfrentam perdas severas das funções cognitivas e motoras, manifestadas por tremores, instabilidade postural, rigidez muscular, além de problemas de memória, linguagem e raciocínio. Embora o tratamento farmacológico seja crucial, ele não aborda plenamente a automaticidade do andar, uma função humana básica. Dessa forma, estratégias complementares, como a atividade física regular e estímulos cognitivos, tornam-se indispensáveis para uma melhor qualidade de vida.

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A Pesquisa da USP e seus Objetivos

A investigação, liderada por Jumes Leopoldino Oliveira Lira sob orientação do professor Carlos Ugrinowitsch, buscou verificar se a integração de estímulos cognitivos intensificaria os benefícios dos exercícios aeróbicos. O foco principal estava em avaliar a automaticidade do andar, a atividade do córtex pré-frontal e as funções executivas dos indivíduos com Parkinson.

Ainda que a pesquisa tenha enfrentado algumas limitações, os resultados iniciais foram promissores. O estudo indicou que a combinação das intervenções aprimorou a flexibilidade mental e o controle inibitório dos participantes. Consequentemente, a união do exercício físico e cognitivo demonstra um potencial considerável para otimizar o controle executivo dessas pessoas.

Desafios do Andar e Disfunções no Parkinson

O andar representa uma função humana complexa, dependente da coordenação integrada de múltiplos sistemas internos. Em indivíduos saudáveis, essa ação ocorre com mínima necessidade de controle executivo, sendo uma tarefa inconsciente que exige pouca atenção. Entretanto, a doença de Parkinson provoca a degeneração de estruturas cerebrais cruciais para a automação dos movimentos diários.

Assim, pessoas com Parkinson frequentemente experienciam maior dificuldade em dominar seus sistemas biomecânicos, especialmente em situações de tarefa dupla, como andar enquanto realizam atividades cognitivas. A disfunção nos núcleos da base, componentes cerebrais essenciais no controle motor, exige que os pacientes “pensem mais para andar”. Isso gera uma hiperatividade compensatória do córtex pré-frontal, resultando em sobrecarga cognitiva, lentidão e menor eficiência dos movimentos.

Tais alterações aumentam significativamente o risco de quedas, fator que impacta negativamente a qualidade de vida, podendo levar a internações e, em casos extremos, até a óbito. No Brasil, estimativas recentes apontam que mais de 500 mil indivíduos convivem com a doença de Parkinson, um grave distúrbio neurológico crônico e progressivo, sublinhando a urgência por tratamentos eficazes.

Metodologia e Intervenções do Estudo

Após rigorosos critérios de seleção, vinte voluntários com a doença de Parkinson foram convidados a participar de quatro visitas ao Laboratório de Biomecânica da EEFE, com um intervalo semanal entre cada uma. A visita inicial teve como objetivo caracterizar os participantes, coletando informações detalhadas sobre suas condições físicas e histórico de saúde.

Nas visitas subsequentes, foram aplicadas intervenções experimentais em três modalidades distintas. Uma delas consistia em exercício aeróbico exclusivo em cicloergômetro, enquanto outra envolvia apenas testes cognitivos. A terceira modalidade combinava ambas as abordagens. Cada intervenção foi realizada em uma única sessão, com duração aproximada de trinta minutos e administrada de forma individual e aleatória.

O design metodológico permitiu uma comparação direta entre as modalidades, buscando identificar quais eram mais eficazes na melhoria da automaticidade do andar, das funções executivas e na redução da sobrecarga do córtex pré-frontal. Antes e imediatamente após cada intervenção, o desempenho executivo e a capacidade motora dos voluntários foram avaliados para registrar possíveis mudanças.

Foco nos Estímulos Cognitivos

Especificamente nas sessões com estímulos cognitivos, foram aplicadas tarefas de funções executivas, um conjunto de habilidades que engloba o processamento de informações, a capacidade adaptativa e a supressão de impulsos. Os testes incluíam cálculos e sequências de números, letras e cores, visando aferir a memória de trabalho, a flexibilidade mental e o controle inibitório dos participantes.

Conclusões e Potencial Terapêutico

Embora o estudo não tenha detectado diferenças significativas entre as três modalidades quanto à automaticidade do andar e à atividade do córtex pré-frontal, os resultados evidenciaram melhorias pontuais em habilidades cognitivas cruciais. A comparação entre as avaliações pré-teste e pós-teste demonstrou avanços notáveis.

A pesquisa da USP reforça a importância de abordagens terapêuticas multimodais para o Parkinson, indicando que a integração de atividades físicas e cognitivas pode oferecer uma via promissora para a gestão da doença. Este tipo de intervenção pode complementar os tratamentos existentes, contribuindo significativamente para a melhoria da qualidade de vida dos pacientes.

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