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ter, 14 jul 2026
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Abandono universitário por filhos atinge mais de 54% dos graduandos no Brasil

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Um recente levantamento do Ministério da Educação (MEC) revelou que 54,4% dos estudantes de graduação já abandonaram ou trancaram seus cursos para dedicar-se aos cuidados com os filhos. O estudo, conduzido por um grupo de trabalho específico, destaca um obstáculo significativo na trajetória acadêmica de milhares de brasileiros, impactando diretamente o acesso e a permanência no ensino superior em todo o país, incluindo a realidade dos estudantes em Guarulhos e na Grande São Paulo.

A pesquisa abrangeu mais de 7,4 mil participantes, identificando que a maternidade é o principal fator, com 86,5% dos respondentes sendo mães. Na pós-graduação, por outro lado, o impacto também é notável, embora em menor proporção, com 36,4% dos alunos enfrentando a mesma interrupção. Esses dados evidenciam uma disparidade entre os níveis de ensino e a urgência de políticas de apoio para a permanência estudantil.

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O perfil predominante entre os graduandos afetados revela uma média de idade de 33 anos, com a maioria frequentando aulas presenciais (92,8%) no período noturno (43,3%). Além disso, 46% são solteiros, 60,2% se autodeclaram negros (pretos e pardos) e 79,5% estudam em instituições públicas federais. Contudo, a situação econômica desses estudantes frequentemente demonstra vulnerabilidade, o que agrava o quadro.

Ainda sobre a situação socioeconômica, 24,6% dos graduandos vivem com até um salário-mínimo, e a maioria (59,6%) tem apenas um filho. Eles frequentemente residem com até três pessoas (39%), o que pode indicar uma estrutura familiar estendida e dependente. Essas condições financeiras e familiares, portanto, contribuem para a decisão de suspender os estudos, tornando-se um fator limitante para a continuidade acadêmica.

Segurança alimentar e restaurantes universitários

O grupo de trabalho do MEC expressou preocupação com a segurança alimentar dos filhos desses estudantes, visto que os restaurantes universitários (RUs) representam uma opção de refeição acessível. Entretanto, a pesquisa aponta que 51% das crianças de estudantes de graduação e 49,3% das de pós-graduação não possuem direito à alimentação nesses locais.

Entre aqueles que têm acesso, apenas 7,1% na graduação e 2,9% na pós-graduação informaram gratuidade. O acesso mediante pagamento é um pouco mais comum, atingindo 10,7% dos graduandos e 9,2% dos pós-graduandos. Enquanto isso, um percentual significativo de 30,3% na graduação e 38% na pós-graduação afirmou não saber se seus filhos têm esse direito.

A falta de clareza nas informações e a fragilidade na comunicação institucional por parte das universidades são destacadas pelos pesquisadores como fatores que agravam a situação. Portanto, muitos estudantes podem não estar cientes dos poucos benefícios existentes, o que impede a busca por auxílio e a melhoria da qualidade de vida de suas famílias.

Apoio e redes de suporte

A vulnerabilidade social se estende além da alimentação e renda, alcançando também a rede de apoio disponível aos estudantes com filhos. O apoio pessoal, fornecido por familiares e amigos, é o mais citado, com 43,3% dos respondentes contando com essa ajuda em seu cotidiano.

Contudo, uma parcela considerável de 32,9% dos estudantes de graduação revelou não contar com nenhum tipo de suporte, o que torna a gestão do dia a dia, muitas vezes exaustiva, uma tarefa solitária. Apenas 5,9% dos graduandos conseguem contratar serviços privados, como babás, para auxiliar nos cuidados infantis.

Além disso, apenas 7,5% recorrem a serviços públicos, e menos de 1% encontra ajuda em organizações não governamentais (ONGs) ou projetos comunitários. Essa escassez de suporte formal e institucional sublinha a necessidade de formulação e implementação de políticas públicas que possam preencher essas lacunas, segundo os especialistas.

Pós-graduação: um cenário com particularidades

Os estudantes de pós-graduação, embora também enfrentem desafios, apresentam um perfil distinto em alguns aspectos. A maioria, 56,1%, se autodeclara branca, contrastando com 42,1% de autodeclarados negros (pretos e pardos). O estado civil predominante nesse grupo é o de casados, representando 50,6% dos respondentes.

A situação econômica dos pós-graduandos também se mostra geralmente melhor quando comparada à dos graduandos. A proporção de quem sustenta a família com até meio salário-mínimo cai para 1,1%, por exemplo. Desse modo, mais de um terço (38,9%) vive com até cinco salários-mínimos, e 23,1% recebem entre cinco e dez salários-mínimos, indicando uma maior estabilidade financeira e, consequentemente, menos pressões para o abandono dos estudos.

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