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qua, 15 jul 2026
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Racismo no futebol: Bellingham e Messi na pauta da Copa de 2022

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Durante a Copa do Mundo de 2022 no Catar, o tema do racismo no futebol ganhou destaque, com atletas e torcidas de diversas nações confrontando a discriminação. O meio-campista inglês Jude Bellingham emergiu como uma voz ativa na luta contra o preconceito, enquanto a postura de Lionel Messi, da seleção argentina, e de parte da torcida Albiceleste também pautaram importantes discussões sobre o tema. Este cenário sublinhou a urgência de combater o racismo em todas as esferas do esporte.

Jude Bellingham: voz contra a discriminação

Aos 23 anos, Jude Bellingham se tornou um ícone na Inglaterra, não apenas por seu talento em campo, mas por sua firmeza contra o racismo. Ele superou hostilidades em seu próprio país antes de se destacar internacionalmente. A torcida inglesa, por exemplo, o homenageia cantando a canção ‘Hey Jude’, dos Beatles, demonstrando grande apoio ao atleta.

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Contudo, o caminho de Bellingham foi marcado por desafios. Ao ser convocado, o atleta, que é negro, enfrentou uma onda de críticas antes de brilhar em partidas decisivas, como na vitória sobre o México em 5 de dezembro de 2022, no Estádio Asteca. Além disso, fora dos gramados, ele sempre se posicionou, apoiando outras vítimas de racismo, como o jogador brasileiro Vini Jr., seu colega no campeonato espanhol.

Em entrevista ao jornal The Guardian, Bellingham revelou que recebe mensagens racistas na maioria dos jogos, variando a intensidade conforme seus resultados em campo. Ele lamentou a situação, afirmando que nenhuma profissão justifica a crítica baseada em racismo. Portanto, o jogador enfatizou a necessidade de que “as pessoas no poder façam mais” para combater a discriminação.

Silêncio de Messi e atos da torcida argentina

Por outro lado, Lionel Messi, a estrela argentina, enfrentou questionamentos pela falta de um posicionamento explícito contra atos racistas. Durante a Copa do Mundo de 2022, torcedores argentinos foram flagrados em duas ocasiões praticando discriminação, uma contra um influenciador negro na arquibancada, IShowSpeed, e outra direcionada a torcedores egípcios. Enquanto isso, a falta de uma declaração contundente por parte do capitão gerou debate.

O panorama do racismo no futebol mundial

O racismo marcou intensamente a edição de 2022 da Copa do Mundo. Jogadores holandeses, alemães e até mesmo outros atletas ingleses foram alvos de insultos. Grandes nomes, como o francês Kylian Mbappé, também sofreram ataques diretos, e cânticos racistas ecoaram em estádios. Além disso, houve o veto à entrada nos Estados Unidos do árbitro somali Omar Abdulkadir Artan, que seria país-sede de parte da próxima Copa.

Marcelo Carvalho, diretor-executivo do Observatório da Discriminação Racial no Futebol, confirma que o apoio das torcidas a jogadores de diferentes origens étnicas, especialmente negros, frequentemente depende do desempenho em campo. Ele observa avanços no futebol inglês, com a implementação de um plano ousado em 2021, mas expressa ceticismo sobre a permanência do apoio a Bellingham caso a seleção perca. “Não torço para a Inglaterra perder, mas, se perder, veremos se esse apoio vai continuar”, avaliou Carvalho, lembrando que “os ataques surgem na derrota”, como ocorreu com jogadores holandeses em 2022 e ingleses em 2021.

Ademais, Carvalho ressalta que jogadores negros que se posicionam contra o racismo, como Bellingham, são frequentemente rotulados de “arrogantes” por parte do público. Segundo o especialista, “as pessoas querem ver negros mostrando subordinação. A partir do momento que você se posiciona e usa a sua voz, você desafia a ordem”.

Ações e cobranças por um combate efetivo

Os números comprovam a escala do problema. A FIFA identificou e removeu 89 mil publicações abusivas nas redes sociais durante a fase de grupos da Copa de 2022, um aumento de 13 vezes em relação à edição anterior. O Serviço de Proteção às Redes Sociais, criado na Copa de 2022, analisou 6 milhões de publicações, revelando que 11% das mensagens ofensivas eram de cunho racista.

Para a organização inglesa Kick it Out, que monitora casos de racismo no esporte, a ação de monitoramento da FIFA é crucial. Entretanto, a entidade defende que uma maior responsabilização dos agressores gera confiança para as denúncias. “Temporada após temporada, as pessoas denunciam à Kick it Out número recorde de casos, e é por isso que continuaremos a trabalhar com parceiros para garantir que existam políticas mais eficazes para lidar com esses problemas generalizados”, declarou a organização em posicionamento público.

As organizações civis exigem um esforço coordenado em escala global, com o auxílio da FIFA, que já instituiu o Protocolo Vini Jr. Essa abordagem colaborativa é fundamental para que entidades do futebol e autoridades nacionais e internacionais enfrentem de forma mais eficaz o problema persistente do racismo, garantindo um ambiente esportivo inclusivo para todos.

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