As vendas do comércio varejista brasileiro registraram um crescimento de 0,1% em maio de 2024, após uma queda observada no mês anterior. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os dados da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) nesta quinta-feira, oferecendo um panorama sobre o consumo no país. Este leve avanço acontece em um cenário de recuperação gradual para o setor.
A elevação em maio de 2024 reverteu parte da retração de 1,6% que o volume de vendas sofreu na passagem de março para abril do mesmo ano. Contudo, a média móvel trimestral apontou uma leve queda de 0,2%, indicando uma flutuação nas atividades recentes do setor. O varejo, entretanto, mostrou avanços em outras perspectivas de comparação.
Na comparação com maio de 2023, o setor registrou um incremento de 0,4%, o que sinaliza uma recuperação anual. Além disso, o acumulado do ano de 2024 atingiu 1,7% de crescimento, enquanto a análise dos últimos doze meses revelou uma alta de 1,4%, reforçando a tendência de expansão a longo prazo. Cristiano Santos, gerente da pesquisa do IBGE, observou que, no ano de 2024, o varejo tem apresentado crescimento na maioria dos períodos, com abril sendo a única exceção negativa.
Setores impulsionam crescimento e enfrentam quedas
A alta de 0,1% nas vendas de abril para maio de 2024 foi impulsionada por cinco das oito categorias pesquisadas pelo IBGE. Notavelmente, os setores de livros, jornais, revistas e papelaria lideraram o avanço com um crescimento de 15,2%. Outros segmentos que contribuíram positivamente incluem tecidos, vestuário e calçados (3,1%), assim como móveis e eletrodomésticos (2,7%).
Ademais, artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria apresentaram um crescimento de 1,4%, enquanto o segmento de combustíveis e lubrificantes registrou alta de 1,1%. Por outro lado, três setores enfrentaram retração significativa no período. Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação tiveram queda de 1,7%, por exemplo.
Enquanto isso, o grupo de hiper e supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo recuou 1,5%. Finalmente, outros artigos de uso pessoal e doméstico também registraram um declínio de 0,3% em suas vendas, demonstrando um desempenho heterogêneo entre as diversas categorias do varejo tradicional no período analisado.
Varejo ampliado mostra cenário distinto
A análise do varejo ampliado, que incorpora também os setores de materiais de construção e veículos e peças, revelou um panorama diferente, com uma queda de 0,2% na passagem de abril para maio de 2024. Embora o índice geral tenha recuado, os materiais de construção mostraram crescimento de 2,1%, e o setor de veículos e peças avançou 1,8%.
Contudo, a média móvel trimestral para o comércio varejista ampliado registrou uma queda de 0,3%. Comparativamente a maio de 2023, o setor apresentou uma retração de 0,6%, evidenciando um desempenho mais fraco em relação ao ano anterior. No acumulado do ano até maio de 2024, o varejo ampliado obteve alta de 1,3%, enquanto o acumulado dos últimos doze meses marcou um crescimento modesto de 0,1%.
Receita nominal acompanha movimentos do setor
A receita nominal de vendas do comércio varejista acompanhou o movimento do volume, registrando um crescimento de 0,1% na comparação entre abril e maio de 2024. Em termos anuais, a receita nominal do varejo avançou 4,4% em relação a maio de 2023, demonstrando uma valorização monetária.
Adicionalmente, no acumulado do ano de 2024, a receita nominal atingiu 4,2% de alta, e nos últimos doze meses, o índice foi de 4,8%. Por outro lado, o varejo ampliado também observou alta na receita nominal, com 0,4% de abril para maio de 2024, superando a variação do varejo restrito para o mesmo período.
O crescimento anual da receita nominal no varejo ampliado foi de 2,3% na comparação com maio de 2023. Além disso, o acumulado do ano para este segmento alcançou 3%, enquanto a variação nos últimos doze meses foi de 2,8%. Estes dados reforçam a dinâmica heterogênea e complexa do comércio brasileiro.


